CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CORDELISTA LILIAN MAIAL

          Lílian Maial é médica, nascida na cidade do Rio de Janeiro (onde vive) e escreve desde que se entende por gente. Tem um livro solo (publicado em 2000) intitulado "Enfim, renasci", além de participação em dezenas de antologias e sites na Internet. Participa também de algumas revistas eletrônicas, como cronista. Organizou uma Antologia de Poetrix recentemente publicada pela OnLine Book (www.onlinebook.com.br). É afiliada da REBRA (Rede de Escritoras Brasileiras), da ABRALI e do Portal CEN (Ponte Brasil-Portugal).
Maiores informações, entrar em contato: lilianmt@globo.com
ou através dos sites: www.lilianmaial.prosaeverso.com e www.lilianmaial.portalcen.org ou www.rebra.org

AS ÁGUAS LAVAM A TERRA E LEVAM GRANDE TESOURO
®Lílian Maial

 

Todo ano, quando chove,
fica na boca esse gosto,
um medo expresso no rosto,
pavor de tudo o que move.
É o fim que não se aprove
uma lei no ano vindouro!
É preciso um suadouro
pra acabá com quem emperra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Os homi num toma jeito ,
faz obra em tudo que é canto,
e nada lhes causa espanto,
nem mesmo tal desrespeito.
Os homi malsatisfeito
constrói casa e atracadouro,
como se fosse calouro
deflagrando grande guerra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Eu num posso acreditá
num tremendo despautério,
inté causo de adultério
se arresorve sem matá,
intão, praquê martratá
a terra – bem duradouro -
incitando o atoladouro
e todo o mal que se encerra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

A natureza num pensa
no que pode acontecê,
é fresquinha, igual bebê,
num faz nada por ofensa,
e nem busca recompensa,
quando cria um tragadouro,
se num tem um vertedouro,
faz caminho inté sem serra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Não se pode construí
nas encosta sem parede,
em muro não se põe rede,
sob risco de caí,
e pras água destruí,
num carece muito estouro,
basta que esse logradouro
arranque aquilo que emperra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Na virada de ano novo,
nesse tar de reveião,
o céu mandou os trovão,
pramodi assustá o povo.
Mas a cantiga do corvo,
passarim de mau agouro,
fez tremê o ancoradouro,
sob o solo a vida encerra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

As família sem seus fio,
sem o teto e sem futuro,
choram lágrimas no escuro,
num lamento tão sombrio,
de provocá calafrio,
perdê tudim e sem louro.
De repente, o escoadouro
da vida e tudo se ferra:
as águas lavam a terra
e levam grande tesouro .

Peço força pr’eles tudo,
muita luz, muita corage,
que essa vida é só passage,
que esse mundo é cabeludo.
Mesmo pra quem tem estudo,
quem tem grana, quem tem ouro,
nada disso amansa o touro,
quando a dor no peito berra:
as águas lavam a terra

e levam grande tesouro .

**************

Textos: 1, 2

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

FICHA LIMPA


Autor: José de Sousa Dantas

A CGU promoveu
uma campanha arrojada,
de FICHA LIMPA, chamada,
que o Brasil, percorreu,
e assinaturas, colheu,
levou o projeto a frente
pra sanção do Presidente,
para ser avaliado
quem foi SUJO no passado
e quer ser LIMPO no presente !

Se o projeto não passar
pra valer nessa eleição,
existe a outra opção
do eleitor se amparar,
de escolher e votar,
de maneira consciente,
em candidato decente,
sensato, honesto e honrado,
que foi LIMPO no passado
e continua no presente.

No dia da eleição
dê o voto a candidato
que seja LIMPO de fato
e tenha boa intenção
de cumprir sua missão,
de agir corretamente,
com ficha LIMPA, evidente,
para que seja votado,
que foi LIMPO no passado
e continua no presente.

Com seu estilo de vida,
mantém-se digno e honrado,
virtuoso e respeitado,
cumprindo com sua lida,
segue de cabeça erguida,
confiante e transparente,
numa atititude decente
e um caráter bem formado,
que foi LIMPO no passado
e continua no presente.

A cada trabalho feito,
sente-se realizado,
forte e entusiasmado,
inspirado e satisfeito,
que aumenta o seu conceito
e a fama, certamente,
provando ser competente,
seguro e determinado,
que foi LIMPO no passado
e continua no presente.

Pela sua atividade
e a contribuição,
dá um banho de lição
para toda a humanidade,
mantendo a dignidade,
o prestígio e a patente
de um conceito excelente,
por todos admirado,
que foi LIMPO no passado
e continua no presente.

Fontes: texto e imagem

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA DE CORDEL NA PARAÍBA

          No próximo dia 21 de agosto, a ABLC, Academia Brasileira de Literatura de Cordel, entidade cultural permanente, sediada no Rio de Janeiro, fundada em 1988, que abriga no seu quadro de Acadêmicos e Beneméritos, os mais ilustres e representativos escritores e admiradores desta genuína expressão literária da Língua Portuguesa, realizará sua Plenária de agosto na Capital Paraibana, no Teatro Santa Rosa – Praça Pedro Américo – Centro, a partir das 15:00h.

          Apoiada pelo dinamismo e revitalização que vem sendo implantada, a sua nova Diretoria estabeleceu que a Plenária de agosto, que é um encontro mensal de avaliações e congraçamentos do seu quadro, será realizada na cidade João Pessoa, na Paraíba, por ser berço de expressivos e atuantes cordelistas, e também para empossar os três novos Acadêmicos eleitos, que são os poetas, João Dantas, Beto Brito e José Walter Pires.

        João Dantas – JOÃO CRISÓSTOMO MOREIRA DANTAS, nasceu em janeiro do ano de 1954, no município de Nova Palmeira, antigo distrito de Picuí, no estado da Paraíba. É ator, autor e diretor teatral, produtor musical e poeta popular, compositor e pesquisador do folclore nordestino, radialista filiado a Associação Campinense de Imprensa e Associação Paraibana de Imprensa. Atualmente ocupa o cargo de Vereador 2004/2008. JOÃO DANTAS é casado há 35 anos com a Srª. Janete Dantas, com quem tem cinco filhos e cinco netos.

Beto Brito – Rabequeiro-nordestino, cordelista-brasileiro, cresceu no meio das feiras livres no interior do Piauí, Santo Antonio de Lisboa, cidade onde nasceu – ano de 1962 e viveu até o início de sua adolescência. Aos doze anos mudou-se para Picos, onde continuou sua vida de vendedor ambulante na feira do Mercado Central. Neste período teve a oportunidade de conviver com violeiros, cegos, repentista, mágicos, trapaceiros, romeiros, ciganos, malandros, coquistas, emboladores e vendedores ambulantes daquela região. Com dezessete anos resolveu buscar os sonhos da música e da literatura, deixou a cidade de Picos e foi morar em Fortaleza, Recife, São Luis, Teresina e, por fim a Paraíba. Encostou e fez morada neste último Estado, onde reside e desenvolve sua arte.

José Walter Pires – Baiano de Ituaçu  e atualmente residente de Brumado, no Sudeste da Bahia. Sociólogo, Advogado, Educador e Poeta. Atuante e participativo membro das atividades socioculturais da sua Cidade e Estado. Um produtor e escritor incansável de livretos de Literatura de Cordel. Com diversos títulos publicados, sobre temas diversos, incluindo o folclore, fatos cotidianos, históricos, políticos, ambientais, governamentais, educativos, sendo estes o seu principal foco. Acaba de publicar em Literatura de cordel, “A história da Ordem dos Advogados de Brasil”, “Justiça sem burocracia” e “Código de Defesa do Consumidor”.

          Esta Plenária contará com as presenças do Presidente e do Diretor Cultural da Instituição, Poetas Gonçalo Ferreira da Silva e Chico Salles respectivamente, alem dos demais membros da ABLC, notadamente os Acadêmicos residentes no Nordeste: Crispiniano Neto, Klévisson Viana, Sávio Pinheiro, Arievaldo Viana, Manoel Monteiro, Bule Bule, José Maria de Fortaleza, João Firmino Cabral e Pedro Costa. Estarão presentes, também à comitiva com Acadêmicos do Rio de janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Destacando-se aí os Poetas: Mestre Azulão, Moreira de Acopiara, Sepalo Campelo, Madrinha Mena, Cícero Pedro de Assis, Antonio Araújo Campinense, Ivamberto Albuquerque Oliveira, João Batista de Melo, Maria Rosário Pinto, Fernando Silva Assumpção, Marcus Lucenna e Olegário Alfredo.

         Nesta plenária serão homenageados com a Medalha Comemorativa de 22 anos da ABLC, estes gigantes personagens da Cultura Popular Nordestina, os ilustres paraibanos José Neumanne Pinto, Oliveira de Panelas, Os Nonatos, Chico César, Vital Farias, Bráulio Tavares e o baiano Moraes Moreira.

         A expectativa da Direção da ABLC, para esta segunda Plenária anual a se realizar fora da sua sede no Rio de Janeiro, é de total sucesso, devido à experiência da Plenária de 2009, realizada em Fortaleza – CE. Pretende-se também, tornar parte das suas Plenárias anuais, itinerante realizando-as de maneira rotativa em outros estados, notadamente nos estados que tenham parte do seu quadro Acadêmico residente, e nos estados que ofereçam apoio e infra-estrutura indispensáveis para a realização do evento.

         O evento será realizado para o Corpo Acadêmico presente e seus convidados. Será também aberto ao público, que receberá senha 30 min antes do início da Plenária, pois o auditório do Teatro Santa Rosa, dispõe de 420 lugares. ENTRADA FRANCA.

“NESTE ANO A LITERATURA DE CORDEL SERÁ TOMABA PELO IPHAN, COMO PATRIMÔNIO E BEM IMATERIAL DO POVO BRASILEIRO”.

Fonte Blog do Fredinho

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

PEDAÇOS DE SILÊNCIO

Este silêncio noturno
Esconde a nau da saudade
Que atraca no cais da memória
Logo o porto-peito invade
A certeza que o passado
Perdeu-se na tempestade.

Vai silêncio buscar longe
Lá nas águas do passado
Minha ilusão perdida
Na infância do roçado.
Meus açudes minhas grotas
O meu aboio, meu gado.

 

 

Dorme casinha de taipa,
Casinha da liberdade...
Caiu no meio real
Estás em pé de verdade
Nos pedestais da lembrança
No labutar da saudade.

 

Dorme pequeno casebre
Dorme em meu coração.
Tuas paredes de barro
De poucos chamam atenção
Só de mim q sou teu dono
Q te ergui neste sertão.

 

 

Dorme Lages, Sítio Lages,
Dorme nesta escuridão...
No lugar onde habitei
Sei que só resta o torrão
De minha casa de taipa
Tristonha na solidão...

Manoel Messias Belizario Neto on twitter

Imagens
http://portalcabo.com.br/wp-content/uploads/2009/09/silencio-do-Portal-Cabo.jpg
http://jornale.com.br/wicca/wp-content/uploads/2010/02/fuseli-silencio4.jpg
http://4.bp.blogspot.com/_lFO5mc2cFio/SkyyTX9kv8I/AAAAAAAAAKk/cwINnDZxhyI/s400/Luar%2520Da%2525%5B1%5D.jpg
http://2.bp.blogspot.com/_isj1e9_Vr_4/RxVlBBGqtvI/AAAAAAAAABo/Sv6dpGbo7Do/S692/DSCF0923.JPG

domingo, 15 de agosto de 2010

VISÃO DO ‘STF’ SOBRE A LEI FICHA LIMPA

AUTORA: SALETE MARIA

Um grupo de três mulheres
(Samira, Tonha e Francisca)
Metendo suas colheres
Nossa Justiça belisca
Num debate educativo
Em tom interpretativo
Jurisprudência rabisca

Samira é professora
De direito eleitoral
Tonha é agricultora
E Francisca vende jornal
No Teatro Cordelírio
Onde folheto é colírio
Pra lente multifocal

É um trio de brasileiras
Que vive honestamente
Pois seu suor paga a feira
Que fazem quinzenalmente
Além de imposto demais
Pagam luz, saúde e gás
Água, escola e absorvente

Por isso o seu interesse
Na política do país
Que num dia como esse
Pode estar por um triz
Se o povo não se envolver
Não lutar, não resolver
Da questão, o velho X

Assim começa a história
- da conversa feminina -
Na casa de Olga Vitória
Tetraneta de Ursulina
Onde a decisão final
Vai circular no jornal
Ficha Limpa da Esquina

Samira então é chamada
Por suas grandes amigas
Para matar a xarada
E resolver uma intriga
Elas querem entender
Pra depois dar parecer
Sobre essa questão antiga

Para melhor entender
O caminhar da conversa
Em vez do nome dizer
A inicial é imersa
E ao longo de toda fala
Uma letrinha intercala
A opinião expressa:

T:
Cumade tu que entende
Das lei de nosso país
De tudo tu compreende
E cunhece na raiz
Exprique, por caridade
Cum toda sinceridade
O que o Ficha Limpa diz

F:
Nós desejamos saber
O que no rádio tá dando
É tanto teretetê
Na tevê tão comentando:
Ficha limpa, ficha suja
E nós com medo que surja
Um deles nos enganando

T:
Já preguntei para Joana
Zefa, Socorro e João
Gulora, Tica e Ana
Dedé e Sebastião
Eles também quer saber
Purisso peço a você
Resolva esta confusão

F:
Diga a nós de modo claro
Sem muito floreamento
Nem palavreado raro
Carregado de acento
Fale como num cordel
Tire de pressa esse véu
Faça um esclarecimento

S:
Vejam bem, nobres comadres
Não há nada complicado
Pra muitas autoridades
Isto é fato consumado
Pois a Lei Complementar
Veio pra moralizar
Protegendo o eleitorado

S:
Trata-se de um projeto
Que o povo mesmo criou
Um movimento correto
Que no Brasil se espalhou
Contra a corrupção
Que em toda eleição
A melhor sempre levou

S:
Por isto os cidadãos
Que honram nosso país
Pelas suas próprias mãos
Rascunharam a matriz
Desta lei tão importante
Que de agora em diante
Faz de nós todos juiz

S:
Foram um milhão e meio
Ou mais, de assinaturas
Pois a lei nasceu do seio
De quem estava à altura
De propor transformação
Pra esta grande nação
Pra deixá-la mais segura

T:
Apois então na verdade
O sentido dessa lei
Num vem duma faculdade
Nem dos código q'eu não sei
Vem da vontade das ruas
Da minha, dela e da tua
Conforme imaginei...

F:
É isso mesmo Toinha
Não é só doutor quem sabe
Tu não come com farinha
Discurso de autoridade
Inda mais nos nossos dias
Onde a democracia
Não tolera iniquidade

T:
Eu bem que desconfiei
Pois qual era o deputado
Que criaria uma lei
Para ele ser julgado?
E o povo ficar sabendo
O que eles andam fazendo
Com o voto dos desgraçado

F:
Mas deixe ela dizer
Um pouco mais para nós
Vamos nos esclarecer
Pra poder falar após
Quero ficar inteirada
Completamente informada
Para soltar minha voz

S:
Por esta lei o político
Vai ter que andar na linha
Sem usar de artificio
Como antes lhe convinha
Só pensando em se dar bem
Sem se importar com ninguém
Fazendo sua boquinha

F:
E agora o trapaceiro
Venal e espertalhão
Que se apossou do dinheiro
Do povo desta nação
Formando sua quadrilha
Nas eleições já não brilha
E nem merece perdão?

S:
Pois se já foi condenado
Por um grupo de juízes
Que declarou comprovado
Crimes de todos matizes
Contra a Constituição
Como poderá, então
Querer esconder deslizes?

S:
Se pela administração
Pública, não tem respeito
Se em cada eleição
Costuma fazer mal feito
Se praticou o racismo
Patrocinou escravismo
Como pode ser eleito?

S:
E se cometeu tortura
Sozinho ou em quadrilha
Se abusou da estrutura
Para si ou para a filha
Se droga financiou
Ou com ela se juntou
Na res pública não trilha

S:
Se não tem a Ficha Limpa
Por que daremos poder?
Se o eleitor garimpa
Quem poderá merecer
Seu voto de confiança
E também sua esperança
Pra ver o Brasil crescer

S:
Ter Ficha Limpa é preciso
Para se candidatar
É o primeiro aviso
Para a história mudar
Pois um país que se preza
Não dá poder a quem lesa
A Lei Maior do lugar

S:
Eis, então, minha comadre
O ''espírito da lei''
Aquele que nos invade
E faz do pobre um rei
Pois sua dignidade
É a principal qualidade
Que em sua ficha (a)notei

T:
Vixe Maria e é isto
Que o tal Ficha Limpa quer?
Que a gente passe um visto
E também meta a cuié?
Pra num tê mais um ladrão
No poder desta nação
Seja ele homi ou muié?

T:
Apois eu tô intendeno
Tudim que tu ixplicô
E parece q'eu tô vendo
A cara de meu avô
Quando dizia assim:
Cambada de gente ruim
Meu voto a vocês num dô!

S:
Exatamente, querida
É disto que estou falando
Quando a ficha é conhecida
Bandido não tem comando
Evita-se mensalão
E se faz a prevenção
Que abrevia o desmando

T:
Agora tem um pobrema
Que você num comentô
No meio dessa novena
Quem carrega o andô?
Pru quê nois vimo falá
Que já tem juiz que dá
Direito aos chei de cocô

T:
Pois mesmo sendo a lei boa
E vindo para arrumá
Tirá lama da lagoa
E o chêro de gambá
Eu tô vendo uns errado
Mesmo sendo condenado
Pedino pra nóis votá

T:
Dizem que tem uns juiz
Mais maió do que o zôto
Que deixa os disinfiliz
Darem pra lei um cotôco
Mangando da lei alvinha
Que depois de manchadinha
Nem mesmo sabão côco!

F:
Mas antes que tu responda
Eu começo a matutar
Sinto que essa lei já ronda
Pras bandas do Ceará
Aqui já tem um magote
Que antes passava trote
Querendo nos enganar

T:
Mei mundo de sugismundo
Emporcalhava o poder
Dava uns golpe tão profundo
Fazeno o povo perdê
Mas com fé no Padim Ciço
Os que não tem compromisso
Nunca mais vão se elegê

T:
Bom mesmo era se tudim
Num pente fino passasse
Os que pegaram um jatim
E foram sem nem disfarse
Passear pelas Oropa
Comprando pano de copa
Pra sogra, muié e crasse

F:
E os que encheram cuecas
Com dinheiro de montão?
Ou que pegaram molecas
Para prostituição?
Estes aí tão limpados?
Bonitos, engravatados
No vigor da eleição?

S:
Calma, calma minha gente
A coisa já tá mudando
A vitória do presente
Há muito vem se formando
Foi dado o primeiro passo
Compremos régua e compasso
E vamos tudo traçando

S:
Como eu disse, esta norma
Nasceu no meio do povo
Pouco a pouco ela forma
Uma visão para o novo
Muda o olhar do jurista
E nos faz crer na conquista
Tal qual o pinto no ovo

S:
Cada um de nós podemos
Dar a contribuição
Somos nós quem elegemos
Temos o poder nas mãos
Expurguemos fichas sujas
Sanguessugas e corujas
Predadores da nação

F:
É isso mesmo colega
To com você e não abro
É o povo quem delega
O poder ao deputado
Senador e presidente
E o Governador da gente
Tem que ser limpo e honrado

S:
E se assim a gente quer
Então juntos nós podemos
Que a Justiça dê fé
E todos nós celebremos
O futuro desta terra
Pode ser feito sem guerra
Contanto que opinemos

S, T, F:

O nosso S. T. F.
Formado por cidadãs
Que não conhece benesses
Nem teoria alemã
Entende que pro Brasil
O Ficha Limpa surgiu
Pra esperança não ser vã!

Fonte texto: Blog Cordelirando

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sábado, 14 de agosto de 2010

MEU SERTÃO SERTANEJO

E aí cabras da peste,
Twiteiros de valor,
Vocês conhecem o sertão?
Vcs conhecem o sabor,
De um pôr-de-sol sertanejo
Da caatinga sem flor?

Vcs já viram as veredas
Q atravessam o sertão?
Parecem mais as artérias
Q enlaçam meu coração
Pisadas pela saudade.
Um gado sem compaixão...

Quem não conhece o sertão
Não sabe o q está perdendo.
É ele a inspiração
Deste q está escrevendo.
Moro nesta capital
Mas é lá q estou vivendo.

Na terrinha sertaneja
Nós somos fauna e flora.
O humano se confunde
Com o florescer da aurora.
Ser bucólico e sereno
É a relva q vigora.

Manoel Messias Belizario Neto

(ontem  no twitter, siga @cordelparaiba)

Imagem: http://lh5.ggpht.com/vantaspaint/R87FfcWBIWI/AAAAAAAAAuM/x5c2ufODfcw/s400/caatinga%25201%5B1%5D.jpg

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CORDEL COM O QUAL PARTICIPEI DO 2° CONCURSO DE LITERATURA DE CORDEL DE CARUARU

 

      No mês de maio de 2010 participei do concurso de Literatura de Cordel de Caruaru. Não fiquei entre os classificados. Tenho consciência de que sou apenas um peixinho em meio aos grandes mestres das rimas de cordel com dezenas de anos de experiência. Mas como sou teimoso estou sempre participando destes concursos. Não só pelos prêmios, mas principalmente para melhorar meu potencial enquanto cordelista como  também para prestigiar os projetos voltados para a Literatura de Cordel. Literatura esta que (embora muitos afirmem que não) está gradativamente caindo no esquecimento daqueles que a ‘inventaram’: o povo. O tema do concurso foi “Feira de Caruaru: Patrimônio de Todos Nós”. Apresento-lhe os versos os quais enviei ao concurso:

O CASAMENTO DA FEIRA DA FEIRA DE CARUARU COM O POVO BRASILEIRO

Estribado, mão-de-vaca
Vendedor fixo e ambulante,
Empresário, sacoleiro,
Camelô, negociante,
Quase todo dia vão
Presentear sua amante.

A feira por sua vez
Oferece com paixão,
Aquela parafernália
Narrada por Gonzagão,
Ao feirante por quem sempre
Bate forte o coração.

O feirante diz: “ó feira
Conheço o norte e o sul.
Visitei todas as outras,
Porém a melhor és tu.
Fica pra sempre comigo
Feira de Caruaru”.

“Feira de Caruaru
‘tu sois’ minha Terra Santa.
Minha Meca, meu abrigo,
Folheto que ao povo encanta.
Pedra Fina do meu reino;
Canção que meu verso canta”.

Em sonho uma alma vaqueira,
Feira, veio me dizer
Que o paraíso celeste
É igualzinho a você.
Por isso aguardo ansioso
O dia que vou morrer”.

Este amor terno e intenso
Parece até mais um sonho.
O governo ao vê-lo disse:
“Façamos o matrimônio
Entre a feira e este povo
Transformando-a em patrimônio”.

“Histórico e cultural
Do povo deste Brasil
Porque uma feira destas
Nunca, jamais ninguém viu.
Ao dizer estas palavras
O mundo todo aplaudiu.”

O casamento dos dois
Se deu em 2006
A feira, a noiva arrumada
Com seu vestido cortês
O povo, o noivo, trajado
De calça e blusa xadrez.

O padre foi o IPHAN
Que num tom angelical
Diz: “Povo você aceita
A Feira fenomenal
Como patrimônio histórico
também imaterial”?

O povo responde: “aceito
Com louvor este momento.
Nós amamos esta feira
E todo o seu paramento.
Estava mais que na hora
De vir este casamento”.

O noivo beijou a noiva.
O Povo beijou a Feira.
O IPHAN os abençoou
Dizendo sem brincadeira:
“Vendei e multiplicai-vos
Por esta nação inteira”.

Depois do casório feito
Veio a comemoração.
Apesar de ser dezembro,
Em ritmo de São João.
Convidados exclamavam:
“Patrimônio da nação!”

Feirantes soltaram fogos
Na base de um cumbuco.
Teve um ‘boy’ que disse assim:
“Tô orgulhoso, maluco,
A feira mais majestosa
Se encotra no Pernambuco”.

Hoje o casal vive bem.
A feira com seu parceiro.
Ela a esposa fiel,
Ele o povo brasileiro.
Desfilam juntos nas ruas
Todo dia, o ano inteiro.

Quando o povo avista a feira
É sempre a mesma emoção.
Faz questão de ir lá comprar
Só para a satisfação
Dela, pois quando ele compra
Aumenta mais a paixão.

O povo diante dela
Baixa logo o tom de voz.
Diz: “feira de Caruaru,
Que bom estarmos a sós.
Lindo patrimônio histórico
Do Brasil, de todos nós”.

Manoel Messias Belizario Neto

Imagem:http://objetos.radiometropole.com.br/img_original/2009_04_1119_19_1985731caruaru_brazil_market_01_large.jpeg

terça-feira, 10 de agosto de 2010

PALAVRAS AO VENTO NAS CASCATAS DA WEB

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(Mais uns versos compostos ao vivo no twitter)

Em kem devo acreditar.
Na ternura ou no momento?
Dum lado está a razão.
Do outro o sentimento.
Cada 1 dois dois tentando
Promover seu movimento.

E agora nos vêm a besta
De práxis apocalíptica
Em busca de comprar almas
Revive a verdade mítica.

Porém a besta disfarça.
Perpassa a expectativa.
Motiva a alma que passa.
A massa gritando viva! 

Metáfora é poesia.
Pra ler requer tradução.
Requer leitura de mundo.
Para a interpretação.

Manoel Messias Belizario Neto em @twitter

Imagens

http://www.trekearth.com/gallery/South_America/Brazil/South/Rio_Grande_do_Sul/Canela/photo229059.htm
http://informaticon.com.br/site/file.php/1/web_d.jpg

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

BLOG CORDEL PARAÍBA NO TWITTER

Algumas das minhas rimas no twitter:

       Nestes últimos dias tenho demandado um pouco de meu escasso tempo ao microblog Twitter. Tenho tentado estabelecer contato com os usuários por meio das rimas de cordel. Vou publicar vez em quando algumas sequências de minhas twitadas. Siga nosso blog no twitter: @cordelparaiba.

OS MISTÉRIOS DA NOITE

A noite cai sobre nós
E a escuridão banha o céu.
O que ilumina o sertão
São os versos de cordel.

O silêncio inspira a noite
A compor belos mistérios.
Poucos dos que desvendaram
Residem nos cemitérios.

A escuridão da noite
Esconde muitos segredos.
É terror dos nossos sonhos.
É inspiração dos medos.

Vou-me entregar à noite
Esta eterna amante
Que sempre no fim do dia
Me abraça radiante.
Boa-noite, Noite boa.
Em teus braços sou infante.

Manoel Messias Belizario Neto

Imagem: http://www.imotion.com.br/imagens/data/media/74/6501noite.jpg