CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

CORDELISTA PARAIBANA FICA EM 1° LUGAR NO 2° CONCURSO DE LITERATURA DE CORDEL “FEIRA DE CARUARU PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE TODOS NÓS”

         

        A cordelista paraibana Rosa Ramos Regis da Silva levou o 1° lugar do 2°concurso de Literatura de Cordel  promovido pelo Pontão de Cultura Feira de Caruaru, projeto desenvolvido pela Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru e pelo IPHAN, em parceria com a Academia Caruaruense de Literatura de Cordel e A Casa da Poesia de Caruaru.

       ROSA RAMOS REGIS DA SILVA é Paraibana, do Sítio Jerimum -Jacaraú-PB, residente em Natal–RN, desde 1966. (Graduada em Economia e Filosofia pela UFRN. Professora de Filosofia do Ensino Médio da Estadual do RN (em Natal - Capital do Rio G. do Norte),Amante da Poesia, especialmente do Cordel. Tem trabalhos editados: no Poetas del Mundo: www.poetasdelmundo.com - Rosa Ramos Regis da Silva; No Recantodas Letras: Rosa Regis www.recantodasletras.com.br/autores/rosaramos No Poesia Pura: Rosa Regis www.poesiapura.com - nos Fóruns: Patativa do Assaré e Fernando Pessoa; No ORKUT: www.orkut.com.br – Rosa Regis e A Fofoqueira do Brejo; no Beco dos Poetas & Escritores; no Poética Digital; no Globoonliners; no Netlog; Mural dos Escritores... SITE da poetisa http://br.geocities.com/rosadocordel/index.html

Vejamos um cordel da poetisa extraído do seu blog:

FILOSOFIA EM CORDEL
(Aplicada à Educação Fundamental)

Por Rosa Regis
Natal/RN – 2005

Folheto 1

Nos disse o mestre dos mestres
do pensar, que foi Platão,
que as coisas só iam entrar
nos eixos neste mundão
quando este fosse mandado,
dirigido, governado,
por filósofos. E então?!...
...
Século VI antes de Cristo
na Grécia continental
as cidades-estado tinham
algo de especial
eram centros que cresciam
no setor comercial.

Os gregos desenvolviam
suas dramatizações
buscando mostrar ao povo
com precisas descrições
o que haviam assimilado
durante as Navegações.

O governo da carência
era, ora, idealizado.
Ao invés do “do acaso”.
E, com base, estruturado
para uma democracia
com que haviam sonhado.

Herdaram, pois, dos minóicos,
espírito navegador,
desbravando o oceano,
naquele tempo, o terror,
por ser um Ser mitológico,
do Grande Poder, Senhor.

A geometria egípcia
assimilaram mui bem,
como a observação
dos astros, e inda vem:
o calendário dos povos
da Ásia Menor também.

E na falta de alguém
pra responsabilizar
pelo começo de tudo
que se refere ao “pensar”,
Tales é o escolhido
pra do “saber” se falar.

Depois vem Anaximandro,
Pitágoras,... outros virão
com pensamentos diversos,
chegando-se a Platão,
onde se vê seu legado
fluir pra religião.

Vindo depois Aristóteles
que foi o mais influente
dos grandes filósofos gregos,
e o último, evidentemente!
Foi seguidor de Platão
porém não tão docemente.

Quanto aos outros pensadores,
de lá até hoje em dia,
também serão, ao seu tempo,
mencionados. E a via
serão, também, minhas rimas!
Que, espero, cause alegria.

TALES DE MILETO

Tales nasceu em Mileto.
Foi um grande pensador!
Sendo ele o primeiro Sábio
Do mundo. Um conhecedor.
Foi político, geômetra,
e astrônomo. Com louvor.

Século VI antes de Cristo
previu um eclipse solar
que ocorreu. E de mito
não queria ouvir falar!
Mas, do mundo das estrelas,
com quem vivia a sonhar.

Como outros gregos, ele,
o que fez de especial
foi separar a ciência
da magia e, afinal,
ousar pensar sobre o mundo
sem ter Deus como ideal.

E buscando a unidade
das coisas, ele pensou:
“Talvez, no começo, tudo
fosse água! E matutou
consigo mesmo: - Seria
possível? Se indagou.

ANAXIMANDRO

Falemos de Anaximandro,
que veio logo em seguida.
Este era da mesma linha
de Tales, pois que a vida,
pra ele, vinha da água
de uma forma definida:

Os homens vinham dos peixes.
E a Terra flutuava
no espaço sustentada
por algo, que ele afirmava
ser uma lei natural
que no Mundo atuava.

U’a substância primária
unida à lei natural
fazia, pois, que houvesse
um equilíbrio total
entre os elementos que
compunham o Mundo, e tal!

Foi ele, também, quem fez
o primeiro mapa a ser
útil aos desbravadores
que Mileto veio a ter
e que, como mercadores,
comerciaram a valer.

PITÁGORAS

Combinação curiosa
de místico e cientista,
de matemático, geômetra,
como verdadeiro artista
ele manuseia os números
como um hábil equilibrista.

E triste com Policrates,
um ditador, se mandou:
Saiu de Samos, sua terra,
e para o Egito rumou.
Logo depois para a Itália
onde uma escola fundou.

Uma escola baseada
em sua filosofia
matemático-metafísica
que pregava uma harmonia
cósmica que se baseava
nos números. E assim dizia:

A harmonia cósmica tem
base ou fundamentação
nos números que representam
das coisas em si relação.
Podendo-se dar, agora,
uma exemplificação:

Ao dividir-se uma corda
de lira, no comprimento,
descobriram os pitagóricos
que a mesma, a contento,
produz a oitava mais alta
que ao espírito trás alento.

E a noção de harmonia
a tudo o mais se estendeu
como sendo completude
tal qual Pitágoras creu:
Razões de números inteiros,
completos, como entendeu.

Geometria dos sólidos
perfeitos, ele explorou;
descobriu o teorema
que o seu nome herdou
e que até hoje, a muitos,
de terror, arrepiou.

Pitágoras foi o primeiro
que usou o raciocínio
sistemático-dedutivo
d’um axioma óbvio partindo
e, passo a passo, com lógica,
para um final prosseguindo.

E isso impulsionou,
duma forma colossal,
a ciência. Mas ocorre
que o óbvio, como tal,
atormenta até hoje
os filósofos. É real.

E ainda não contente
em demonstrar a importância
que os números representam,
Pitágoras, em outra instância,
afirma que: Nada é novo
e há vida em abundância.

A alma, coisa imortal,
em coisas vivas retorna
à vida, pois, ciclicamente,
ela renasce. E isso torna
a vida um ciclo eterno
que a vida em vida transforma.

E superavaliando
o poder numérico, crê:
O dodecaedro encarna
o Universo inteiro. E,
a harmonia das esferas
e o belo da música, vê.

HERÁCLITO
(Não se entra no mesmo
rio duas vezes)

Quinhentos anos a.C.
Heráclito já afirmava
que tudo estava em fluxo.
Mas também acreditava
em uma justiça cósmica
que o mundo equilibrava.

Era uma idéia complexa!
Na busca do elemento
primário, ele elege
o FOGO. E seu pensamento
afirma que há um fogo
central, sempre em movimento.
...
Houve um florescimento
muito além do normal
da cultura da Grécia clássica,
pois os gregos, em geral,
produziam... tinham idéias...
Era algo fenomenal!

Há grande amor pelo belo
porém sem extravagância.
As coisas da mente vêm,
sempre, em primeira instância
Não os deixando indolentes
e afastando-os da ganância.

Pode-se dar como exemplo
Péricles - grande estadista;
Eurípedes - tragediógrafo;
poetas e ceramistas
como: Safo, que era músico
e, também,pintor. Artista!

Escultores como Fídias!
Que foi um grande escultor.
E cito Safo, outra vez,
como historiador.
E Aristófanes, filósofo
e, da matemática, senhor.

Porém as recém-inventadas
democracias terão
sua base estruturada
em que?... na escravidão!
E só um sexto dos membros
eram ditos cidadãos.

Os escravos, os estrangeiros
e as crianças, enfim,
eram chamados de “bárbaros”.
E as mulheres... pois sim!...
não tinham qualquer direito!
Isso não é mesmo o fim?!

Não contavam para nada!
E isto distorceria
as tentativas que “o grego”
desenvolver tentaria
no que diz respeito a: ética
e política Filosofia.

EMPÉDOCLES

Empédocles de Agrimento
cria uma clepsidra
em metal. Descobre o ar.
E diz que: De Deus duvida.
Julgando-se o próprio Deus!
O dono da sua vida.

Afirma que tudo é:
fogo, terra, água e ar.
Que as plantas têm sexo.
A Terra, bola (sem ar).
E pelo amor e pela luta
tudo se transformará.

Que a vida rola em ciclos
históricos. E p’ra provar
que era mesmo divino,
no Etna veio a pular.
E o máximo que conseguiu
foi, assado, se finar.

OS ATOMISTAS

Falando dos atomistas,
Quatrocentos e Vinte a.C.
O mundo, aí, é formado
por particulazinhas que
unem-se, formando um todo.
Seria loucura? Engodo?
Tente descobrir você!

LEUCIPO E DEMÓCRITO

De Parmênides: a idéia
de partículas essenciais,
de Heráclito: o movimento
que não termina jamais,
herdam, e propõem: átomos
indivisíveis. E mais:

Os átomos, ao acaso,
flutuam. E tão pequeninos
que são não se pode vê-los.
Porém, do mundo, o destino,
se deve aos seus movimentos
diversos em desatino.

Suas diferentes formas
imutáveis, tinham a ver
com as transformações do mundo.
E isto tudo, até que
em Mil e Oitocentos, Dalton
traz outro modo de ver.

OS SOFISTAS(Grandes mudanças)

Enquanto que para os gregos
o interesse maior era
a unidade e a diferença,
o Universo... quem dera!
As grandes questões, agora?!
Isso era apenas quimera.

O sofista, cinicamente,
dispensa a “grande verdade”
e, com uma “bela conversa”,
busca, na realidade,
é fazer coisas pra si.
Pra sua comodidade.

E isto leva as pessoas
a escrever... discursar...
E, usando paradoxos,
grandes disputas ganhar
utilizando argumentos
deturpados sem corar.

E assim sendo, os problemas,
fatalmente, vêm a tona.
Atenas, de incutidores
de maus costumes, os toma.
Sendo o cinismo um deles.
E os sofistas vão à lona.

PROTÁGORAS

Segundo ele, o homem
era, de tudo, a medida.
E a sua praticidade
não lhe deixava saída:
conhecer a realidade
era coisa descabida.

Para ele o que importava
era mesmo a opinião
útil. Isto é ceticismo
profundo. E qualquer questão
não pode ser posta em dúvida
se é verdadeira ou não.

TRASÍMACO

Para Trasímaco, a Justiça
era a vantagem de quem
tem o poder, é mais forte.
E, desta forma, ele vem,
de uma forma grosseira,
“trocar” o mal pelo bem.

Pois este relativismo
absoluto levou
às grosseiras conclusões
a que Trasímaco chegou,
onde justifica a força
com todo o seu ardor.
...
Uma paradinha aqui.
Mas, prometo, voltarei
Noutro folheto, no qual
Com Sócrates começarei.
E verão que maravilha!
Eu o farei em setilha.
E, prometo, capricharei!!

Fim do primeiro folheto.

http://rosadocordel.blogspot.com/

http://aclccaruarucordel.blogspot.com/

http://jornaldecaruaru.wordpress.com/2010/05/04/2%C2%BA-concurso-de-literatura-de-cordel-%E2%80%9Ca-feira-de-caruaru-patrimonio-de-todos-nos%E2%80%9D/

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

CORDELISTA PARAIBANO FRANCISCO DINIZ

 

    

          Francisco Ferreira Filho Diniz, paraibano, sertanejo de Santa Helena, autor de mais de 60 folhetos, é professor de educação física da escola municipal Instituto São Marcus, em Santa Rita-PB e desenvolve um trabalho de valorização e divulgação do folheto de cordel nas escolas de Santa Rita, Bayeux, Cabedelo e João Pessoa desde o ano 2000. Através de palestras e oficinas expõe como produzir um texto observando a rima, a métrica e as estrofes em sextilha, setilha, décima e quadra. Já percorreu mais de 300 salas de aula com essa iniciativa, além de se apresentar em praças, feiras, teatros, bares, supermercados realizando exposições de literatura de cordel. Expõe os seus trabalhos e de seus parceiros desde 2001 no site da internet: http://literaturadecordel.vila.bol.com, que conta com uma média de 120 visitantes por dia. Gravou 3 cds nos anos de 2003, 2004 e 2006. Os cds são vendidos a preços populares e/ou trocados nas escolas por resmas de papel ofício/jornal/colorido para produção de folhetos, que são distribuídos, gratuitamente, em escolas públicas.
         Teve o projeto Literatura de Cordel na Escola aprovado pela lei estadual de incentivo à cultura em 2002 e, através deste projeto, distribuiu em 2003 uma coletânea de 20 folhetos, em parceria com Valentim Martins Quaresma Neto, para 189 escolas estaduais de João Pessoa e Santa Rita, além de 75 instituições culturais da Paraíba.
         Em 2007 conseguiu a aprovação do Projeto Cordel através do FMC- Fundo Municipal de Cultura - da Prefeitura de João Pessoa, para se apresentar em 48 escolas municipais com o grupo de música regional, composto de sanfona, gaita, 3 violões, zabumba, percussão em tubadoras e triângulo, fazer palestra sobre o cordel e distribuir gratuitamente, em cada escola, 500 folhetos de sua autoria, sendo 10 títulos diferentes e totalizando 24 mil exemplares. 
         Idealizador e coordenador da Tenda do Cordel, atração da festa de São João (de 23 a 29 de junho), realizada pela prefeitura de João Pessoa, que reuniu 17 cordelistas de João Pessoa, do interior da Paraíba, de Pernambuco, Ceará e São Paulo. Coordenador da Tenda do Cordel durante a Festa das Neves de 30 de julho a 05 de agosto e que reuniu mais de uma dezena de artistas populares.
          No ano de 2006 foi o vencedor do Prêmio Novos Autores Paraibanos pela Universidade Federal da Paraíba com o folheto de cordel: Quadrilha Junina. 
           Vejamos a seguir uns versos deste cordelista:

O QUE É LITERATURA DE CORDEL

Literatura de Cordel
É poesia popular,
É história contada em versos
Em estrofes a rimar,
Escrita em papel comum
Feita pra ler ou cantar.

A capa é em xilogravura,
Trabalho de artesão,
Que esculpe em madeira
Um desenho com ponção
Preparando a matriz
Pra fazer reprodução.

Mas pode ser um desenho,
Uma foto, uma pintura,
Cujo título, bem à mostra,
Resume a escritura.
É uma bela tradição,
Que exprime nossa cultura.

7 sílabas poéticas,
Cada verso deve ter
Pra ficar certo, bonito
E a métrica obedecer,
Pra evitar o pé quebrado
E a tradição manter.

Os folhetos de cordel,
Nas feiras eram vendidos,
Pendurados num cordão
Falando do acontecido,
De amor, luta e mistério,
De fé e do desassistido.

A minha literatura
De cordel é reflexão
Sobre a questão social
E orienta o cidadão
A valorizar a cultura
E também a educação.

Mas trata de outros temas:
Da luta do bem contra o mal,
Da crença do nosso povo,
Do hilário, coisa e tal
E você acha nas bancas
Por apenas um real.

O cordel é uma expressão
Da autêntica poesia
Do povo da minha terra
Que luta pra que um dia
Acabem a fome e miséria,
Haja paz e harmonia.

João Pessoa, Paraíba, Brasil

Fones: (83) 3243-6724 (83) 8862-8587 Site:
E-mail: literaturadecordel@bol.com.br
FONTE http://literaturadecordel.vila.bol.com.br/

quarta-feira, 26 de maio de 2010

CORDELISTA PARAIBANO JOSÉ DE SOUSA DANTAS

      José de Sousa Dantas nasceu em 21/11/1954, no sítio São João, em Pombal - Paraíba; engenheiro civil pela UFPB (1977), com mestrado pela Escola de Engenharia de São Carlos - SP (1980). Casado, pai de três filhas. Funcionário do Estado da Paraíba desde 1980, iniciado na Secretaria do Planejamento e, atualmente, assessor da Secretaria das Finanças. Poeta, escritor, autor do Livro “A História do Meu Lugar - Contos e Versos” (1998); coordenador da elaboração de livros e CDs da cultura popular e promovente dos encontros de poetas e repentistas, realizados em João Pessoa e Pombal.
       Tem elaborado vários poemas, alguns constantes das seguintes coletâneas: Anais do I Grande Encontro de Poetas e Repentistas em João Pessoa (1999); Uma Noite Estrelada de Poesia em Pombal (2000); A Fortuna do Repente (2000), VERSOS ITINERANTES (2001); NO MUNDO DA POESIA - Pombal Revive Cantando o que Leandro Sonhou (2001); Poetas Encantadores (Zé de Cazuza, 2001).
        Conquistou o primeiro lugar com o Poema “O Construtor da Poesia”, no VII Festival Sertanejo de Poesia (FESERP) - Prêmio Augusto dos Anjos, realizado em 18/12/1999, em Aparecida - PB.
Atualmente, continua elaborando poesias, colaborando com alguns sites.

         Vejamos alguns versos deste ilustre cordelista:

A minha INFÂNCIA dourada, os anos não trazem mais
José de Sousa Dantas, em 19/04/2005

Eu tenho grande saudade
do meu tempo de criança;
está na minha lembrança
a velha propriedade,
que mantém a identidade,
os seus costumes locais,
os modos, os rituais,
toda a tradição formada.
A minha infância dourada
os anos não trazem mais.

No meu tempo de criança,
no ambiente feliz,
me aliava aos guris,
colegas da vizinhança,
numa vida de bonança,
cheia de felicidade,
me divertia à vontade,
brincando com a meninada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Eu relembro quando eu ia
nos domingos visitar
as pessoas do lugar,
com meus pais na companhia,
era grande a alegria,
brincar nos meios rurais,
com meus amigos leais,
em cada nobre morada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Do alpendre da vivenda,
eu contemplava a beleza
da excelsa natureza,
as paisagens da fazenda.......
Eu me lembro da moenda,
das produções sazonais,
dos alfenins colossais,
da batida temperada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Eu tenho recordação
do tempo bom que se foi,
do velho carro de boi,
nossa melhor condução,
que cantava com o cocão,
nas estradas vicinais,
cujas notas musicais
advinham da toada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Corria pelo terreiro,
no meu cavalo de pau,
arrodeava o jirau,
seguindo pelo aceiro,
passando pelo barreiro,
espantando os animais,
de outros, corria atrás
até a mata fechada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

É belo ver o vaqueiro,
no seu cavalo montado,
cantando e tangendo o gado,
no campo, no tabuleiro,
transpondo despenhadeiro,
espinhos e cipoais,
garranchos e carrascais,
na condução da manada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

No período do inverno,
começando de janeiro,
eu curtia o tempo inteiro,
vendo a mudança de terno,
do campo verde e moderno,
no brilho dos vegetais,
das ervas e cereais,
fruto da terra molhada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Com a chegada da chuva,
de repente muda o clima,
o sertanejo se anima,
em todo canto há saúva,
sai canapu, como uva,
no aceiro dos currais,
no meio dos matagais,
na época da invernada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Tomava banho no rio,
no riacho e no açude,
naquele ambiente rude,
aconchegante e sadio,
ainda hoje aprecio
as riquezas naturais,
os mais belos visuais,
daquela terra sagrada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Nunca me sai da lembrança
a aurora, o nascer do sol,
aquele grato arrebol,
a brisa suave e mansa,
o orvalho da ervança,
o plantio nos quintais,
nas baixas, os arrozais,
e algodão, na lombada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Lembro-me da embuzada,
mel de abelha, rapadura,
a melancia madura,
mingau, cuscuz, maxixada,
arroz, feijão, carne assada,
comidas regionais,
os filhós, os mungunzás,
manteiga, queijo, coalhada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

O canto da acauã,
do rouxinol, do concriz,
seriema, codorniz,
juriti e jaçanã,
canário, maracanã,
rolinhas e sabiás,
graúnas e carcarás,......
com início na alvorada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Um canário cantador,
nas galhas da catingueira,
na linha da cumeeira,
que parecia um tenor,
gorjeando com fervor,
pelos pátios e currais,
descampados e frechais,
a partir da madrugada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Lembro quando procurava
ao redor de casa ninhos
dos alegres passarinhos,
alguns deles, encontrava,
muito contente eu ficava,
transparecendo demais
nos meus olhos os sinais,
pela aventura alcançada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Cacei ninho de galinha
e guiné, pelo aceiro
do terreiro e tabuleiro,
por perto dos pés de pinha,
de moita, de vassourinha,
por dentro dos capinzais,
das cercas, dos milharais,
e do lado da calçada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Lembro as flores de pereiro,
velame e mandacaru,
catingueira, cumaru,
de angico e marmeleiro,
de jurema e juazeiro,
dos diversos roseirais,
cor amarela, lilás,
branca, azul, verde e pintada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

A argolinha, o São João,
os contos, a cantoria,
o passeio, a pescaria,
as domingueiras, leilão,
o rosário, a procissão,
as atrações culturais,
as festas habituais,
casamento e farinhada,.....
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

De vez em quando me lembro,
das quadrilhas do São João,
mamulengo, apartação,
e aniversário em novembro,
as festas até dezembro,
nos diversos arraiais,
que são tradicionais,
cada uma é recordada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Toda área nordestina
mantém sua tradição,
faz a comemoração
da grande festa junina -
atraente e genuína,
com sanfoneiro tenaz,
e o forró nos satisfaz,
debaixo de uma latada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Tive uma infância ditosa,
modesta, rica, abundante,
divertida, fascinante,
atraente e prazerosa,
sadia, maravilhosa,
cheia de vigor e paz,
com lições fundamentais,
para a minha caminhada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Eu tive a felicidade
e a grata satisfação
de viver no meu sertão,
com fé e prosperidade;
depois vim para a cidade,
no meu tempo de rapaz,
cultivar meus ideais,
numa escola renomada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Estou morando distante
do lugar que fui criado,
mas meu pensamento alado,
com meu peito palpitante,
vai bater lá num instante,
para reviver assaz
os momentos principais
daquela fase passada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Quando relembro os momentos
do meu tempo de CRIANÇA,
o meu sonho de esperança,
mexe com meus sentimentos,
nas asas dos pensamentos,
viajo correndo atrás
dos dias iniciais
daquela fase adorada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Toda a minha trajetória
do meu tempo de INFÂNCIA
foi cheia de exuberância,
de esplendor e de glória;
reviver essa história
me anima e me apraz,
me fortalece e me faz
escrever essa balada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Quando chego no lugar
que nasci e fui criado,
fico emocionado,
dá vontade de ficar
mais tempo, pra desfrutar
das atrações matinais,
vespertinas e reais
de uma noite enluarada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

QUER VER MEU PEITO APERTAR,
ME FALE DO MEU SERTÃO !
Eu sinto forte emoção,
recordando o meu lugar -
meu berço nobre, exemplar,
não esquecerei jamais,
nesses versos pessoais,
minha paixão é notada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Fazendo comparação,
da minha INFÂNCIA querida
com minha forma de vida,
é grande a transformação;
me desperta a atenção
pra aqueles tempos atrás
e a minha memória traz
uma saudade danada !
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Quero sempre agradecer
a DEUS, pela minha vida,
a minha INFÂNCIA querida,
que me ajudou a vencer;
pelo que pude aprender
com as lições dos meus pais
e dos velhos ancestrais,
pra seguir minha jornada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.

Fonte texto: http://www.usinadeletras.com.br/exibelocurriculo.php?login=dantas
http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=8488&cat=Cordel&vinda=S

    Imagens
http://www.quatrocantos.com/clipart/bandeiras/bandeiras_dos_estados_brasileiros/paraiba.gif
http://1.bp.blogspot.com/_FhL94TPkgcY/SxuTcVnexBI/AAAAAAAAARM/mFXOmxOnnNo/s400/barbeiros_01.jpg

terça-feira, 25 de maio de 2010

CORDELISTA PERNAMBUCANO, RADICADO NA PARAÍBA, MARCO DI AURÉLIO

     (Texto extraído do site do cordelita)

       Gerado nas madornas de um Abril dos tempos. Gestado vagarosamente nas manhãs do mundo. Nascido sertanejo sob um céu de luz num Janeiro azul e ensolarado, solfeja em seus versos o que vem de dentro. Marcos Aurélio Gomes de Carvalho, filho de Aurélio e de Ester, por isso o “Marco di Aurélio”, nascido na cidade de Bodocó, alto sertão pernambucano, se entrega de corpo e alma à poesia nordestina. Hoje, no alto de sua idade mais propositiva, encarna um regionalismo nativista, sem radicalismos nem barreiras conservadoras. Flui do cordel ao soneto, do aboio à poesia moderna, das incelências aos musicais. Autor da primeira edição de literatura de cordel no sistema Braille no Brasil, transita pelas artes plásticas, pelo cinema, pela fotografia, pelos palcos e pelos contos.
         Se perde na vastidão da vida, vencendo porteiras e cercas de sua própria busca. Um nordestinado... Um ajuntador de palavras, um tangerino de sonhos...

Vejamos um cordel do autor:

AUTODIDATA

Sou apenas um poeta
de letras ajuntador
não completei a escola
me ocupei trabalhador
mas não sou ignorante
de leitura interessante
nisso sim me fiz doutor.

Um doutor de entender
da vida sua grandeza
do mundo e seus confins
do belo a realeza
da rosa em seu carmim
da pureza de um jardim
ultrapassando a beleza.

Um doutor de entender
que a vida pura e bela
é um céu azul e branco
é um sítio sem cancela
uma canção entoada
uma vida derramada
e a gente em cima dela

Um doutor de entender
que tudo que vai tem volta
de um bicho que se prende
de outro que assim se solta
no ciclo da inspiração
em sua respiração
que no mundo não se esgota.

De entender que o destino
parece querendo ser
uma coisa já traçada
aquilo que tem que haver
pois não existe uma praça
o seu ar a sua graça
se não houver um querer.

Portanto sei entender
que a vida que aqui se tem
o tudo que aqui se faz
se projeta muito além
não vivemos numa estrada
como rota já traçada
a vida não é um trem

É preciso se buscar
no meio do existir
em tudo que se pensar
no chorar ou no sorrir
que a vida é qual o vento
que povoa o firmamento
eternamente a fluir.

Toda cosmologia
tenta mas não explica
o teor de tudo ser
enfeita e até complica
a razão do seu querer
procurando conhecer
o tudo que multiplica.

Como toda vida é
um conjunto de ilusão
construída ela está
pelo pó em suspensão
e a cada sopro vai
se levanta e depois cai
em nova combinação.

Fonte texto: http://www.marcodiaurelio.com/marcodiaurelio.php
   Imagens
http://www.marcodiaurelio.com/imagens/marcodiaurelio.gif
http://www.achetudoeregiao.com.br/atr/bandeiras_do_brasil.gif/Bandeira_de_Pernambuco.jpg
http://www.englishexperts.com.br/wp-content/uploads/2008/10/autodidata-sozinho.jpg

segunda-feira, 24 de maio de 2010

CORDELISTA PARAIBANO VICENTE CAMPOS FILHO

 

       É paraibano natural de Patos e há cinco anos reside em João Pessoa. É autor de mais de três dezenas de cordéis. Vicente Campos Filho distribui os seus folhetos para comercialização nas diversas lojas especializadas em produtos para turistas da nossa capital e em bancas de revistas. Um destes cordéis em especial, segundo o autor, se destina à promoção da nossa cultura entre os que visitam a Paraíba. “O Dicionário de paraibês, (diz o autor) tem sido muito bem aceito entre os turistas que aqui chegam e que buscam informações sobre a cultura paraibana. Vários outros cordéis que tenho publicado são bem aceitos. Mas este tem superado as expectativas. Tanto turistas como nativos se deliciam com os termos apresentados”.

Leia abaixo algumas estrofes do "Dicionário de Paraibês":

(...)
Longe é a BAIXA DA ÉGUA
O ali é ACULÁ
Devagar é SÓ NA MANHA
Correr é DESIMBESTAR
O de cima é o de RIBA
Botar no chão é ARRIAR.

Mulher bonita é VISTOSA
Mulher feia é CANHÃO
Quem se zanga DÁ A GOTA
Quem dá bronca DÁ CARÃO
Menino que anda lento
OH... MENINO REMANCHÃO!

O otário é MANÉ
O malandro é MALAQUIA
Estar com pressa é AVEXADO
Dizer: “Vem logo” é “AVIA”
E quem se espanta com algo
Diz assim: “AFF MARIA!”.

Caprichar é DAR O GRAU
Mal feito é ARRUMAÇÃO
O que é bom é ARRETADO
O medroso é CAGÃO
Pessoa boa é FILÉ
E puxa saco é BABÃO.

                                                (…)

                 Contatos: (83) 88398020 -(83) 9919397

                     Fonte: http://vicentecamposfilho.blogspot.com/

Imagems: http://www.clickpb.com.br/artigos/sendtmp/2009/20091107103420/paraibes_grande.jpg http://3.bp.blogspot.com/_-0c3_-VE0M8/Sz8heWOEBPI/AAAAAAAAAiQ/nmpACX6U-ZY/s400/Vicente+Campos+Filho.jpg

domingo, 23 de maio de 2010

REPENTISTAS GERALDO AMÂNCIO E VALDIR TELES

        Que poesia maravilhosa! É realmente sensacional! O Brasil não sabe o que perde ao esquecer a Verdadeira Cultura: esta a qual vais assistir.

Fonte:  http://www.youtube.com/watch?v=t682gpn2fGE

CORDELISTA PARAIBANA ROSINALVA APARECIDA MARTINS DE OLIVEIRA

   festa de Santa Luzia 2009 003

     Rosinalva Aparecida Martins de Oliveira é natural de Picuí PB. É graduada em história pela Universidade Federal de Campina Grande e aluna especial do mestrado na linha de cultura e cidade da mesma universidade. É professora de história nas redes estadual no município de Picuí e no município de Cuité. Desenvolve pesquisas nas áreas de lazer e tem alguns projetos, principalmente no ensino fundamental, direcionados para o cordel.
          Email:
rosinalvaoliveira@gmail.com

(informações cedidas pela própria cordelista)

    O cordel da autora ,abaixo, foi publicado  no site do Jornal Mundo Jovem e extraído de lá por nós.

“O SABER AUTORIZADO E O SABER POPULAR”

            

O saber autorizado, 
É o saber instituído
É o que tem credibilidade,
porque é bem entendido.
É como diz o ditado:
Quem sabe, sabe!
E tá tudo resolvido...

O saber popular
Não pode ser desprezado
Tem que ser reconhecido, 
E muito valorizado
São conhecimentos antigos
Que devem ser preservados.

O homem que estudou,
É muito bem respeitado
Seja juiz, promotor,
Doutor ou advogado
Ele é representante
Do saber autorizado.

Mesmo não sendo legítimo,
Mas é uma forma de saber
É preciso preservar,
para poder compreender
O povo sabe das coisas.
Muita gente é quem não quer ver.

As letras são importantes,
Porque traz informação
Quem nunca foi à escola,
Não sabe de nada não
Para relatar um fato,
Tem que ter comprovação.

Isso não é verdade, 
É preciso se dizer
Nem sempre na história,
Tudo tem que escrever 
A oralidade é importante,
Basta compreender.

O doutor diz a doença
Que o paciente tem, 
O juiz diz a sentença,
Livra ou condena alguém
Isso só é possível
Pelo saber que ele tem!

 Rosinalva Aparecida Martins de Oliveira 

            cordel: http://www.pucrs.br/mj/poema-cordel-46.php

        Imagens 
http://processos.maringa.pr.gov.br/sistema_maringa/adm/imagens/gd_2212convitemusica9.jpg            http://www.jesuitas-pi.com.br/home/service/dim//articlefiles/287-cordel.jpg
http://www.quatrocantos.com/clipart/bandeiras/bandeiras_dos_estados_brasileiros/paraiba.gif

sábado, 22 de maio de 2010

MATE AS SAUDADES DOS ANOS DE OURO DO FORRÓ MASTRUZ COM LEITE

OUÇA E CANTE A MÚSICA NAMORO NA FAZENDA

(Para ouvir clique 1° botão da esq. p/ direita)

Mastruz com Leite Volume II Álbum: “Coisa Nossa”

Quando eu fui morar lá na fazenda, meu pai queria que eu fosse fazendeiro,
Um dia lá na sombra da jurema, eu conheci a filha do vaqueiro...
Uma menina de cabelos compridos, sorriso lindo com os olhos de sereia,
Ela ficou no meu pensamento e foi aí que eu me apaixonei 2x

Um dia lá na água do açude fui tomar banho e ela apareceu,
Sozinha numa noite de lua, e foi aí que tudo aconteceu,
Seu pai descobriu o nosso namoro e foi aquele tere - tetê
O velho não queria nosso casamento, e mesmo assim com ela me casei
(O velho não queria nosso casamento, e mesmo assim com ela me casei)

Um dia lá na água do açude...

Fonte:  http://letras.terra.com.br/mastruz-com-leite/335908/

BLOG ‘CORDEL PARAÍBA’ HOMENAGEIA (CIBER)CORDELISTAS PARAIBANOS OU RESIDENTES NA PARAÍBA

CIBER-CORDEL

Por Manoel Belizario

         A internet está cada dia mais repleta de sites, blogs, perfis e comunidades de site de relacionamento, etc., abordando o tema Literatura de Cordel. Isto é muito bom porque o cordel é uma opção cultural extremamente rica em oposição ao lixo cultural que polui o espaço cibernético a todo milésimo de segundo em proporções inimagináveis . Esta nova forma de conceber a Literatura em destaque é chamada pela universidade de cibercordel. (Veja texto acadêmico a respeito do assunto link: http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/9/90/GT8-_08-_Ciber-Cordel_-_Diogenes.pdf).
        Passeando pelo Google podemos encontrar diversos cibercordéis da autoria de cibercordelistas paraibanos. Esta semana vamos homenagear alguns destes escritores de nosso estado (ou residentes na Paraíba) que buscam a internet como meio de expressão e divulgação de suas poesias. Quase todas as informações postadas são  da internet. Portanto pedimos aos leitores que, caso conheçam os cordelistas destacados - cujos dados a respeito na internet são mínimos - nos enviem o contato dos mesmos e assim podermos enriquecer o conteúdo postado.

Imagem: Montagem feita por nós a partir das imagens encontradas nos links abaixo

http://pensotopia.com.br/wp-content/uploads/2009/11/cordeis_ABLC.jpghttp://www.blogtec.com.br/fotos/2009/03/computador-amazon-pc-e7400-com-core-2-duo-28ghz.jpg

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Problemas no blog Cordel Paraíba

         Amigos, o blog Cordel Paraíba está enfrentando nesta semana um problema muito sério: escrevemos certo e o blog posta errado. Por isso cancelamos a edição desta semana: “homenagem ao cibercordelistas paraibanos ou residentes na Paraíba”. Temos feito o possível para solucionar tal problema. O ‘Dr. Google’ infelizmente ajudou muito pouco. Porém com as poucas orientações dele resolvemos fazer o seguinte:

  • Voltamos para o editor antigo;
  • Inscrevemos nosso blog no Windows Live Writer e estamos postando a partir dele ou a partir do próprio recurso para postagem em blog do Word 2007.

        Estamos repassando estas dicas para os blogueiros que acaso estejam passando ou venham a passar por estes transtornos. Pelo que vemos tal problema é novo – já que o Google não informa muita coisa a respeito.

sábado, 15 de maio de 2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

CANTE CONOSCO A CANÇÃO A TRISTE PARTIDA

 A TRISTE PARTIDA - PATATIVA DO ASSARÉ


Meu Deus, meu Deus
Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz

Ai, ai, ai, ai

A treze do mês
Ele fez experiênça
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal

Ai, ai, ai, ai

Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois barra não tem

Ai, ai, ai, ai

Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"

Ai, ai, ai, ai

Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Sinhô São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé

Ai, ai, ai, ai

Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nóis vamo a São Paulo
Viver ou morrer

Ai, ai, ai, ai

Nóis vamo a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Ai pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar

Ai, ai, ai, ai

E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem

Ai, ai, ai, ai

Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrívi
Que tudo devora
Ai,lhe bota pra fora
Da terra natal

Ai, ai, ai, ai

O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar

Ai, ai, ai, ai

No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Com seu filho choroso
Iscrama a dizer

Ai, ai, ai, ai

De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer

Ai, ai, ai, ai

E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou

Ai, ai, ai, ai
E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo e azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos fio pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul

Ai, ai, ai, ai

Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Percura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão

Ai, ai, ai, ai

Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar

Ai, ai, ai, ai

Se arguma notíça
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade de móio
E as água nos óio
Começa a cair

Ai, ai, ai, ai

Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não

Ai, ai, ai, ai

Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
A lama e o paú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul

Ai, ai, ai, ai

Fonte música: http://luiz-gonzaga.letrasdasmusicas.com.br/a-triste-partida-letra.html

quinta-feira, 13 de maio de 2010

OBRAS E PRÊMIOS DE PATATIVA DO ASSARÉ


LIVROS DE POESIA

1967 - Inspiração Nordestina: Cantos do Patativa;


1978 - Cante Lá que Eu Canto Cá;


1988 - Ispinho e Fulô (2005);


1991 - Balceiro. Patativa e Outros Poetas de Assaré (Org. com Geraldo Gonçalves de Alencar)


1993 - Cordéis (caixa com 13 folhetos);


1994 - Aqui Tem Coisa (2004);


2000 - Biblioteca de Cordel: Patativa do Assaré (Org. Sylvie Debs);


2001 - Digo e Não Peço Segredo (Org. Guirlanda de Castro e Danielli de Bernardi);


2001 - Balceiro 2. Patativa e Outros Poetas de Assaré (Org. Geraldo Gonçalves de Alencar);


2001 - Ao pé da mesa (co-autoria com Geraldo Gonçalves de Alencar);


2002 - Antologia Poética (Org. Gilmar de Carvalho);


2008 - Cordéis e Outros Poemas (Org. Gilmar de Carvalho).



POEMAS

A Triste Partida;


Cante Lá que eu Canto Cá;


Coisas do Rio de Janeiro;


Meu Protesto;


Mote/Glosas;


Peixe;


O Poeta da Roça;


Apelo dum Agricultor;


Se Existe Inferno;


Vaca estrela e Boi Fubá;


Você se Lembra?;


Vou Vorá.

TÍTULOS E PRÊMIOS

1979 - Homenageado pela programação cultural do encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, em Fortaleza;


1982 - Recebe o diploma de “Amigo da Cultura”, outorgado pela Secretaria da Cultura do Estado, pela “decidida atuação a favor do aprimoramento cultural do Ceará”;


1982 - Cidadão de Fortaleza, título aprovado pela Câmara Municipal;


1987 - Recebe a “Medalha da Abolição”, pelos “relevantes serviços prestados ao Estado”;


1989 - Cariri Ceará - Doutor Honoris Causa pela Universidade Regional de Cariri;


1989 - Inauguração da rodovia “Patativa do Assaré”, com 17 km, ligando Assaré a Antonina do Norte


1991 - Enredo da Escola Acadêmicos do Samba, de Fortaleza;


1995 - Fortaleza, Ceará - Prêmio do Ministério da Cultura na categoria Cultura Popular entregue pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso no Teatro José de Alencar;


1998 - Recebe, dia 22 de maio, a “Medalha Francisco Gonçalves de Aguiar”, do Governo do Estado do Ceará, outorgada pela Secretaria de Recursos Hídricos;


1999 - Assaré, Ceará - Inauguração do Memorial Patativa do Assaré;


1999 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual do Ceará - UECE;


1999 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará - UFC;


1999 - Prêmio Unipaz, VII Congresso Holístico Brasileiro, Fortaleza, dia 20 de outubro;


2000 - Na festa dos 91 anos, recebe o título de Cidadão do Rio Grande do Norte;


2000 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade Tiradentes, de Sergipe;


2001 - Terceiro colocado na eleição do “Cearense do Século”, promovido pelo Sistema Verdes Mares de Comunicação (o vencedor foi Padre Cícero);


2001 - Recebe o troféu “Sereia de Ouro”, do Grupo Edson Queiroz, no Memorial Patativa do Assaré, dia 28 de setembro;


2002 - Prêmio FIEC, "Artista do Turismo Cearense", Fortaleza;


2003 - Prêmio UniPaz, V Congresso Holístico de Crianças e Jovens, Fortaleza;


2005 - Inauguração da "Biblioteca Pública Patativa do Assaré", Piauí;


2004 - Título EFESO "Cidadão Empreendedor"(Escola de Formação de Empreendedores Sociais);


2004 - Troféu MST (Homenageado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra);


2005 - Homenageado com Medalha Ambientalista Joaquim Feitosa;


2005 - Inauguração da "Biblioteca Pública Patativa do Assaré", Vila Nova, Piauí;


2005 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade (?), Mossoró, Rio Grande do Norte.

Texto: Wikipedia
Imagem: http://www.cultura.mg.gov.br/arquivos/SuplementoLiterario/Image/sl-abel-tareco-patativa_materia(1).jpg