CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

PESSOÁ VORTO IN BREVI

 

EU SÃO JOÃO

Ei amigos volto em breve

Com postagens no Cordel

Paraíba. Eu vos peço

Desculpem o Manoel.

Belizario, volto logo

Às rimas de menestrel.

Pronto, pra ser mais preciso:

Volto semana que vem

Com poemas sobre a copa.

Por isso peço: ninguém

Deixe de olhar o blog.

Deus nos abençoe. Amém!

terça-feira, 15 de junho de 2010

TRIBUTO AO SÍTIO OITIS (LOCAL DE MEU NASCIMENTO)

Tinha a casa de Pai Véi.
O meu avô Zé Parente.
Tinha a casa dos Lacerda,
Amarela e imponente.
A de Nequinho e a tapera 
Onde residia a gente.
 

 

 

A terra era de João Nunes.
As pedras e o ar também.
Para mim, pequeno infante,
Não pertencia a ninguém.
Só a Deus de quem é tudo
Que este planeta tem.

 

A memória me resguarda
Vários lugares marcantes.
Sítio Oitis você se lembra
Daquela bela vazante
Que Pai Véi plantou à beira
Do rio mais importante?

Sítio Oitis você se lembra
Do grande pé de cajá
No terreiro de Nequim,
E do açude a sangrar?
Da gente pescando peixe
Nas grotas com landuá? 

Sítio Oitis você se lembra
Daquele roceiro Abílio
E sua esposa Maria
Com sua ruma de filho
Subindo e descendo serra
Plantando roça de milho?

 

Sítio Oitis você se lembra
Daquela santa Maria
Lacerda que em teu caminhos
Deus a enviou um dia
Para recitar seus terços
E rezas com alegria?

 

 

 

Sítio Oitis talvez não lembres.
Acho que estás esquecido.
Acho não: tenho certeza.
Nada disso: ressentido.
Por termos te abandonado.
Revejo tudo caído.

 

 

 

A casa de meu Pai Véi
E outra onde fui criança
Caíram, porém estão
De pé em minha lembrança.
Todo dia passo nelas.
São valorosas heranças.

 

 

Assim como as sensações
Do chover à cor do vento.
Todas tem espaço vip
Nos reinos do pensamento.
Meu honrado sítio Oitis
Este humilde verso fiz
Contra teu esquecimento.

Autor: Manoel Messias Belizario Neto

Imagens: Google Imagens

segunda-feira, 14 de junho de 2010

COLÉGIO BERNARDINO BENTO

 

 

 

 

 

 

Primeiro peço desculpas
Acaso eu venha esquecer
De algum educador
Que me ensinara a aprender
No colégio Bernardino
Grande fonte do saber.

 

Neste verso homenageio
Os mestres grandes amantes
Do conhecimento e que
Tornaram interessante
Minha breve adolescência.
Minha vida de estudante.

 

 

No Bernardino cursei
O ensino fundamental
De 5ª a oitava série
Uma fase especial.
Já o meu ensino médio
Cursei no Lídia Cabral.

No Berna estudei com Nida,
Onélio e Maria Barbosa,
Fátima Soares e ainda,
Com  a Maria Pedrosa,
Maria Maia e Erenilda
Que me ensinou o que é ‘prosa’.

Ainda estudei com Tica
Viana e com Françuá.
Com Kilma, Creofe e Bozana
Que costumava falar
“Até tu Brutus”, se alguém
Começasse a bagunçar.
 

 

 

Com Pretinha e com Laurita
E outra Maria: a Duarte.
Estudei com dona ‘G’
Na disciplina de Artes.
Foi nesta escola que li
Sobre o Pedro Malasartes.

Neste tempo era Madrinha
Aglahé  a diretora.
Marinalda era ‘faz tudo’:
Secretária, inspetora.
Ás vezes a gente achava
Que ela era supervisora.

Alguns dos fatos marcantes:
Palestras, apresentações,
Gincanas, cantar o hino
Ante as comemorações.
Parodiando Roberto:
“Foram tantas emoções!”.

Mas uma lembrança forte
Me vem é da ‘delegada’.
Falo de Fátima Soares
Assim ela era chamada
Por nós porque a mulher
Não tinha medo de nada.
 

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Mas o nome ‘delegada’
Foi dado na ocasião
Em que a 8ª série
Trabalhou pra excursão.
Este apelido quem deu
Foi o amigo Gilsão. 

Na turma da excursão
Era uma farra danada:
Armava barraca em festa,
Em carnaval, vaquejada.
Olhe eu não me esqueço nunca
Daquela turma animada.

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Sem falar na excursão.
A festa maior ainda:
Ficamos mais de três dias
Na cidade de Olinda.
A gente saiu de lá
Até Itamaracá,
Porto de Galinhas, mar,
João Pessoa, capitá.
Meus amigos vou parar
Senão o verso não finda.

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Autor: Manoel Messias Belizario Neto

Fonte Imagens: Google; Orkuts de Damião Alfredo e Leninha

e acervo pessoal do autor

sábado, 12 de junho de 2010

SÍTIO LAJES: A CAPITAL DE AGUIAR

lajes 2

Os outros sítios perdoem.
Por favor, não levem a mal.
Porém lhes peço acordem.
Vamos cair na real.
O Aguiar sempre teve
A Laje por capital.

lajes 1

A Laje é a capital
Por puro destinamento.
Você que é de outro sítio
Leia o verso, fique atento.
Veja porque é que a Laje
Ganhou tal merecimento.

A Laje antes de nascida
Já fora predestinada
Por Deus a dar de beber
A quem cruzasse sua estrada.
Profetas gritavam isto
Pelas ruas, nas calçadas.

lajes 3

“Eis que virá uma Laje,
São Francisco de Aguiar,
Que diante de outros sítios
Ela se destacará
E esta sede indigesta
Para sempre matará.

Eis que vira uma Laje
Onde haverá água e mel.
Quando ela nascer da terra
Parecerá mais o céu.
Ela banirá a sede
E seu legado cruel.”

lajes 4

Como ocorreu com Noé
O povo descreditava.
Ficava tudo mangando
Quando o profeta passava.
Apesar do povo incréu
Ele não desanimava.

No ano de mil e nove
Centos e oitenta e seis
A Laje se tornou mar
E a profecia se fez
Cumprida expulsando a sede
Do Aguiar de uma vez.

lajes 5

Pois aquele açude vasto
Tinha maná saboroso.
Águas azuis cristalinas.
Chamaram-no Frutuoso.
A sede não tem mais vez
Em seu terreno arenoso.

Criou-se uma praia imensa
Em torno daquele mar.
Sua beleza atraiu
Gente de todo lugar.
Pessoas do mundo inteiro
Vêm a ele se banhar.

lajes 6

Porque a água do açude
Da laje é abençoada.
Frei Damião tomou banho
Nele numa madrugada.
Por isso com sua água
Toda doença é curada.

Diga se existe outro sítio
Que tem um açude santo.
Cujas serras que o rodeiam
Têm pedra cheia de encanto.
História igual a da Laje
Ninguém conta noutro canto.

Qual é o paraibano
Que não sonha conhecer
A capital de Aguiar,
A Laje, quero dizer.
Quem não visitou a Laje
Não sabe o bom do viver.

lajes 7

Autor: Manoel Messias Belizario Neto

Imagens: Google Maps

quinta-feira, 10 de junho de 2010

RECORDANDO O AGUIAR: MINHA TERRA NATAL

Do Aguiar me recordo10891764[1]
Muito da Rua do Rio.                 
Brincávamos nas caieiras
Em todo o tempo de estio
De polícia e de bandido.
Quando lembro até sorrio
.
 

     

 

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Em Aguiar me recordo
Do meu avô Zé Parente
Que me acolheu em seu lar
Me ajudando a ser gente.
Deus o tenha em sua luz
Celestial permanente.

 

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Em Aguiar me recordo
Da Igreja e da pracinha.
Os casais de namorado
Se agarrando à noitinha.
A gente girando nela
Querendo uma paquerinha. 

 

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Da bela Igreja Matriz.
Ali  perto de Deus Pai
Posso dizer ‘fui feliz’
Nas graças do padroeiro
E de São Francisco de Assis.

 

 

Do Aguiar me recordo OgAAADLZtBUpoVz-SEuuuLm6Pjf_7clEsafkUrNCMPdo702l2pF1iePUkaMfrzPOFVMoLAHRx6_yFkkiYnnXF87VUxwAm1T1UAvf2c0uaPW3b8Od8VFyXSxMPO1N[1]
Das festas de São João.
Na Laje fogueira acesa.
Gente soltando rojão
Tomando fogueira alheia
Numa imensa diversão.

 

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Do Aguiar me recordo
Bem do Bernardino Bento
Que proporcionou a mim
Alguns melhores momentos
De minha vida escolar
Bons amigos fiz por lá.
Bebi do saber sedento.

 

Do Aguiar me recordo 
Também do Lídia Cabral http2.bp.blogspot.com_RbVbhg7RGdcSdv4O9vhr4IAAAAAAAAAAMmN7DHj2QxIks320ESCOLA%2520BEMVINDO%5B1%5D.jpg
Onde cursei o ensino
Médio e foi tão legal!
Com o ensino de lá
Passei no vestibular
E vim para a capital.

 

 

 

httpwww.overmundo.com.bruploadsbancomultiplas1256780008_sertao.jpgO Aguiar traz à tona
Diversas recordações.
Principalmente das brenhas,
Córregos e ribeirões..
A caatinga ressequida.
A veste pura e bendita 
Que revestem os sertões.

 

 httpwww.ferias.tur.bradmincidades4849g_p_aguiar.jpg

Aguiar terra bendita 
Onde nasci e cresci:
Como faz a maioria
Um dia também parti.
Às vezes vem nostalgia,
A saudade contagia,
Porém não me arrependi. 

 

httpwww.jonatasrodrigo.comwp-contentuploads200912Sert%C3%A3o3.jpg 

 Aguiar Terra bendita
Tão bonita de se ver,
Mas como todo o sertão
Ruim para pobre viver.
A seca, a necessidade,
A pouca oportunidade
Me afastou de você.

Porém tudo o que vivi 
Fica sempre na memória.
Cravado no coração.
Faz parte da minha história.
A qual perpassa meu ser
Seja na queda ou na glória.

Cópia de Cópia de AGUIAR 1 

Autor: Manoel Messias Belizario Neto

Fonte imagens: Google imagens, Google Maps e Orkut dos amigos Leninha e Damião Alfredo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

HOMENAGEANDO À TERRA NATAL DE MANOEL BELIZARIO: AGUIAR-PB

       

   Você que acompanha o Cordel Paraíba não perca os versos desta semana em homenagem à terra natal do cordelista autor e administrador deste blog, Manoel Belizario. Imperdível, a partir de amanhã.

Imagem: http://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/10890711.jpg

sábado, 5 de junho de 2010

Cordelista paraibano póstumo APOLÔNIO ALVES DOS SANTOS

       paraiba[1]      cruz[1]

            APOLÔNIO ALVES DOS SANTOS nasceu em Serraria, PB, aos 20 de setembro de 1926. Em seus documentos, no entanto, consta como nascido em Guarabira-PB, cidade para onde foi levado e onde foi criado desde a infância por seus pais, Francisco Alves dos Santos e Antonia Maria da Conceição. Começou a escrever folhetos aos vinte anos. Seu primeiro romance foi Maria Cara de Pau e o Príncipe Gregoriano, que, não podendo publicar, vendeu a José Alves Pontes, lá mesmo em Guarabira. A venda se efetuou em 1948, mas o romance só foi impresso no ano deguinte. Em 1950, tentando melhorar de vida, foi para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na construção civil como pedreiro ladrilheiro, e, em 1960, foi trabalhar na construção de Brasília, mas sempre escrevendo e vendendo seus folhetos. É dessa época sua obra A construção de Brasília e sua inauguração, que se esgotou pouco tempo depois de publicada. Em 1961, logo após a inauguração de Brasília, voltou ao Rio de Janeiro. Passou os últimos anos em Guarabira, Paraíba, vindo a falecer em 1998, em Campina Grande. já escreveu cerca de 120 folhetos, sendo os principais : O herói João Canguçu, Façanhas de Lampião. O aventureiro do Norte, Epitácio e Marina, O pau de arara valente, O pistoleiro da vila, Olegário e Albertina entre o crime e o amor e O noivo falso engenheiro.
Folhetos lançados pela Editora Luzeiro : A moça que se casou 14 vezes e continuou donzela, A morte de Leandro : saudades, O herói João Canguçu.

Vejamos um cordel deste autor:

Discussão do Carioca com o Pau-de-Arara

Já que sou simples poeta
poesia é meu escudo
com ela é que me defendo
já que não tive outro estudo
vou mostrar para o leitor
que o poeta escritor
vive pesquisando tudo

Certo dia feriado
sendo o primeiro do mês
fui tomar uma cerveja
no bar de um português
lá assisti uma cena
agora pego na pena
para contar pra vocês

Quando eu estava sentado
chegou nessa ocasião
um velho pernambucano
daqueles lá do sertão
com a maior ligeireza
foi se sentando na mesa
pediu uma refeição

O português logo trouxe
um prato grande sortido
o nortista vendo aquilo
ficou logo enfurecido
com um gesto carrancudo
começou mexendo tudo
depois falou constrangido

Patrício não leve a mal
nem me queira achar ruim
toda espécie de comida
que você tem é assim?
desculpe minha expressão
mas a sua refeição
não vai servir para mim

Nesta hora o português
ficou zangado também
lhe respondeu ora bola
donde é que você vem?
difamando deste jeito
me diga qual o defeito
que esta comida tem?

O nortista disse eu sofro
um ataque entistinal
a carne está quase podre
o arroz tem muito sal
o feijão está azedo
de comer eu tenho medo
que pode me fazer mal

— O meu estômago não dá
pra receber este entulho
prefiro morrer de fome
mas não como este basculho
pois comendo sei que morro
lá no norte nem cachorro
não come todo bagulho

O português respondeu
você é péssimo freguês
vá embora e faz favor
não vir aqui outra vez
mas antes tem que pagar
não posso lhe perdoar
a desfeita que me fez

O nortista disse eu pago
que isto não me embaraça
para você não pensar
que eu vim comer de graça
mas o nortista de nome
embora morra de fome
mas não come esta desgraça

Acontece que ali
se achava um carioca
disse ele só conhece
farinha de mandioca
todo nortista poeira
só gosta de macacheira
girimum e tapioca

Disse o nortista é porisso
que o nordestino é forçoso
porque no meu velho norte
se come pirão gostoso
com farinha de mandioca
aqui só dá carioca
doente tuberculoso

C. — Respondeu o carioca
não queira tanto agravar
seu nordeste é muito bom
mas lá ninguém quer ficar
deixou lá seu pé de serra
e veio pra minha terra
para poder escapar

N. — Aqui também me pertence
o nortista respondeu
eu sou nato brasileiro
o Brasil é todo meu
o homem precisa andar
para poder desfrutar
do país onde nasceu

C. — O carioca rompeu
nordestino é curioso
além de ter olho grande
é demais ambicioso
chega aqui se amaloca
na terra do carioca
doente tuberculoso

N. — Disse o nortista é porque
nosso Rio de Janeiro
precisa do nordestino
pois é um povo ordeiro
pra quem derrama suor
aqui no Rio é melhor
para se ganhar dinheiro

C. — Mas no Rio de Janeiro
tem operário de sobra
não precisa nordestino
vir aqui fazer manobra
nordestino é atrevido
aqui já é conhecido
por camondonga de obra

N. — Você me diz isso tudo
pra me desclassificar
mas aqui as companhias
preferem mais empregar
os nordestinos que vem
pois carioca não tem
coragem de trabalhar

C. — É porque o carioca
gosta da civilidade
não é defeito ninguém
viver da facilidade
pois ninguém não é cavalo
pra viver criando calo
sem haver necessidade

N. — O carioca só gosta
de viver da malandragem
do jogo e da bebedeira
do vício e da vadiagem
porisso o país da gente
não pode ir para a frente
por causa da pilantragem

C. — O carioca está certo
pensando assim pensa bem
o carioca não gosta
de ser sujeito a ninguém
nem dá valor a operário
que só vive do salário
luta muito e nada tem

N. — Já eu penso diferente
você precisa entender
que nosso mundo é composto
de tudo precisa ter
se não fosse o operário
o rico milionário
como podia viver?

C. — Mas o nortista trabalha
porque é muito uzurario
tem alguém que vem pra qui
mas lá é proprietário
pois devido a ambição
enfrenta até fundação
com os olhos no salário

N. — É porque o nordestino
é um homem acostumado
a só viver do trabalho
não ignora o pesado
não é como o carioca
que só vive da fofoca
da malandragem e do fado

C. — Tinha graça o carioca
se misturar com cimento
como faz o nordestino
que chega ficar cinzento
carioca só procura
um emprego que figura
moral e comportamento

N. — Não é todo carioca
que tem a capacidade
de assumir um emprego
de alta dignidade
precisa de estudar
para assumir um lugar
de responsabilidade

C. — Você aí está certo
o estudo está na frente
porque o mundo ficou
para o mais inteligente
assim diz quem for ativo
o operário é cativo
num país independente

N. — Pois eu gosto do trabalho
e vivo sempre disposto
pois o homem que trabalha
a Jesus dá grande gosto
porque Deus disse a Adão
hás de ganhar o teu pão
com o suor do teu rosto

C. — Então você é Adão
que veio do paraíso
faça lá o que quiser
que de você não preciso
nem vou na sua maloca
porque sou um carioca
que honro o chão onde piso

N. — Nem de você eu preciso
que você é fracassado
pelos traços já se vê
que você é pé rapado
e quem fala deste jeito
só pode ser um sujeito
ignorante atrasado

C. — Disse o carioca eu vivo
com minha alma tristonha
vou embora para onde
o nordestino nem sonha
vou esconder minha cara
para este pau-de-arara
não me matar de vergonha

FIM

Fonte biografia: http://recantodasletras.uol.com.br/cordel/1482607

Fonte cordel: site da ABLC

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Cordelista paraibano José Costa Leite

paraiba[1]

Por Everardo Ramos (site da ABLC)

       José Costa Leite nasceu em 27 de julho de 1927, em Sapé (Paraíba). Diz que nunca freqüentou a escola, tendo aprendido a ler soletrando folhetos de cordel. Em 1938, muda-se com a família para Pernambuco, fixando residência em Condado, cidade onde mora até hoje. Ainda criança, trabalha nas plantações de cana-de-açúcar e faz seus primeiros versos imitando o cordel. Em 1947, começa a vender folhetos nas feiras do interior e, em 1949, publica seus primeiros títulos: Eduardo e Alzira e Discussão de José Costa com Manuel Vicente. Logo em seguida, improvisa-se xilógrafo, gravando na madeira a imagem que ilustra seu terceiro título, O rapaz que virou bode. Torna-se, assim, um profissional polivalente, exercendo todas as atividades ligadas à literatura popular: é poeta, editor, ilustrador e continua a vender folhetos, de feira em feira.

      Autor de clássicos

          Verseja sobre praticamente todos os temas do cordel, sendo o autor de clássicos como A Carta misteriosa do Padre Cícero Romão Batista, O dicionário do amor e Os dez mandamentos, o Pai Nosso e o Credo dos cachaceiros. Além das histórias em verso, publica anualmente o Calendário Brasileiro, almanaque astrológico de 16 páginas contendo diversos conselhos práticos, de grande sucesso junto ao público. Denomina sua folhetaria A Voz da Poesia Nordestina. Em 1976, recebe o Prêmio Leandro Gomes de Barros, da Universidade Regional do Nordeste (Campina Grande), pelo conjunto de sua obra, talvez a mais extensa da literatura de cordel brasileira, em número de títulos.

                                         Obras de arte

         Suas xilogravuras ilustram inúmeros folhetos – seus e de outros poetas – e ganham status de obra de arte a partir dos anos 1960, quando passam a ser publicadas em álbuns e expostas em museus, no Brasil e no exterior: em 2005, José Costa Leite é o convidado especial de uma exposição realizada no Musée du Dessin et de l’Estampe Originale de Gravelines (França), onde também dá ateliês de xilogravura. Ao completar 80 anos, em 2007, foi homenageado na Paraíba, juntamente com o escritor Ariano Suassuna, e recebe o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, reconhecimento máximo de um artista de múltiplos talentos, que fez da poesia e da beleza a matéria-prima de seu labor. As informações sobre José Costa Leite constam em entrevistas dadas a Everardo Ramos nos anos de 2000, 2005 e 2008.

         Vejamos um cordel deste poeta:

A Véia Debaixo da Cama e a Perna Cabeluda

Eu não posso está parado
que a poesia me chama
para distração do povo
vou descrever mais um drama
da perna preta cabeluda
que encontrou carrancuda
a véia debaixo da cama

A véia debaixo da cama
criava um diabo dum rato
um leão e um jumento
um porco, um bode e um gato
um cachorro que ladrava
e um macaco que chiava
nunca vi bicho tão chato

A zuada era medonha
pois o bode bodejava
o leão soltava esturros
e o jumento rinchava
na meia noite sombria
quando o cachorro latia
o porco também roncava

A véia dormia pouco
tratando da bicharada
porque debaixo da cama
a zuada era danada
então a véia dizia:
- Tanto bem que te queria
e vai se acabar tudo em nada

O povo chamava ela
a véia Zefa Beiçuda
apesar de ser coroa
inda era boazuda
e o pior aconteceu
quando um dia apareceu
a perna preta cabeluda

Pois a perna cabeluda
em São Lourenço apareceu
e o Jornal do Comércio
toda reportagem deu
à TV Globo anunciou
e todo rádio citou
como foi que aconteceu.

De São Lourenço a Tiuma
e de Peixinho a Olinda
ela tem feito desordens
porém quem não viu ainda
diz até que é mentira
porém a notícia gira
e não sei quando se finda

Outro dia em Paudalho
na hora que o trem vinha
a perna preta apareceu
mesmo com toda morrinha
a perna já afobada
deu uma grande pesada
que o trem saltou da linha

Correu atrás dum sujeito
que voltava dum forró
ele viu a perna preta
e correu de fazer dó
a perna cabeluda e feia
correu quase légua e meia
atrás, no seu mocotó

Marieta em Rio Doce
muito nome feio chama
com a perna cabeluda
e foi dormir com a ama
a meia-noite Marieta
avistou a perna preta
deitada na sua cama

Zé Soares no Recife
viu a perna cabeluda
em Água Fria e saiu
numa carreira raçuda
mas a perna disse assim:
- Meu filho, espere por mim
porque eu sou boazuda

Palito lá em Olinda
por ser um pouco descrente
disse que era mentira
em sonho viu calmamente
a perna lhe aparecer
e todo instante ele ver
a perna em sua frente

Zé de Souza em São Lourenço
saiu de manhã bem cedo
para apanhar o ônibus
debaixo dum arvoredo
a perna lhe apareceu
e Zé Souza correu
todo assustado com medo

João Vicente Emiliano
viu a perna na carreira
de Vitória a Gravatá
como quem vai pra pesqueira
um vaqueiro em Orobó
vendo uma perna só
mergulhou na capoeira

Dizem que em Limoeiro
a velha Maria Duda
vive toda arrepiada
que chega ficou beiçuda
ela contou a vizinha
que sonhou a noite todinha
com a perna cabeluda

Dizem que a perna é
da parte de satanás
e vive andando no mundo
para perturbar a paz
e do sujeito desordeiro
mentiroso, arruaceiro
ela vive sempre atrás

A perna cabeluda vive
todo instante e toda hora
atrás da moça que anda
com o umbigo de fora
pois a perna cabeluda
vendo uma moça peituda
nunca mais que ir embora

A perna cabeluda gosta
de sujeito cabeludo
e do cabra que fala fino
mulher galheira e xifrudo
Quem anda fora de hora
com a perna preta agora
vai desertar quase tudo

A véia debaixo da cama
chamada Zefa Beiçuda
criando a bicharada
feia, parecendo um "juda"
quando ela saiu fora
e encontrou-se na hora
com a perna cabeluda

Quando a véia viu a perna
quis correr não pode mais
a véia saiu na carreira
e a perna correu atrás
e quando a véia entrou
em casa, a perna chegou
pior do que satanás

A perna falou pra velha:
- Se apronte que é hora
de você pagar-me tudo
que fez por aí afora
disse a velha beiçuda:
- Nem de perna cabeluda
eu estou gostando agora

Disse a perna cabeluda
– Você vai quebrar no beco
a minha parada é dura
eu sou irmã de Pacheco
você correndo eu lhe pego
hoje aqui a volta é prego
e o ponche é nabo seco

A véia beiçuda disse:
- Em você não tenho fé
vou lhe mostrar quem eu sou
pra saber vece que é
e a perna cabeluda
partiu pra Zefa Beiçuda
dando coice e pontapé

A véia caiu no chão
e a perna se danou
dando pesada em tudo
todos os bichos soltou
o macaco fez carreira
danou-se na capoeira
nunca mais voltou

O cachorro pegou latir
e o burro pegou rinchar
enquanto o gato miava
o porco danou se a roncar
e véia Zefa Beiçuda
vendo a perna cabeluda
sua cama revirar

A cama virou com tudo
ficando os "cacos" no chão
e a perna cabeluda
deu um coice no leão
enquanto a véia chamava
a cobra qu’ela criava
para entrar em ação

A cobra mordeu o porco
ela saltou muito além
a cobra estava com raiva
mordeu a véia também
a véia Zefa Beiçuda
viu a perna cabeluda
correndo igualmente o trem

A véia Zefa Beiçuda
morreu debaixo da cama
e a perna cabeluda
aonde alguém não lhe chama
chega sem ser esperada
já foi vista na estrada
perto de Tuparetama

E o cabra que for chifrudo
cuidado, muito cuidado
a perna cabeluda gosta
do cabra que é veado
pra lhe dar um contra-tempo
e lhe servir de exemplo
do que é bom está guardado

E o ditado que diz
leve a trouxa pra lavar
de olho na boutique dela
e quem quiser palestrar
namorando o filho da véia
brincando bilu tetéia
vai ver a perna chegar

A maior parte do povo
tudo que deseja faz
vive fazendo do mundo
os gostos de satanás
hoje só há perdição
ódio, inveja e perdição
o mundo não presta mais

Deus Eterno e Poderoso
daí-me vossa proteção
para ver se o povo sai
da vala de perdição
daqui para o fim da era
nada de bom se espera
por causa da corrução

Vamos pedir proteção
a Nossa Senhora das Dores
e a Jesus Nazareno
que é Pastor dos pastores
estamos no fim do mundo
só Deus pode num segundo
defender os pecadores

Com esta santa oração
O satanás afastamos
Sem ter nenhum medo vamos
Todos entrar em ação
A virgem da Conceição
Lhe pedir com viva fé
E na matriz do Canindé
Implorar a São Francisoco
Ter confiança sem risco
Em Jesus, Maria e José.

FIM

Fontes:

Textos:http://www.ablc.com.br/historia/hist_cordelistas.htm

http://www.ablc.com.br/popups/cordeldavez/cordeldavez022.htm

Imagem: http://www.interpoetica.com/imagens/jose_costa_leite1.jpg

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Cordelista paraibano Eloi Firmino de Melo

        O poeta Eloi Firmino de Melo é natural de Sapé/PB. Procedente do meio rural, desde cedo habituou-se a ler folhetos de literatura cordel. Com bastante dificuldade fez o curso primário, e o Exame de Admissão só aos l9 anos. Cursou Letras pela Universidade Federal de Pernambuco. Lecionou Língua Portuguesa, Francês e Inglês. Traduziu vários ensaios de Críica Literária de autores americanos. Após a aposentadoria como auditor fiscal, resolveu radicar-se em João Pessoa/PB. Publicou seu livro de poesias "chuvas de uma estação tardia" em setembro de 2007. Tem dois livros de poesia esperando publicação: "Outras Estações" e "Caatinga brava". Gosta de escrever versos na linguagem do Cordel, especialmente pelejas. Seu endereço eletrônico é eloifirminomelo@yahoo.com.br .

Vejamos a seguir um cordel da autoria deste poeta:

LAMPIÃO DANÇA
O XAXADO

Baraúna:
Com veia lírica da boa
Eu vou contar minha história
Do tempo em que fui morar
Na cidade de Vitória;
Lá me aconteceu um fato
Que me fez um candidato
Ao bom pedestal da glória.

É que eu fui dar um passeio
Lá pela periferia
Quando avistei um sujeito
Que de uma moita saía
Com um trabuco na mão,
Vestindo calça e gibão
Em pleno sol de meio dia.

Eu achei muito engraçado
Aquela roupa tão quente
De couro de boi curtido
Debaixo de um sol ardente.
Pensei que fosse um vadio
Por ali sentindo frio
Porque estivesse doente.

Eu disse: moço, tá doido,
Onde encontrou frio assim
Pra se vestir desse jeito?
Coitado será de mim;
Se o frio que o senhor tem
Chegar para mim também
Já sei que será meu fim.

Lampião:
Não me venha com lorota,
Seu cara de fruta-pão!
É bom ir me respeitando
Porque eu sou Lampião.
Eu venho pela caatinga
Com a mão valente que vinga
A injustiça no sertão.

Baraúna:
Com esse chapéu de couro
E esse gibão rasgado?
Esse trabuco vencido
De gatilho enferrujado?
Homem, deixe de parola!
Só não lhe dou uma esmola
Porque meu bolso é furado.

Aí Lampião zangou-se,
Puxou do bolso um apito;
Botou na boca e soprou
Que mais parecia um grito.
Vi tanto cabra saindo
Do mato e se reunindo
Que parecia o Maldito.

Primeiro, mandou um cabra
Que era assim do meu tamanho
Mais sujo do que o porco
Na lama em que toma banho.
Enquanto ele me encarava
Os urubus encostavam
Por causa do cheiro estranho.

A luta demorou pouco
Porque lhe dei um sopapo
O cabra subiu no ar
E foi cair feito um sapo
Com cinco metros distante;
Eu disse: cabra, levante
Antes que lhe sangre o papo.

Aí o chefe escolheu
Outro do seu escalão;
Apliquei-lhe uma rasteira
Deixei o bicho no chão;
Parecia até um rodo
Pois eu derrubava a todos
Os cabras de Lampião.

Lampião:
Chega de tanta moleza!
Que já estou aborrecido;
Eu jamais tinha encontrado
Um homem tão destemido;
Se estiver desempregado,
Já pode ser contratado
Para trabalhar comigo.

Baraúna:
Eu não vou ser contratado
Por nenhum cabra de peia;
Primeiro eu quero botar
Toda corja na cadeia;
Deixar pra sempre acertado,
Que não quero cabra armado
Nos rincões da terra alheia.

Lampião:
Mas pra isso, Seu Cabrinha,
Tem que montar no meu ombro;
Não tenho medo da morte
E nunca vi mal-assombro;
Sujeito do seu quilate,
Quando o meu chicote bate,
Deixa buracos no lombo.

Baraúna:
Você está muito enganado
Ao pisar na minha terra;
Devia nem ter saído
Da loca escura da serra;
Aqui quando o cancão pia
Nego perde a luz do dia,
Que bom cabrito não berra.

Narrador:
Nisso partiram pra briga
Ligeiros que só um gato;
O cangaceiro pulando
As moitas verdes do mato;
Mas quando ele se abaixava
Baraúna o acertava
Com a sola do seu sapato.

A poeira ia cobrindo
E a terra ficando escura;
Baraúna disse: agüente
Que aqui a parada é dura!
E o sol talvez com medo
Nesse dia se pôs cedo
Por causa dessa bravura.

Desceram ladeira abaixo
Pela mata de jurema;
O corpo todo furado,
Feito tela de urupema;
Pois ele tinha o gibão,
Baraúna pelo chão
Minorava o seu problema.

Baraúna:
Chegando à beira do açude,
Eu me vi aperreado;
O cangaceiro com sorte
Me deixou encurralado;
Agora, cabra, me deixe
Forrar a mesa dos peixes
Pra você ser devorado.

Aconteceu uma coisa
Muito estranha, pelo visto:
Andei por cima das águas
Feito os discípulos de Cristo.
Lampião fez a careta
De quem diz: é o Capeta
Querendo ver se eu desisto.

Ao chegar do outro lado,
Eu falei pro adversário:
Vou botar mais uma conta
No cordão do seu rosário;
Quero ver você rezando,
Arrependido e chorando
Na capela do vigário.

Lampião:
Isso jamais acontece
Porque já sou vacinado.
Quem atira não me acerta,
As balas passam de lado;
Cangaceiro que se preza,
Não necessita de reza
Por ter o corpo fechado.

Baraúna:
Já estava ficando escuro
Quando mudei meu baião;
Fiz que lhe daria um soco,
Ele aparou com o facão;
Foi quando me deu na teia
De sacudir muita areia
Nos olhos de Lampião.

Narrador:
Com aquela nova estratégia
Deixou-o desnorteado,
Rodando que só pião,
Pulando pra todo lado;
Disse: vôte, te arrenego!
Além do meu olho cego,
O outro desmantelado.

Lampião:
Quanto murro já levei
Que vejo estrelas na lua;
Mais um chute na canela
Que furou feito uma pua;
Desse jeito estou rendido,
Pro homem mais destemido
Que já viveu nesta rua.

Quem já viu valente assim
Com tanta disposição?
Eu aqui todo equipado
De punhal, rifle e facão,
Lutando de igual pra igual
Com um poderoso rival
Que só usa os pés e as mãos.

Baraúna:
Você não viu nem um terço
Do que meu braço é capaz;
É programação genética
Que vem dos meus ancestrais;
Descendentes verdadeiros
Dos antigos cavaleiros
Dos tempos medievais.

Narrador:
Nisso chegou a polícia,
O sargento e o delegado
Que algemaram os cangaceiros
Cabisbaixos, derrotados.
Foi mandado um telegrama,
Contando a bravura e a fama
Pro governador do Estado.

Mas antes de serem presos
Foram levados pra praça;
Para dançar o xaxado
E o povo assistir de graça;
E a partir desse instante
Nunca mais houve um levante
E nem qualquer ameaça.

Baraúna:
Todo mundo se espantou
Com esse acontecimento,
E foi logo construído
Para mim um monumento;
Porém como eu sou modesto
Não vou nem contar o resto
Das conseqüências do evento.

Parece até pabulagem
Falar assim desse jeito;
Mas quem quiser comprovar
É só falar com o Prefeito;
Foi ali que ganhei fama,
Hoje eu me deito na cama
Só recordando os meus feitos.

Narrador:
Mas a inveja é irmã da raiva
E tia-avó da ganância;
A preguiça por seu turno
É sua amiga de infância;
Olho-gordo faz cautela
Porém é parente dela,
Embora um pouco à distância.

Foi por causa dessa inveja,
Em razão do seu prestígio,
Que a mão do mal, escondida,
Agiu sem causar litígio;
De noite veio um coiteiro
Que soltou os cangaceiros
Sem deixar qualquer vestígio.

Quando Lampião chegou
Na sua caatinga brava,
Mandou de volta um recado
Dizendo que só esperava
A vez de lhe dar o troco
Daquele triste sufoco
Que o desqualificava.

Baraúna:
Passado já tanto tempo
Eu nunca mais vi o homem;
Nem mesmo nas luas cheias
Na forma de lobisomem;
Pois como diz o ditado:
Formigas do meu roçado
Já sabem a roça que comem.

Fontes textos: http://www.usinadeletras.com.br/exibelocurriculo.php?login=EloiMelo

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=11515&cat=Cordel&vinda=S

Imagem: http://www.overmundo.com.br/uploads/overblog/multiplas/1223405430_800pxbandeira_da_paraiba.svg_1.jpg