CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A peleja de Chapeuzinho Vermelho com o Lobo Mau

Fonte: globolivros.globo.com

PELEJA CHAPEUZINHO LOBO MAU

Contada e recontada inúmeras vezes, a aventura da garotinha que encontra o lobo a caminho da casa da avó está entre as histórias mais populares de todos os tempos. Desde o século 14, este conto de fadas clássico tem se apresentado em diversas versões, sendo que as mais antigas, assustadoras e violentas, eram voltadas ao público adulto. A trama que chegou aos nossos dias, com a presença de um caçador que salva a menina e sua avó e garante o final feliz, foi publicada pela primeira vez em 1812, no livro Contos da criança e do lar, dos Irmãos Grimm.

O antigo conto ganha agora nova roupagem. A Editora Globo acaba de lançar o livro A peleja de Chapeuzinho Vermelho com o Lobo Mau, que traz como novidade a estrutura do relato: o texto foi escrito em cordel, poema de origem na tradição oral e bastante disseminado no Nordeste brasileiro. Como manda a tradição cordelista, a história é contada em setilhas, estrofes compostas de sete versos.

Com graça, cadência e deliciosas rimas, as aventuras da menina vestida de vermelho proporcionam uma leitura prazerosa e instigante. Os versos do cearense Arievaldo Viana, integrante da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, e as belas ilustrações do artista pernambucano Jô Oliveira, prendem a atenção do leitor do início ao fim – e dão tempero bem brasileiro para o clássico da literatura infantil.

LITERATURA DE CORDEL

Reproduzido de rovelle.com.br/cordel

A expressão literária mais popular em plena atividade no país

De sua origem nos menestreis da Idade Média até a chegada ao Brasil com os poetas portugueses. Da organização de suas estrofes à métrica de seus versos. Da impressão à apresentação em barbantes nas praças e feiras, a literatura de cordel é a expressão literária mais popular em plena atividade no país.

Este tipo de literatura é encontrado apenas em outros três lugares do mundo: Portugal, Espanha e França. Vinda de Portugal, trazida pelos colonizadores, foi na Bahia, mais precisamente em Salvador, que esta manifestação artística começou. Dali irradiou-se para os demais estados do Nordeste.

No Brasil, diferente dos demais países, prevalece sua forma poética. Persiste, ainda hoje, com grande aceitação de seu público original. Além de conquistar outro público: estudiosos, colecionadores, eruditos e turistas. E a cada dia, se aproxima do público infantojuvenil com livros repletos de belas ilustrações, em formatos diferenciados e temas que atraem crianças e jovens como o livro Cordelinho, coleção Ciência em versos de cordel e coleção Estórias de arrepiar da editora Rovelle.

sábado, 27 de agosto de 2011

CORDEL: “FORA RICARDO TEIXEIRA!”


Autor: Manoel Messias Belizario Neto

Minha santa Wikipédia
Traga-me inspiração –
Nas áureolas virtuais
Cheias de informação –
Para que eu faça um relato
Regido pela razão.


Santo Google, por favor,
Não fique enciumado.
Aponte a vereda certa
Para que eu seja inspirado
Trazendo fidelidade
Ao que é aqui for relatado.

Leitor meu, como é que a gente
Pode se sentir feliz
Com tanta barbaridade
Ocorrendo no país?
Numa nação em que rico
Não tem cadeia ou juiz?

Leitor, nosso futebol
Sempre foi exuberante.
Se a política envergonha
De uma maneira humilhante
Tínhamos no futebol
Subterfúgio importante.

Porém a corrupção
Que aqui fincou morada
Saiu da esfera política
Por esta está saturada
E entrou no futebol
Fingindo não querer nada.

E agora está aí
Exposta pro mundo inteiro.
Os escândalos são aqui,
Mas também no estrangeiro.
Sendo Ricardo Teixeira
Vergonha pro brasileiro.

Há exatos vinte e dois
Anos Ricardo Teixeira
Preside a CBF
Levando na “brincadeira”
E má fé a confiança
Da sociedade inteira.

Agora nos vêm à tona
Maracutaia em tufões
Por exemplo, o caso que
Ele recebeu milhões
Em propina isto devia
Ser resultado em sanções.

E foi muito interessante
Este caso da propina
Onde a emissora Globo,
Uma rede muito “fina”,
Não noticia uma linha
Quem será que determina?

Lembrei é porque a Globo
Ganhou o Brasileirão
Por isso fica calada
Perante a corrupção
Enquanto o mundo alardeia
Com grande indignação.

E o pior nesse lombo
Em que o erro galopa:
Ter crise no futebol
Numa véspera de copa?
Em ações que envergonha,
A CBF se ensopa.

Por exemplo, a cerimônia
De sorteio do evento
Da copa, está na cara
Que houve faturamento
Além do que deveria
Ser gastado no momento.

Gastar num evento, amigo,
Trinta milhões de reais?
Ah e quem organizou
Esta festa, meu rapaz?
Foi a Globo, rede Globo,
Isto é ou não é demais?

Ah e quem patrocinou,
Já sei, foi a CBF.
Que CBF que nada,
Promessa, um puro blefe,
Foram os governos do Rio,
Agindo em favor do CHEFE.

São muitas acusações
Contra o chefe Ricardo
Teixeira planeta afora.
Para o Brasil, mais um fardo.
Nossa memória é manchada
Com este horroroso dardo.

Diante dessa vergonha,
Dessa atuação grosseira
O Brasil se manifesta
Com uma mensagem certeira
Gritando por todo canto
“Fora Ricardo Teixeira”.

Imagem:brasildefato.com.br

Vídeo: Youtube

Cordel escrito a seis mãos

Reproduzido de www.blogdothame.blog.br

Três poetas e um cordel

A Tocaia Edições e a Editus – editora da UESC, convidam para o lançamento do romance de cordel: “Os três irmãos da curriola: Chico Tampa, Zé Tabaca e Mané Sola”, nesta 2ª feira, dia 29 de agosto, primeiramente na UESC, às 16:30h, no CEU, com uma aula de despedida do Piligra, que está de malas prontas para Frankfurt, Alemanha, onde passará os próximos meses aprimorando seus conhecimentos. Depois, no Beco do Fuxico, na Bodega do Robinho, em Itabuna.

No folheto, que é de autoria dos poetas George Pellegrini, Piligra e Gustavo Felicíssimo, se conta a engraçadíssima história de três diabinhos que vieram à terra pra fazerem muita estripulia. Essa história possui certa identidade com o realismo mágico, que é um movimento literário criado ao final dos anos 40 para denominar um tipo de ficção hispano-americana. Mas isso foi algo acidental, pois os poetas de Cordel, muitas vezes, criam fábulas que logo se tornam populares. Para isso, lançam mão de abundantes recursos fantasiosos, como acontece, por exemplo, nos folhetos “A lenda do pavão misterioso” e “A chegada de Lampião no inferno”, dois dos maiores clássicos do gênero.

Como cada poeta desenvolveu uma personagem da história, ao final fica a pergunta: será que as personagens guardam algumas semelhanças com os seus autores? Resta ao leitor ir aos lançamentos, comprar o folheto e decifrar o enigma

REDE NO ALPENDRE

Reproduzido de cantinhodadalinha.blogspot.com

Autora: Dalinha Catunda

*

Uma rede num alpendre

E um ventinho sedutor

Vento que vem do açude

Para abanar meu calor

São delícias que desfruto

Quando estou no interior.

*

Vejo o voo das marrecas

Em bando ao entardecer

Num mágico ritual

Girando antes de descer

Para pernoitar nas águas,

Como costumam fazer.

*

No balançado da rede

No sertão é lindo ver

O fim do dia chegando

Com o sol a esmorecer,

Cedendo lugar a lua

Que não tarda a aparecer.

*

Um bando de pirilampos

Bordando a escuridão

Enriquecem o cenário,

Das noites do meu rincão

Da minha rede eu vejo

Quão mágico é meu sertão!
*
Foto de Dalinha Catunda

Escritor Moreira de Acopiara ministra palestra na Biblioteca Municipal – Cubatão SP

Reproduzido de www.cubatao.sp.gov.br

Em comemoração à Semana do Folclore, dentro da programação especial da Secretaria de Cultura, o escritor Moreira de Acopiara ministrou a palestra “Cordel – tradição e contemporaneidade” na tarde desta sexta-feira (26), na Biblioteca Municipal de Cubatão.

Mais de 40 pessoas assistiram à palestra do escritor, que explicou o que é o Cordel, onde surgiu, suas particularidades e a ligação de sua história de vida com essa literatura. Moreira de Acopiara comentou também sobre a novela “Cordel Encantado”, da TV Globo, que aborda as principais temáticas e elementos cantados no Cordel, como a história de princesas.

Elenice Macena Lima Rebouças, da secretaria da Biblioteca, também acompanhava a palestra. “Eu não conhecia o Cordel, e estou aprendendo muito com ele. Fiquei interessada em saber ainda mais sobre o assunto. É muito interessante ver também a criatividade do artista”, comenta.

A pedagoga Ilma Farias de Souza já conhecia e havia lido poesia de cordel, mas é a primeira palestra que assiste sobre o assunto. Ela considera a experiência muito boa e acredita que a iniciativa de trazer o escritor para falar sobre esse assunto é fundamental para a valorização da cultura nordestina. “Cubatão tem muitas pessoas vindas do nordeste, é importante valorizar as raízes dessas pessoas trazendo a literatura regional e valorizando seus poetas”, finaliza.

Texto: Tatiana Paiva

Imagem: bibliotecacubatao.blogspot.com

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

AFC Symposium on Brazilian Literatura de Cordel Sept. 26-27

Reproduzido de uslibraryofcongress.blogspot.com

The American Folklife Center at the Library of Congress is sponsoring a symposium entitled “Literatura de Cordel: Continuity and Change in Brazilian Popular Literature,” in collaboration with the Library’s Hispanic Division, the Library’s overseas office in Rio de Janeiro, and the Embassy of Brazil in Washington, DC. Additional support and assistance is provided by the Library's Poetry and Literature Office.
The symposium will take place on Monday, September 26 and Tuesday, September 27, 2011. Attendance is free of charge, but registration is required. For a complete schedule and to register online, visit: [http://www.loc.gov/folklife/Symposia/litcordel/] Please reserve your place today!
Literatura de cordel, literally “string literature,” refers to popular booklets or chapbooks originally hung along cords strung across marketplace stalls to attract buyers. A tradition brought from Portugal to northeastern Brazil in the sixteenth century, literatura de cordel features traditional poetry on many topics, often illustrated by eye-catching woodblock images. Today, cordel poems are no longer found solely in northeastern Brazil, but also in the larger cities of São Paulo and Rio de Janeiro. In addition to being printed in traditional chapbook fashion, they are found widely on the Internet.
“Literatura de Cordel: Continuity and Change in Brazilian Popular Literature,” will draw attention to the American Folklife Center’s collections of Brazilian literatura de cordel, which are among the most extensive in the world. The symposium will also examine the artistry, narrative, and iconography of cordel. Noted scholars of cordel will be featured, as will the artistry of cordel poets, singers, and woodcut artists.

Imagem: varnecicordel.blogspot.com

Biblioteca Clodomir Silva lança projeto Hora do Cordel – Aracaju (SE)

Reproduzido de www.informesergipe.com.br

Biblioteca Pública Municipal Clodomir Silva lança, a partir deste mês, a “Hora do Cordel”. O projeto tem como objetivo tornar mais acessível o acervo de literatura de cordel existente na biblioteca, que leva o nome de Cordelteca. O espaço que antes funcionava no primeiro piso, foi remanejado para o térreo por ser uma área de maior acesso e visibilidade para o público.
O primeiro encontro do sarau contará com a participação dos cordelistas João Firmino Cabral e Chiquinho do Além Mar. Na ocasião serão apresentados os novos cordéis adquiridos pela Fundação Municipal de Cultura e Turismo (FUNCAJU). O evento, aberto ao público em geral, acontecerá no dia 30, às 19h, na biblioteca, localizada na Rua Santa Catarina, 314, bairro Siqueira Campos, Aracaju-SE. Para maiores informações, basta entrar em contato com a coordenadora de eventos da biblioteca, Maria José Sá, através do telefone (79) 3179-3742.
Cordelteca – A Biblioteca Municipal Clodomir Silva possui a primeira cordelteca municipal do Brasil. Atualmente, seu acervo é composto de mais de 700 exemplares de livretos para leitura e pesquisa. Além de folhetos e antologias de literatura de cordel, livros teóricos, teses e dissertações sobre este estilo literário, a cordelteca dispõe de uma galeria com informações biográficas de 35 poetas cordelistas sergipanos.

Serviço
O quê: Lançamento do projeto “Hora do Cordel”
Quando: 30 de agosto
Onde: Biblioteca Pública Municipal Clodomir Silva (Rua Santa Catarina, 314, bairro Siqueira Campos, Aracaju-SE)

Imagem: www.flogao.com.br

Garanhuns realiza a 1ª Feira e Exposição de Literatura de Cordel

Fonte: ne10.uol.com.br

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O objetivo é divulgar a literatura de cordel

A partir desta sexta-feira (26) Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, abre espaço para a cultura popular. A cidade vai realizar a 1ª Feira e Exposição de Literatura de Cordel. O evento é  idealizado pelo poeta e cordelista Bispo e realizado por Luiz Gonzaga de Lima, mais conhecido na cidade como Gonzaga de Garanhuns.

O objetivo do evento é divulgar  a literatura de Cordel junto a população do município. A 1ª Feira  e Exposição de Literatura de Cordel vai ser realizada no Largo do Colunata a partir das 9h. A entrada é gratuita.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CLOTILDE TAVARES LANÇA O LIVRO “O VERSO E O BRIEFING”,

Reproduzido de www.jovensescribas.com.br

  • Espécie
    Não-ficção
  • Ano
    2011
  • Formato
    10,6 x 17,8
  • Páginas
    160

O livro “O verso e o briefing – A publicidade na literatura de cordel” conta a história dos “folhetos de propaganda”, peças utilizadas pelos cordelistas com fins publicitários e a relação da literatura de cordel com a publicidade. Tudo isso com o envolvente texto de Clotilde Tavares.

O livro nasceu a partir de um trabalho acadêmico encomendado pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) de São Paulo. O diretor da instituição, José Roberto Withaker Penteado encomendou à autora um seminário sobre o assunto. O evento foi tão bem sucedido que Clotilde, posteriormente, aprofundou a pesquisa e a converteu num delicioso pocket book sobre nossa cultura.

A obra marca a estreia do selo Escribas de Bolso, dedicado à publicação de grandes obras em formatos pequenos.

A AUTORA

Clotilde Tavares nasceu em Campina Grande (PB), mas reside em Natal há mais de 3 décadas. Formou-se médica, mas trocou a rotina de consultórios e hospitais por uma sólida carreira literária.  Escritora, dramaturga, professora, cronista e pesquisadora, publicou os livros “A botija”, “A agulha do desejo”, “A magia do cotidiano”, dentre vários outros.

LANÇAMENTO

25 de agosto de 2011

Na corda do verso

Reproduzido de tribunadonorte.com.br

Por Yuno Silva

Presente no cotidiano do nordestino desde o passado remoto, a literatura de cordel resiste ao tempo e continua sendo produzida com as mesmas características que a tornaram popular em feiras livres espalhadas, principalmente, por municípios do interior da região Nordeste.

alex régisA relegada Poesia popular ganha espaço esta semana com lançamento da Caravana do Cordel, no IFRN, e lançamentos de livros como O Verso e o Briefing, de Clotilde TavaresA relegada Poesia popular ganha espaço esta semana com lançamento da Caravana do Cordel, no IFRN, e lançamentos de livros como O Verso e o Briefing, de Clotilde Tavares

No mês dedicado ao folclore, uma série de eventos devem evidenciar ainda mais os livretos de origem Ibérica que eram comumente pendurados em cordas, cordões ou cordéis - daí o nome dessa forma primitiva de mídia, que fazia, e ainda faz, as vezes de rádio, televisão e jornal em muitos lugares.
A maratona de poesia popular começa amanhã, às 18h, na livraria Siciliano do Natal Shopping, com o lançamento do livro "O verso e o briefing - A publicidade na literatura de cordel" (Jovens Escribas), da escritora Clotilde Tavares; já na sexta-feira (26), durante todo o dia, o IFRN-Cidade Alta abre as portas para a Caravana da Casa do Cordel, que realiza extensa programação gratuita e aberta ao público a partir das 9h.

Palestra sobre Literatura de Cordel – João Pessoa PB

Reproduzido de www.colegiogeo.com.br

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Ocorreu no auditório do Colégio GEO Tambaú, uma Palestra sobre Literatura de Cordel, organizada pela professora de português Alessandra Duarte, com a presença da professora de matemática e cordealista Luiza Bandeira, que ministrou a palestra sobre o assunto.

A palestra foi de grande importância e riqueza de conteúdo para quem assistia a ela. Com uma didática descontraída e bem elaborada, o encontro proporcionou aos alunos do 6° ano o conhecimento e a vivência da nossa cultura.

No término da palestra, as professoras organizaram uma gincana onde os alunos participaram respondendo perguntas relacionadas a este tipo de estilo literário.

A professora Alessandra organizou algumas atividades para enfatizar a literatura de cordel: aulas expositivas e leituras

Para finalizar estas atividades, os alunos praticarão o que aprenderam, com a preparação de exemplares de cordéis, mostrando que cultura também se aprende em sala de aula.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

CORDEL: SOBRE O ASSASSINATO DA JUÍZA PATRÍCIA ACIOLI

“A JUÍZA QUE FOI ASSASSINADA POR OMISSÃO DA JUSTIÇA BRASILEIRA”

Autor: Manoel Messias Belizario Neto

Peço a justiça divina
Para vir me abençoar,
Trazendo-me inspiração
No que me ponho narrar
Já que a justiça da terra
Estou ciente não há.

Porque, leitor meu, enquanto
Existir corrupção,
Má vontade, indiferença,
Falsidade, omissão
Será o fundo do poço
O futuro da nação.

Leitor amigo confesso
Que estou indignado
Vendo esta situação
A qual chegou nosso Estado
A morte dessa juíza
Deixa o Brasil revoltado.

Patrícia Acioli era
Magistrada destemida.
Honrava o cargo que tinha
Tendo o certo por medida.
Nem que pra isso pusesse
Em risco a própria vida.

Atuava em São Gonçalo
Lá no Rio de Janeiro.
Os bandidos a temiam
Por seu trabalho certeiro
Gente honesta como ela
Atrapalhava o “vespeiro”.

Ali ela magistrava
Contra o crime organizado
Que envolvia a milícia
Crescente à sombra do Estado
Que é corrompido por quem
Devia ser respeitado.

Por agir corretamente
De forma determinada
Para erradicar o crime
Sem se intimidar com nada
A magistrada começa
A se ver ameaçada.

Por isso a juíza envia
À instância competente
Um documento pedindo
Segurança urgentemente,
A mesma foi atendida,
Mas depois foi diferente

Porque em 2007
O injusto tribunal
De justiça suspendeu
A segurança total
Tratando a situação
Como um caso banal.

O injusto tribunal
De justiça só podia
Fingir não saber daquilo
Que todo mundo sabia:
A execução de Patrícia
Logo, logo ocorreria.

Porque as tais ameaças
Todo o mundo conhecia
As notícias pelos sites
Ressoando sinfonia
De uma morte iminente,
Só o tribunal não via?

Porém a prova cabal
(De que o órgão (in)competente)
De que o injusto tribunal
De justiça era ciente
Foram dezenas de ofícios
Entregues anteriormente.

Nos ofícios a juíza
Parecia implorar
Por proteção, mas porém
Mais parecia falar
Sozinha e o tribunal
Fingindo não escutar.

A juíza então andava
De forma desprotegida
Esperando que um dia
Pudesse ser atendida
Pelo injusto tribunal
Que não lhe dava saída.

Até que num certo dia
Ocorreu o esperado
Patricia ao chegar em casa
Teve o carro rodeado
Por um grupo de bandidos
Muito bem municiados.

Foi então covardemente
Que ela foi assassinada
Por omissão da justiça
Que mesmo sendo avisada
Botou a venda no rosto
E preferiu fazer nada.

Isto é um absurdo
Para o nosso país
Como é que pode ser
Bandido matar juiz?
É, ninguém está seguro,
Nesta nação infeliz.

Se até juiz é morto
Como fica o cidadão
Comum que só tem a sorte
E Deus como proteção.
É, ninguém está seguro,
Nesta infeliz nação.

domingo, 21 de agosto de 2011

A chegada do cordelista Zé Saldanha no céu

Reproduzido de tribunadonorte.com.br

Por Gutenberg Costa

É  desta forma que os poetas da nossa literatura de cordel, assim intitulam seus folhetos versando sobre a vida daqueles que são merecedores deste privilégio espiritual pós morte. Os cordelistas que seguem o exemplo da religião Católica, logo canonizam os que fizeram o bem aqui na terra, onde vivem tantos que preferem semear o mal... José Saldanha Meneses Sobrinho, nascido a 23 de fevereiro de 1918, no município de Santana do Matos, no Rio Grande do Norte. Era filho do pequeno fazendeiro Francisco Saldanha da Silva e da costureira Rita Regina de Macedo Saldanha. O menino José, muito esperto e curioso, foi vaqueiro, agricultor, almocreve, puxador de gado, aboiador, violeiro, poeta repentista, sapateiro, xilógrafo, cordelista, vendedor de folhetos em feira e artezão de couros. Foi também fabricante de aguardente, sapatos, doces, queijos e violas. Empresário no ramo de sapatos e cachaça. Dono de mercearia e escritor. Como se vê, em matéria de trabalho e cultura, o poeta Zé Saldanha em vida 'só não fez chover, mas bem que preparou o tempo'. Além de exímio declamador era também um contador de causos e um grandioso memorialista de seu tempo. Quem como eu, teve a sorte de cruzar seu caminho, ouviu e  aprendeu muitos ensinamentos e saberes, que só os professores da universidade da vida os têm guardados na memória a repassar-nos. Quando conheci o mestre Zé Saldanha, muitos de seus netos nem haviam nascidos. Logo fui recebido em sua casa  e adotado como mais um filho. Lá na sua mercearia em Candelária, quase todas as tardes tomava um gostoso café e recebia das mãos de dona 'Jove', um pão francês ainda quentinho recheado com manteiga e queijo do seridó. E seria uma imensa desatenção não receber este mimo de dona Jovelina Dantas de Araújo Saldanha. 
Dona Jove o dividia com a dona poesia e desta não sentia ciúmes, pois quando chegava um freguês na sua bodega puchando uma prosa sobre viola ou cordel, o seu marido saia correndo para a conversa e esta despachando os outros compradores tomava conta do comércio, que ajudava na educação de seus 9 filhos. Rosáfico, Altamira, Terezinha, Neto, Rita, Robson, Reneide, Rosemberg e Renilda. Sua filha Reneide vendo que seu pai distribuia com os amigos e visitantes toda a sua produção literária, tratou de imediato de selecioná-la e organizá-la para que a mesma não viesse se perder no futuro, pois o velho Zé Saldanha, não queria ganhar dinheiro com sua poesia, queria era ganhar novos amigos e leitores. Por tal motivo é que tive um grande trabalho, com três dia socado em sua casa, para achar e juntar sua produção cordelística a pedido da editora Hedra, de São Paulo, para lançá-lo nacionalmente com sua biografia e antologia na famosa coleção "Cordel". O poeta Zé Saldanha foi o escolhido em 2001, por esta editora para representar o Rio Grande do Norte, antes quase que desconhecido no cenário nacional da Literatura de Cordel. O poeta seridoense ficou feliz com meu nome como seu biográfo, indicado pelo saudoso amigo Joseph Luyten, doutor pela USP, a citada editora paulista. No dia do lançamento aqui em Natal, Saldanha, sorria e beijava os livros de tanta emoção e alegria dizendo-me: "Agora posso morrer satisfeito, pois graças a você o mundo vai saber de agora em diante a minha história".  Vendeu milhares de folhetos como poeta repórter quando contou a história do trágico acidente, ocorrido em 1974, em Currais Novos, durante uma procissão na noite de 13 de maio, onde faleceram 25 pessoas, atropeladas por um ônibus sem freio que desceu a ladeira aonde estavam os fiéis Católicos. Também historiou em seus folhetos dois três tragédias na sua região, com um acidente de um caminhão, afogamentos em um açude e o assassinato do amigo e também poeta Zé Milazez, cujos versos demonstram o apreço pelo amigo e a revolta pelo assassino deste: "Matou José Milanez/Nosso poeta  benquisto/Que foi homiciado/Pelo destino imprevisto/Que matou como mataram/ Os Santos  apóstolos de Cristo..". Publicou milhares de folhetos em vida, muitos deles perdidos, pois quando ia procurar a cópia original já não se encontrava em seus arquivos e diante de minha pergunta pelo desaparecimento do folheto, respondia-me rindo: "Eu acho que dei a um portador que veio aqui e pediu-me o folheto". Alguns destes foram recuperados pela memória tempos depois. Escreveu cordéis pequenos, romances e almanaques. Na área do gracejo e humor publicou muita coisa engraçada, ficando nacionalmente conhecido o seu folheto/poema: "Matuto no Carnavá", sendo depois tranformado em peça teatral. Quando  o jornalista e apresentador Tarcísio Gurgel o convocou para o seu depoimento ao programa da TV Universitária 'Memória Viva', o poeta Saldanha, não teve dúvidas e convidou para auxiliar na entrevista dois grandes amigos: José Lucas de Barros e Gutenberg Costa. O que os telespectadores não souberam é que eu chamado de surprêsa, quase não podia falar por causa do meu palitó velho e de tão apertado que estava, se demora mais um pouco teria morrido sem folêgo...  Em seu último aniversário dos 93 anos, o velho amigo poeta estava com o mesmo senso espirituoso de sempre, alegre e declamando seus versos aos presentes. Quando lhe disparei a pergunta em forma de pedido: Nos dê o prazer de estar juntos na sua festa dos 100 anos, o mesmo em cima da bucha responde-me filosofando: "O futuro só Deus é quem sabe!". E Deus, com certeza estava tão ansioso de ouvir seus poemas, que o chamou no último dia 9 de agosto. Agosto, mês de luto da poesia popular do RN. Folheando um de seus folhetos com emoção de ter pardedi um pai, leio os seguintes versos: "Quando vagar a notícia/Que Zé Saldanha morreu/ Alguém diz até chorando/Que o Rio Grande perdeu/Um Zé que nunca mais/Vem outro Zé como eu...".
E para contar em rimas cordelescas como Zé Saldanha, chegou no Céu e numa grande festa foi recebido com abraços de Chico Traíra, Severino Ferreira, Chagas Ramalho, Onésimo Maia, Zoroatro Rangel, Zé Milanez, Manoel Macedo Xavier, Pedro Jacob, Elizeu Ventania e tantos outros, só tendo muita poesia e sabedoria no quengo. Duas coisas que invejo dos poetas populares. Zé Saldanha deixou em seu rastro aqui na terra, uma bela história de vida, história que será contada em cada canto, por cada amigo, leitor ou familiar, esteja aonde estiver-mos.

sábado, 20 de agosto de 2011

Caruaru usa cordel na educação infantil (PE)

Fonte: www.onordeste.com  Via twitter: @enciclopediane

Por Pedro Romero
promero@jc.com.br

CARUARU -  Um projeto inovador tem usado a literatura de cordel como instrumento de educação nas escolas municipais de Caruaru, no Agreste. No Cordel nas Escolas, estudantes aprendem noções de métrica e rima e escrevem suas próprias poesias, ajudando também a manter viva essa tradição. A iniciativa é da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel (ACLC), que funciona na Capital do Forró. O cordel também tem ampliado o espaço na região e virou indicação de leitura para o vestibular da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru (Fafica).

No projeto Cordel nas Escolas, adotado pela prefeitura, seis integrantes da Academia de Cordel atuam como arte-educadores nas atividades desenvolvidas no Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic), que tem a participação de cerca de 200 estudantes. "Trabalhamos a rima, a métrica e a oração dentro da poesia. Para que os alunos possam aprender a escrever e declamar poesias, usamos técnicas de teatro e a música", explica o arte-educador Nerisvaldo Alves, fundador da ACLC.

"Gosto muito das aulas, é legal. Já escrevi muitos versos sobre professores e outros assuntos. Acho que também ajuda a gente a aprender", diz Geisiane Mirele dos Santos, 10, aluna do quinto ano. John Henrique da Silva Santos, 12, da sétima série, também já escreve versos com facilidade. "Você expressa seus sentimentos e pensamentos", destaca. As aulas acontecem quatro vezes por semana.

O projeto começou em 2004 e já se transformou em livro e DVD, com apresentações teatrais de alunos de várias escolas da rede pública do município. O livro Projeto Cordel nas Escolas - Trabalhando a História de Caruaru, foi lançado em 2007. O DVD, de 2008, também tem como base a história da cidade.

De acordo com o professor Nerisvaldo Alves, no momento está sendo feita uma coletânea de poemas dos alunos que integram o projeto para a publicação de um livro, prevista para o fim deste ano. A iniciativa também é desenvolvida no Centro Social São José do Monte, instituição que atende a crianças carentes dos bairros São Francisco e Centenário.

"O cordel está em evidência, está em novelas e sendo debatido em associações e instituições de vários Estados. Também foi tema da Feira Nacional de Artesanato (Fenearte) este ano", ressalta o arte educador.

ACADEMIA

A Academia Caruaruense de Literatura de Cordel foi fundada em maio de 2005 e tem como patronos o cordelista Olegário Fernandes da Silva e o poeta, ator, radialista, compositor e pesquisador Lídio Bezerra Cavalcanti, ambos fundadores do Museu do Cordel em Caruaru. De acordo com o estatuto, sua finalidade é promover o intercâmbio e desenvolvimento cultural, social, sexual, político e econômico.

A academia é composta por 20 cordelistas ou xilógrafos e conta com bandeira, hino, cordel, xilogravura, flâmula, brasão, selo, carimbo, medalha e traje acadêmicos oficiais. O seu lema é Cordel e Xilogravura: união de artes seculares.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

2º Concurso de Literatura de Cordel da Academia Caruarense de Literatura de Cordel

Reproduzido do blog PALAVRA CULTURA

www.palavracultura.blogspot.com

REGULAMENTO

Tema: Cordel Contemporâneo

Promovido em parceria com Academia Caruaruense de Literatura de Cordel, FUNDARPE através do Programa SISTEMA DE INCENTIVO A CULTURA SIC/PE e Governo do Estado de Pernambuco, com a colaboração da ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

01. Academia Caruaruense de Literatura de Cordel - ACLC, situada na Rua Limoeiro Nº 295 Bairro Boa Vista I – CEP: 55038-010-Caruaru-PE em parceria com a FUNDARPE, através do Programa SISTEMA DE INCENTIVO A CULTURA SIC/PE do Governo do Estado de Pernambuco e a colaboração da ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel abrem inscrições para o 2º Concurso Nacional de Literatura de Cordel com o tema “Cordel Contemporâneo”.

02. O prêmio, para a edição de 2011, contemplará a categoria ADULTA, amador ou profissional de Literatura de Cordel e poderão participar Poetas residentes em qualquer lugar do Brasil, que apresentem cordéis com o mínimo de 08 e o máximo de 12 estrofes de seis versos (sextilha) e que obedeçam ao formato indispensável de métrica, rima e oração.

03. Os trabalhos serão avaliados por uma Comissão formada por Poetas integrantes da ABLC – Academia Brasileira de Literatura de Cordel, sediada na Rua Leopoldo Fróis, 37 Santa Teresa - Rio de janeiro, Cep 20241-330, para onde serão enviados os cordéis concorrentes, em envelope fechado com duas cópias do texto.

04. Os autores candidatos apresentarão um envelope principal de entrega dos textos contendo em seu exterior apenas o nome do Concurso, (CORDEL CONTEMPORÂNEO), e o pseudônimo do autor. Não poderá ter remetente, apenas destinatário. Em seu interior haverá, além dos trabalhos objeto do concurso, outro envelope, lacrado, subscrito somente com o título do Concurso e o pseudônimo do autor. No interior deste, deverão conter o nome do autor, mais seus dados completos: nome, endereço, telefone, e-mail, cópia do RG, cópia do CPF, comprovante de residência, título do trabalho inscrito e pequena biografia (até 10 linhas).

05. A ABLC escolherá os dez melhores textos enviados, para serem apresentados na noite do dia 14 de outubro na cidade de Caruaru – PE, ocasião que será autorgada a premiação. Os dez autores selecionados serão transportados para a cidade Caruaru por conta da produção do evento, com passagens e hospedagens garantidas e gratuitas.

06. Os dez cordéis escolhidos serão recitados por seus autores e julgado por uma Comissão formada de Poetas Acadêmicos da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel. A comissão observará a temática e os elementos que compõem a literatura de cordel na sua essência: Métrica Rima e Oração

07. O prazo de inscrição: Até o dia 15 de setembro de 2011.

08. Fica vedada a inscrição de qualquer pessoa ligada diretamente (com laços familiares ou vínculos de trabalho) aos componentes das comissões de escolha (ABLC) e julgadora (ACLC).

09. Os Cordéis inscritos devem ser obrigatoriamente, inéditos e escritos em Língua Portuguesa. Entende-se por inéditos os que não tenham sido editados ou publicados (parcialmente ou em sua totalidade) em antologias, coletâneas, suplementos literários, jornais, revistas, Internet, exposições ou outras publicações. É da responsabilidade exclusiva da comissão julgadora analisar se os trabalhos enviados são ou não inéditos.

10. Ao efetivar a inscrição, o autor assume a autoria e a originalidade dos trabalhos inscritos, podendo responder, em caso contrário, por plágio, cópia indevida e demais crimes previstos na Lei de Direitos Autorais, bem como sua exclusão deste concurso.

11. A premiação será a seguinte: 1º lugar R$ 3.000,00 (Três Mil Reais); 2º Lugar R$ 2.000,00 (Dois Mil Reais) e o 3º lugar R$ 1.000,00 (Hum Mil Reais).

12. A organização do evento envolvendo os patrocinadores do festival, ACLC, ABLC, e FUNDARPE, terá acesso a 5% das publicações vencedoras, sem fins lucrativos, apenas para divulgação desses trabalhos.

12. Cada autor encaminhará aos endereços ou locais definidos os originais inscritos, podendo ser até dois (dois) trabalhos. As cópias impressas serão em papel branco (A4), digitadas.

13. Os originais não serão devolvidos.

17. A inscrição implicará, por parte do concorrente, na aceitação dos termos deste regulamento, bem como na cessão, sem ônus, dos direitos autorais dos trabalhos inscritos, para eventual publicação de uma primeira edição, bem como para divulgação dos trabalhos literários da Academia.

18. O concurso em pauta seguirá o seguinte calendário básico:

a) No dia 14 de outubro de 2011, serão apresentados e anunciados os ganhadores do Concurso no local do evento:

b) Os prêmios serão pagos em dinheiro e os cordéis serão publicados.

19. Não é necessário o participante enviar seus cordéis com capas de xilogravuras ou qualquer outro desenho.

20. As inscrições são gratuitas, encerrando-se em 15 de setembro de 2011.

Hérlon de Figueiredo Cavalcanti

Presidente da Academia Caruaruense de Literatura de Cordel

Informações e esclarecimentos:

www.ablc.com.br

(21) 9985-6208 – Chico Salles.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O CORDEL E SUAS MULTIPLAS ADAPTAÇÕES

De ovicentinonews.blogspot.com

Por- Eliabe Alves

            A literatura oral é um bem do povo, presente em todas as civilizações humanas desde os tempos mais remotos. Voltando algumas páginas no livro do tempo, veremos que no Brasil de antigamente, sobretudo na região nordeste no limiar do século XX, havia nas comunidades rurais, pessoas que se expressavam de forma quase que ágrafas, sendo que poucos  eram os habitantes que sabiam decodificar os códigos  dos registros escritos, valendo-se,  na maioria das vezes,  dos saberes da oralidade.  Nesse contexto sócio cultural, inicialmente a literatura de cordel exerceu um papel fundamental no processo de sua formação cultural e humana.  Nesses lugares, quem sabia ler era procurado para, no cair da noite, á luz da lamparina, ler os folhetos de cordel. Em seu entorno  agrupavam se pessoas com olhos e ouvidos atentos as histórias romanescas, ali cantadas. Todos envolviam-se por meio das  narrativas fantásticas e encantadoras  transmitidas pela a força da rima e da métrica da poesia popular.
            Era comum, as  pessoas comprarem os  folhetos que eram vendidos nas feiras a preços acessíveis ás donas de casas e aos lavradores. Através desse contato com a escrita, algumas  pessoas foram alfabetizadas e passaram a exercer sua cidadania com mais dignidade principalmente com o acesso á literatura de Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athayde, José Pacheco, José Camelo, Chico Traíra, José Melquíades  Ferreira e Patativa do Assaré, que integram o cânon dos celebres poetas nordestinos. O universo da poesia de Cordel o Rio Grande do Norte está servido de talentosos cordelistas do porte de: José Saldanha, o decano dos trovadores potiguares, com 93 anos de idade, e de muita produção no campo da poesia popular. É de sua autoria os seguintes versos “Ergui-te sertão amado/ Com tua gleba risonha/ Teu horizonte dourado/ Com que o poeta sonha “além de Saldanha ainda temos os bem humorados poetas Bob Motta, Paulo Varela e o premiado Antônio Francisco que com sua arte singular contribuem de forma significativa para a elevação da cultura brasileira.            Com o passar do tempo, esses contos e histórias dos impérios, cangaceiros, príncipes, princesas, amores proibidos, lutas e pelejas dos personagens das páginas dos romances de cordel foram adaptadas para as mais diferentes formas e linguagens artísticas como: teatro, cinema, música, quadrinhos, e novelas. Em 1952, a editora paulista Prelúdio lançou uma versão em quadrinhos do clássico Romance do Pavão Misterioso, com desenhos de Sérgio Lima que apesar de ter sido produzido com poucos recursos gráficos esse HQ torna-se um marco nas adaptações desse gênero. Depois surgiram os HQS (Juvêncio o Justiceiro e Simãozinho); A chegada de Lampião no Inferno); (Juvenal e Dragão, A  Donzela Teodora); e o Quadrinho “A Maça que Namorou com o Bode”do talentoso cartunista cearense  Klévisson Viana uma edição que julgo de grande qualidade editorial. Na sétima há também uma experiência de adaptação do romanceiro popular no filme de Tânia Quaresma: “Nordeste: Cordel, Repente e Canção” (1974). Nesse momento o cordel passou por sua primeira adaptação, de linguagem escrita para o meio imagético. O folclorista Câmara Cascudo também  se rendeu as encantos dos folhetos de Cordel quando escreveu o livro: Cinco contos do povo (1953). O escritor Bráulio Tavares incorporou a estética e a forma da poesia popular em sua vasta produção intelectual que vai da música, ao teatro e literatura.           O Movimento Armorial, por sua vez, começou em 1970, liderado pelo também  Escritor Ariano Suassuna, provocando uma enorme agitação criativa na arte Pernambucana e nordestina, tornando-se o movimento que mais utilizou o cordel para digerir e implementar  uma nova forma de conceber o seu fazer artístico. O próprio Ariano formulou o conceito de todo esse processo quando teceu o seguinte depoimento: “A arte Armorial brasileira é aquela que têm como troca comum principal a relação como espírito realista e mágico dos folhetos do Romanceiro popular do Nordeste, literatura de cordel, com música de viola, rabeca ou pífano que acompanhava seus cantores com a xilogravura que ilustra suas capas, assim como o espírito e a forma das artes e espetáculos populares com esse romanceiro relacionado” .Esse movimento ainda revelou para o Brasil os pintores: Gilvan samico, Francisco Brennand. Os escritores Virgílio Maia e Raimundo Carreiro bem como o músico Antônio Nóbrega.
      Todas essas adaptações e influências da literatura de cordel, nas mais diversas  linguagem artísticas são comprovações da qualidade e da criatividade dos poetas populares. No entanto,  vejo com certo olhar de desconfiança na TV Globo, a telenovela “Cordel Encantado”. Essa é mais uma produção que absorveu elementos do cordel na sua construção narrativa. Por ser  artificialmente encenada por atores que são oriundas de uma região onde historicamente, a grande mídia vendeu a imagem do homem do Nordestino para o resto do Brasil, como o coitadinho e que passa fome. Na verdade, acredito que o nosso povo só será representado com respeito e dignidade quando for sujeito de seu próprio itinerário cultural, com igualdade de oportunidade para que os nossos bons escribas e artistas mostrem todo o seu potencial criativo. Diante disso, faz-se  necessário que o ministério da cultura desenvolva cada vez mais políticas públicas voltadas para a valorização das produções culturais no nordeste,  descentralizando  os investimentos do eixo Rio-Sul. Ou do contrário continuaremos relegados ao atraso e ao dolorido esquecimento.

Imagem: roteiroliterario.com

EDUCAÇÃO AMBIENTAL DECLAMADA EM VERSOS DO CORDEL

Fonte: Recanto das Letras: www.recantodasletras.com.br

Por ALEXANDRE ACIOLI

O lixo é um problema global e preocupa os líderes mundiais, ora empenhados na busca de alternativas para a destinação dos resíduos sólidos produzidos pelo homem. O caminho apontado é a coleta seletiva e a reciclagem. Mas, soluções, mesmo, só a partir de ações que envolvam o tripé governos, iniciativa privada e sociedade, com informação, orientação e sensibilização da população, através de ações de educação ambiental, em todos os níveis.
Pouco são os trabalhos do gênero desenvolvidos nas três esferas de poder e o tema é tratado pela grande mídia de forma periférica. No momento, a salvação vem dos poetas populares, que têm dado destaque cada vez maior à questão da coleta seletiva e da reciclagem, fazendo jus à condição de educadores sociais, segundo classificação registrada por Eduardo Viola, no seu livro “O ambientalismo multissetorial no Brasil”.
A literatura de cordel, uma cultura de fortes raízes no Nordeste brasileiro, vem sendo utilizada como ferramenta de difusão de conhecimento e entendimento sobre a temática. Dentre quase cem folhetos que colecionei nos últimos dois anos sobre questões ambientais, cinco retratam exatamente o problema dos resíduos sólidos: “A coleta seletiva e a reciclagem de lixo”, de Ismael Gaião da Costa (Condado, PE), “O problema do lixo”, de José Acaci (Natal, RN), “Lixo. Onde botar?”, de Abdias Campos (Recife, PE), “O mundo não é lixeira”, de alunos da Escola Pequeno Príncipe (Campina Grande, PB) e “Quem ama não suja”, de Manoel Monteiro (João Pessoa, PB). Os folhetos passam a mensagem da necessidade de maior empenho da população para melhorar as condições de vida e equilíbrio ecológico.
A carga de conhecimento e informações trazidas  no seu interior, relacionam o problema à forma e às condições de vida do homem na atualidade. Utilizando uma linguagem simples, clara, direta e objetiva; embasamento conceitual e metodológico, os folhetos têm abrangência e ressonância; são capazes de esclarecer a população e reduzir a grande distância existente entre a ciência e as classes (ditas) excluídas.
Na era de comunicação globalizada essa manifestação folkcomunicacional constitui-se num veículo de informação que permite construir e reconstruir discursos de caráter informal voltados à discussão dos variados temas relacionados às transformações sociais e à sustentabilidade.
O cordel é o verdadeiro jornalismo popular, empenhado não apenas na tentativa de tornar comum os diversos temas voltados às questões ecológicas, mas ser a ferramenta de educação ambiental, na medida em que informa, esclarece e orienta as massas.
Não é à toa que o professor e cordelista sergipano José Antônio dos Santos afirma que, “Ao escrever os seus versos/ O poeta popular / Se inspira na natureza/ Logo começa a rimar/ De formiga ao elefante/ Ele sabe versejar./ Somente quem tem o dom,/ O dom da filosofia; (...) Sabe escrever poesia.” E conclui: “O poeta do cordel é repórter popular (...) traduz os fatos como verdadeiros jornalistas”.

UM CORDEL SOBRE O CORDEL

Fonte: Blog Cordel na Sala de Aula: educarcomcordel.blogspot.com

Autor: Poeta Paulo Moura

A HISTÓRIA DO CORDEL

1
Eu vou contar pra vocês
De forma bem popular
A história do CORDEL
E a todos vou ensinar
Mostrando o quanto é fácil
RIMAR e METRIFICAR.

2
Mas para se conseguir
Escrever sem escarcéu
Versos com ORAÇÃO e RIMA
Lanço mão deste papel
E começo por falar
Da ORIGEM do CORDEL:

3
A poesia ilumina
Minh’alma neste momento
Pra que eu possa, nestes versos
Mostrar com conhecimento
O que é MOTE, VERSO e RIMA,
Será esse meu intento.

4
O CORDEL surgiu por causa
Da grande necessidade
Dos povos do velho mundo
Praticar a ORALIDADE
Contando os acontecidos
Para o povo da cidade.

5
Naquelas comunidades
Bem poucos sabiam ler
No século dezessete
Era triste de se ver
Pois se ali poucos liam
Pra quê então escrever?

6
Surgiu então o FOLHETO
Que correu o mundo inteiro
Portugal, Espanha, França
Até que um aventureiro
Transportou nas caravelas
Para o solo brasileiro.

7
Chamavam de “Folhas Soltas”
Os FOLHETOS portugueses
Pliegos, Hojas, Corridos,
Na Espanha, e os franceses
“Literatura ambulante”,
E “Canard” os Ingleses.

8
Mesmo com nomes diversos
Em todo canto era igual
Envolviam narrativas
De cunho tradicional
Estórias de valentia
Ou assunto ocasional

9
De além mar, para o Brasil
Em forma de ORALIDADE
Veio aportar no Nordeste
E com a originalidade
Dos poetas sertanejos
Ganhou notoriedade.

10
Desde quando foi trazido
Pelos colonizadores
Lá na Serra do Teixeira
Os primeiros cantadores
Disseminaram a POESIA
Pelo Pajeú das flores.

11
O Vate Agostinho Nunes
Foi do cordel um herdeiro
Com Ugolino Sabugi
Que também foi pioneiro
Junto com o irmão Nicandro
Ambos, filhos do primeiro.

12
Foram os primeiros poetas
Da ala dos cantadores
Que em 1830
Mostraram os seus valores
Do sertão do Moxotó
Até o Pajeú das Flores

13
E o nome de CORDEL
É por causa da maneira
Que na Europa se expunha
Para se vender na feira
E com esse nome o “FOLHETO”
Atravessou a fronteira

14
E o CORDEL ganhou fama
Nas feiras e arruados,
Cidades de interior
Vendas, bodegas, mercados
E pelos cegos das feiras
Era muito recitado

15
Depois, em 1900
Ganhando notoriedade
O CORDEL, que era ouvido
Através da ORALIDADE
Para a gráfica seguiu
Pra se vender na cidade

16
Leandro Gomes de Barros
Foi o grande precursor
Da parte EDITORIAL
Que o CORDEL se transformou
O FOLHETO difundiu-se
Aumentando seu valor

17
João Martins de Ataíde
E Silvino Pirauá
Foram grandes precursores
Da arte de versejar
E o nosso CORDEL então
Viajou lá do Sertão
Até as pancadas do mar.

18
No ano 1900
Na década de 40
O CORDEL sofreu uma queda
Gradual, sofrida e lenta
Por causa da evolução
Dos meios de comunicação
Que o progresso fomenta

19
Televisão e jornal
Radio de pilha e correios
Foram chegando pra o povo
Que não tinha outros meios
E nem de longe sonhavam
Com internet ou emails

20
E das mãos do sertanejo
Nosso CORDEL foi sumindo
Porque o radio e a TV
Na sua casa foi surgindo
Que nem deu pra acreditar!
Ver o progresso acabar
Com um movimento tão lindo!

21
Mas outra duvida tiro
Pois nisso sou menestrel
Vou falar pra todo mundo
Da função e do papel
E dizer de forma clara:
Como é feito o CORDEL:

22
Criaram-se vários tipos
Vários ESTILOS e FORMAS
E pra editar um CORDEL
Existem regras e normas
De 8 a 16 folhas
Existem várias escolhas
E os temas são gerais
E tem também outros lances
Como os CORDÉIS de Romances
Com 30 ESTROFES ou mais

23
O seu assunto varia
De forma bem casual
Estória de aventuras
Lutas do bem contra o mal
Da sina de um Cangaceiro
De penitente, romeiro,
Ou tema circunstancial.

24
É escrito normalmente
Seguindo uma mesma trilha
A DÉCIMA, pouco usada
Ou mesmo a SEPTILHA
Contudo o mais usado
E que ficou consagrado
Foi o gênero: SEXTILHA

25
Alem da RIMA e da forma
Pra compor a EDIÇÃO
Tem algo muito importante
Na sua HARMONIZAÇÃO:
É escrito em sete sílabas
Pra dar METRIFICAÇÃO

26
Sete sílabas poéticas
É o que você vai usar
Para construir seis VERSOS
E para melhor ficar
Os VERSOS 2, 4 e 6
Entre si devem RIMAR

27
Outros formatos de RIMA
A SEXTILHA pode ter
Com rima ABERTA ou FECHADA
Você pode escrever
Contudo o estilo acima
É mais fácil de fazer

28
E é bom logo aprender
Que “VERSO” é cada LINHA
Que “ESTROFE” é o CONJUNTO
De VERSOS de um poeminha
E que RIMANDO, a POESIA,
Vai ficar mais bonitinha

29
Manoel Alexandrino
De Mendonça Serrador
Da ESTROFE de SETE LINHAS
Foi o idealizador
Uma linha a mais na sextilha
Ganhou mais graça e valor

30
SEPTILHA ou SETE PÉS
São SETE VERSOS rimados
A linha 2, 4 e 7
Vão rimar emparelhados
Linha 1 e 3 não rima
A 5 da 6 é prima...
...E tudo METRIFICADO!

31
A DÉCIMA é outro estilo
Que também é muito usado
Com sete silabas poéticas
(Que não tenha “pé quebrado”!)
Mas também vai ficar belo
Dez silabas em “MARTELO”
E se o cabra desejar
12 silabas poéticas
Ou 11 para ter métricas
De GALOPE a BEIRA MAR

32
A sua RIMA varia
Se tiver MOTE ou não
É bem fácil de fazer
Basta prestar atenção:
No esquema A,B,A,B,
C,C,D,E,E,D,
Não vai haver confusão

33
A sua 1ª linha
Deve rimar com a 3ª
Se a 2 com a 4 se alinha
A rima fica certeira
A 5 rima com a 6
E digo mais pra vocês
Que são alunos fieis
Se a 8 e a 9 rimar
Tá bom, e vai melhorar
Se a 7 rimar com a 10.

34
A poesia de dez linhas
É ideal pra usar
Quando alguém dá um MOTE
Para o poeta GLOZAR
Nesse caso nossa décima
Vai sua forma mudar:

35
Com MOTE a 1ª linha
Com a 4 e a 5 tem vez
A 2 vai rimar com a 3
Pra ficar bem casadinha
A 6 e a 7 juntinha
Vai rimar com a linha 10
Aprenda com os menestréis
Que bem melhor vai ficar
Se 8 com 9 rimar
Para o verso de dez pés

36
Existem diversas formas
De fazer verso rimado:
Meia Quadra, Gemedeira,
Quadrão e Mourão Voltado,
Tem baião de Gemedeira,
Parcela, Quadra, Ligeira,
E Martelo Agalopado.

37
Coloque o lápis de lado
E uma folha de papel
Lance mão deste livreto
E se sinta um Menestrel
Use a imaginação
E abra seu coração
Pra escrever “seu” Cordel.

38
E acredite que, na vida
Fazendo as coisas corretas
Não somos só sonhadores
Pois temos planos e metas
Estudar com alegria,
Ler muito e fazer poesia,
Pois o mundo é dos Poetas.

Palavrica divulga Cordel contando histórias na Biblioteca (Rancharia SP)

Fonte: Portal Uniol: www.uniol.com.br

Um atento público infantil acompanhou os espetáculos

O grupo paulistano Palavrica apresentou-se na Biblioteca Municipal Castro Alves no início do mês, pelo programa Viagem Literária.
O grupo trouxe para Rancharia três histórias clássicas da literatura de cordel: Juvenal e o Dragão, Aladim e a Lâmpada Maravilhosa e O Romance do Pavão Misterioso.
Cerca de 250 crianças das escolas do município se encantaram com o envolvente espetáculo dos atores Márcio Maracajá e André Petry.
A dupla encena a contação de história estimulando a imaginação das crianças; mas acima de tudo, além da qualidade do espetáculo está a relevância do trabalho do Palavrica na divulgação da literatura de cordel, uma das mais autênticas manifestações culturais e populares do país.
Márcio Maracajá explica que “o grupo se utiliza de vários tipos de linguagens, as mais marcantes são os recursos de Clown, da Comédia Dell’Arte e a contação de história com a tradição oral”.
Segundo André Petry, outro membro do grupo, nas apresentações em São Paulo, onde é marcante a presença nordestina entre a população, “é grande a identificação do público com a literatura de Cordel”.
O programa, cujo objetivo é estimular o hábito da leitura em crianças e adolescentes, é realizado pela Secretaria de Estado da Cultura em parceria com as prefeituras dos municípios.

André Petry e Márcio Maracajá

Literatura de cordel ganha espaço em São Paulo

Fonte: Jornal do Brasil: www.jb.com.br

Por Marli Moreira

Com a maior concentração no país de nordestinos fora da região de origem, a cidade de São Paulo terá este mês dois grandes movimentos culturais que tentam preservar uma das maiores tradições brasileiras: a literatura de cordel. Até o dia 6 de outubro, ocorre o 1º Festival de Cordel, no Centro de Tradições Nordestinas (CTN), com oficinas, saraus, cinema e palestras, além de um concurso para premiar os 20 melhores trabalhos.

No próximo dia 27, o Movimento Caravana do Cordel vai reunir especialistas para debater o tema no 1º Fórum do Cordel em São Paulo, no auditório da Ação Educativa, no bairro de Vila Buarque, na região central. Mais do que levar cultura e entretenimento, os coordenadores desses dois eventos querem que eles sirvam para chamar a atenção dos educadores sobre a importância do ensino desse gênero literário nas escolas de ensino fundamental e médio.

Ao pé da letra, cordel significa corda pequena. Seu uso para a classificação da literatura vem do costume, introduzido no Brasil pelos portugueses, de pendurar as cartilhas com os escritos em barbantes nos locais onde as obras eram colocadas à venda. Comumente impressos em papéis rústicos, os exemplares ganharam ilustrações em xilogravura entre o final do século 19 e o começo do século 20.

Curador do 1º Festival de Cordel de São Paulo, o jornalista e estudioso da cultura popular Assis Ângelo informou que a ideia de levar o tema para as salas de aula já se tornou realidade no Ceará e no Piauí, e, agora começa a se espalhar pelo estado do Pernambuco.

Ângelo lembra que, antes de chegar ao Brasil, o dramaturgo português Gil Vicente (1465-1536) tornou-se uma referência do cordel. Entre os primeiros nomes de poetas brasileiros consta o do paraibano Leandro Gomes de Barros, que morreu em 1918. Ele inspirou Ariano Suassuna a escrever a peça O Auto da Compadecida. Além de ser publicada em livro, a obra foi para as telas do cinema e da televisão.

Segundo o especialista, a estrofe mais comum do cordel é a de seis versos, cada um deles com sete a 11 sílabas. As rimas não podem faltar. Para Ângelo, é preciso acabar com o preconceito que ainda existe em torno dessa tradição. “Muitos pensam que é uma atividade de analfabetos quando ela inclui, por exemplo, pelo lado erudito, Castro Alves e, pelo lado popular, Patativa do Assaré, que se estivesse vivo estaria hoje com 102 anos”, observou ele.

Patativa do Assaré, nome popular do poeta cearense Antonio Gonçalves da Silva, é autor, entre outros, de poemas como Caboclo Roceiro e Triste Partida, cantada na voz de Luiz Gonzaga em gravação de 1964, e Vaca Estrela e Boi Fubá, musicada na voz de Raimundo Fagner, em 1980.

Já o poeta baiano Castro Alves tem entre os escritos mais famosos o Navio Negreiro, que aborda episódios do sofrimento dos povos africanos trazidos para serem escravizados no Brasil. Um dos trechos diz: “Auriverde pendão de minha terra/Que a brisa do Brasil beija e balança/Estandarte que a luz do sol encerra/E as promessas divinas da esperança.../Tu que, da liberdade após a guerra/Foste hasteado dos heróis na lança/Antes te houvessem roto na batalha, que servires a um povo de mortalha!”

Outro poeta que em alguns momentos recorre a elementos do cordel é Gonçalves Dias. Em Canção do Exílio, ele exalta a riqueza da fauna e flora brasileira: “Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o sabiá/ As aves que aqui gorjeiam/ Não gorjeiam como lá”.

Imagem: prefeitura.sp.gov.br

domingo, 14 de agosto de 2011

Sociólogo defende ensino da literatura de cordel nas escolas

Reproduzido de www.defender.org.br

“O cordel ainda é muito excluído da academia, com algumas exceções", diz sociólogo.

A literatura de cordel tem um papel fundamental na história do Brasil, mas esse gênero ainda é muito desconhecido, lamenta o professor de sociologia Fernando Antônio Duarte dos Santos, o Nando Poeta. Ele coordenará, no próximo dia 27, o 1º Fórum de Cordel em São Paulo, que reunirá acadêmicos, pesquisadores e poetas para debater a importância do ensino dessa arte nas escolas de ensino médio e fundamental.

Nascido no Rio Grande do Norte, Nando Poeta leciona há quatro anos em uma escola estadual da zona sul da capital paulista. Ele é um dos defensores dessa difusão cultural. “O cordel ainda é muito excluído da academia, com algumas exceções, a exemplo da USP [Universidade de São Paulo], que tem uma cadeira para o estudo.” Segundo o professor, mesmo no Nordeste, os espaços ainda são muito fechados.

Para Nando Poeta, o fato de a literatura de cordel estar muito direcionada às temáticas sociais torna ainda mais importante a ampliação de espaços para o ensino desse gênero.

De acordo com o professor, uma das obras de cordel mais requisitadas é a de autoria de José Pacheco: A Chegada de Lampião no Inferno. Um dos trechos diz: “Um cabra de Lampião/Por nome Pilão Deitado/ Que morreu numa trincheira/Em certo tempo passado/Agora pelo sertão/Anda correndo visão/Fazendo mal-assombrado.”

No cinema, o cordel também foi adotado em trabalhos como O Homem Que Virou Suco, filme brasileiro de 1981, dirigido por João Batista de Andrade, e Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha.

Indicação de @silaslimams via twitter

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cultura Popular de luto: Morre o cordelista Zé Saldanha

Fonte: Blog do Oliveira: www.oliveirawanderley.com.br

Cordelista Zé Saldanha morreu hoje aos 93 anos 

Morreu no início da tarde desta terça-feira(9), aos 93 anos de, José Saldanha Menezes Sobrinho, ou simplesmente Zé Saldanha, como gostava  de ser chamado.

Zé Saldanha era o cordelista mais velho em atividade no Rio Grande do Norte e um dos poucos da sua idade exercendo a Literatura de Cordel no Brasil.

Nascido e criado na Fazenda Piató, em Santana dos Matos, mudou-se várias vezes de casa com a família até fixar residência em Natal, mas nunca deixou de ser um matuto sertanejo, ligado as suas raízes.

Zé Saldanha deixou mais de 200 livretos de cordel, livros em prosa, e era um dos únicos cordelistas que ainda mantinha a tradição de publicar anualmente almanaques (livretos onde o cordelista faz previsões sobre o tempo, fornece orientações e informações agrícolas, folclóricas e religiosas baseadas no senso comum), tendo sido citado em inúmeras antologias de cordel.

Zé Saldanha era também o único representante do Rio Grande do Norte na conceituada coleção “Projeto Biblioteca de Cordel”, coordenada pelo escritor Joseph Luyten, da editora paulista Hedra.

O Repórter das Rimas

Zé Saldanha contava que resolveu montar uma sapataria e empregou muita gente. Nesta sapataria, o poeta colocou seu sobrenome, “Calçados Menezes” e dentro das caixas de sapatos, Zé Saldanha colocava uma propaganda que dizia: “Para comprar calçados eu aviso aos meus fregueses/ eu ando de pé descalço, semanas, dias e meses./ Fico até de pé rachado, porém só compro calçados, dentro da fábrica Menezes”.

Zé Saldanha usava seus versos porque naquele tempo não tinha televisão e poucos possuíam um rádio.

Sua reportagem em poesia mais famosa foi a partir de um acidente em Currais Novos, que vitimou 25 pessoas na região.

O acidente aconteceu pela manhã e, à tarde, num local onde não havia nenhum meio de comunicação, Zé Saldanha já tinha um folheto pronto chamado “A verdadeira história do monstruoso acidente em Currais Novos”, contando toda a verdade sobre o acidente. Na época, mais de quatro mil exemplares do cordel foram vendidos.

Além de poeta cordelista, Zé Saldanha criou a Associação Estadual dos Poetas Populares do Rio Grande do Norte (AEPP), em 1975, agregando repentistas, emboladores de coco, aboiadores, glosadores e poetas de cordel, entre outros artistas.

Além disso, em 1979, travou batalha junto ao Ministério do Trabalho pelo reconhecimento da profissão de poeta popular, visando a conquista de direitos trabalhistas para a categoria. Em 1993, foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira dos Estudos do Cangaço (SBEC) e, atualmente, era membro da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN.

Confira um dos poemas de Zé Saldanha:

Matuto no Carnavá
Matuto é matuto mesmo
É matuto de verdade.
Que diabo qu’é matuto
Se enfiando na cidade?
Brincando inté carnavá!
Eu brinquei mas me dei má,
Num conto nem a metade!
(...)
Ela perguntou baixinho:

Você tem algum dinheiro?
Eu disse: Tenho, pru quê?
Ela respondeu ligeiro:
Então me dê preu guardá,
Prus ladrão não lhe robá,
Que aqui só tem marreteiro.
Foi pegando meu dinheiro,

E tratando de correr.
Como quem ia guardá,
Mas se virou prá dizer:
“Qué qui pensa matutão?
Eu num sou Maria não.
Sou Machão qui nem você!”

A LITERATURA DE CORDEL COMO FONTE DE INCENTIVO NO ENSINO DE LITERATURA

Fonte: www.pedagogiaaopedaletra.com

cordel3 300x225 A Literatura de Cordel como Fonte de Incentivo no ensino de Literatura

Autor: Marcos Antonio Pontes

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo identificar e analisar dados sobre uma das competências menos desenvolvidas no ensino de literatura em sala de aula, que é sem dúvida alguma o gênero cordel, que pode ser uma boa oportunidade do aluno ter um contato com a experiência cultural que emanar desta literatura e toda sua riqueza expressiva, quanto à articulação de várias linguagens – verbal oral, verbal escrita, musical e visual e quanto aos diversificados temas que o aborda.

Podemos assim conhecer, valorizar e respeitar a multiculturalidade própria do nosso país e os significados e coletividades, experiências comunitárias, e o imaginário do folclore, presente na produção do cordel. Além disso, é bem interessante discutir com os alunos como a literatura de cordel, até por sobrevivência acaba de incorporar inovações da industrial cultural o que a torna mais rica e diversificada.

1. INTRODUÇÃO

É muito rica e diversificada a produção cultural de um povo; mas o nordestino é especial. No entanto, talvez o nosso maior problema seja a não valorização daquilo que temos. É mais propício aceitar o que a mídia propõe do que explorar o que está em nosso dia-a-dia.

A literatura de cordel é exatamente isso – cultura popular. Os versos estão sempre relatando acontecimentos, fatos políticos, artísticos, lendários, folclóricos ou pitorescos da vida como ela realmente é. Sua produção é simples como o povo; não requer tanto “estilísmo” ou “formalidades”; sua abrangência alcança todos as classes sociais. Assim, o que falta é o reconhecimento e a valorização. Ao propor este trabalho para os alunos em sala de aula, estaremos oferecendo um leque de recursos que os ajudarão em várias carências de aprendizagem, como a produção textual, a leitura, a escrita, a linguagem não verbal (na análise da xilogravura), apreciação artístico-literária e um universo para a socialização e cidadania, principalmente, no campo da Literatura.

É um campo de estudo pedagógico onde os professores terão subsídios – didáticos para trabalhar vários tipos de conteúdos, pois estes podem ser adotados aos objetivos que forem traçados. Ao mesmo tempo é uma oportunidade para que este ramo da literatura popular tenha uma chance de aceitação e valorização; fazendo despertar entre as pessoas o gosto pela preservação dos nossos artistas e da cultura nordestina nas escolas.

1.1. OBJETIVOS

1.1.1. Objetivo Geral.

Proporcionar a escola e ao professor a inclusão da Literatura de Cordel em sala de aula para que se estabeleçam propostas para a difusão dessa arte literária entre os alunos, fazendo com que se promova a qualidade da leitura, o traço forte da oralidade, presente nas falas dos personagens populares (sertanejos, brejeiros, …) e a elaboração textual focalizando bem como a história do cordel a vida e a obra de grandes cordelistas para que possa conhecer esta riquíssima expressão literária popular .

1.1.2. Objetivos Específicos.

Conhecer uma rica manifestação da nossa literatura (nordestina) caracterização de valores pedagógicos (leitura, escrita e métrica dos versos) na utilização do cordel.

Possibilitar o aluno o conhecimento da linguagem cordelista, enfocando a cultura nordestina em prol da valorização das nossas raízes.

Promover uma aproximação do aluno com a cultura popular nordestina.

Estimular um olhar crítico e simultaneamente poético sobre a realidade sertaneja.

cordel2 A Literatura de Cordel como Fonte de Incentivo no ensino de Literatura

1.2 . JUSTIFICATIVA

Sabe-se que o contexto educacional, desde os tempos mais remotos, vem sempre relutando em relação ao ensino-aprendizagem, ou seja constates mudanças em prol da aprendizagem, porém ainda a de melhorar eis o que o aluno de hoje não tem a capacidade de interpretar ou discutir o que esta lendo e de que se trata o texto.

Diante dessa questão e considerando ainda o “contexto educacional”; esse trabalho tem como justificativa reconhecer a diversidade cultural e lingüística do país, conforme avalia Maria José em seu artigo da revista “Nova Escola” sobre o incentivo da literatura de cordel,

“… utilizei a literatura de cordel e textos de Patativa do Assaré para quebrar preconceitos da língua portuguesa., “Mostre a seu alunos que a língua popular muitas vezes e ridicularizada porque o povo é discriminado”, afirma a professora . peça que eles descubram a regra desses versos, que fogem do padrão institucionalizado. Trabalhando com músicas de Luiz Gonzaga, fã confesso de Lampião, também poder ser bons matérias para ilustrar a vida do povo nordestino. Coloque música do rei do baião para seus alunos ouvirem e dançarem . “É um reconhecimento da diversidade cultural e lingüística do pais’.

Assim sendo, e considerado o que foi expresso acima, a literatura de cordel é um assunto interessante e de grande importância para nossa região, pois todo ser humano tem necessidade de conhecer suas origens, o passado, sua história , a cultura e os costumes da sociedade onde vive, de sua região.

A literatura de cordel nas escolas não é muito conhecida nem explorada, pois a mesma e vista de forma avessa pelos os alunos, não trazem consigo o sabor de que “Literatura é vida, é arte” devido essa percepção a respeito da falta de divulgação e conhecimento sobre literatura de cordel nas salas de aulas , tornou-se necessário que os alunos conheçam a riqueza que existe nos versos da literatura da cordel para que possam produzi textos, enriquecer como leitor e conhecer uma das mais ricas manifestações da língua.

1.3. METODOLOGIA

  • Propor aos alunos uma oficina de literatura, utilizando o cordel, como estudo.
  • Estudar o cordel, a origem, a historia, a métrica.
  • Desenvolver um projeto “resgatando o cordel” para ser apresentado em sala de aula.
  • Assistir vídeos onde a linguagem utilizada seja em forma de cordel.
  • Utilizar filme “A Quenga e o Delegado” inspirado no cordel de Antonio Kelvisson Vianna de Lima, onde mostra a linguagem do cordel, narrativa estrutura em versos e rimas e assim desenvolver o interesse do aluno sobre a linguagem cordelista.
  • Aproveitar o teor do filme “A Quenga e Delegado” para fazer um painel enfocando questões como a seca, condições de trabalho no campo, diferença social, as crenças populares, a religiosidade do sertanejo, o mito, o lendário e a vinculação de críticas sociais e políticas. A temática principal deste gira em torno do interesse popular.

2. BASE TEORICA.

2.1 A origem da literatura de cordel.

Do romanceiro popular português originou-se a literatura de cordel começou a ser divulgada nos séculos XVI e XVII, trazida pelos colonos portugueses cuja venda era privilégio dos cegos . A partir do século XIX o romanceiro nordestino tornou-se independente, com característica própria, esse nome surgiu a partir de um cordel ou barbante em que os folhetos eram pendurados em exposição. Na origem, a literatura de cordel se liga à divulgação de histórias tradicionais, narrativas de épocas passadas que a memória popular conservou e transmitiu. Essas narrativas enquadram-se na categoria de romance de cavalaria, amor, guerras, viagem ou conquista marítimas. Mais tarde apareceram no mesmo tipo de poesia a descrição de fatos recentes e de acontecimentos sociais contemporâneos que prendiam a atenção da população.

Na Espanha, o mesmo tipo de literatura popular era chamada de “pliegos sueltos“, o corresponde em Portugal, às folhas volantes, folhas soltas ou literatura de cordel. No México, na Argentina, na Nicarágua e no Peru há o corrido, compõe-se em geral de dois grupos: os de romance tradicionais, com temas universais de amor e morte, classificados em profanos, religiosos e infantis; e oscorridos nacionales, com assuntos patrióticos e políticos estes últimos os menos cantados.

Na França, o mesmo fenômeno corresponde á “litteratue de colportage“, literatura volante , mais dirigida ao meio rural, através do “occasionnels”, enquanto nas cidades prevalecia o “canard“.

Na Inglaterra os folhetos são semelhantes aos nossos eram correntes e denominados “cockes” ou “catchpennies”, em relação aos romances e estórias imaginarias; e “broadsiddes” relativos às folhas volantes sobres fatos históricos , que equivaliam aos nossos folhetos de motivação circunstaciais. Os chamados folhetos de época ou “acontecidos“.

Na Alemanha, os folhetos tinham formato tipógrafos em quarto e oitavo de quatro e a dezesseis folhas. Editados em tipografias avulsas, destinavam-se ao grande público, sendo vendidos em mercados, feiras, tabernas, diante das igrejas e universidades. Suas capas (exatamente como ainda hoje , no Nordeste brasileiro) traziam xilogravuras, fixando aspectos do tema tratado. Embora a maioria dos folhetos germânicos fosse em prosa, outros apareciam em versos, inclusive indicação, no frontispício, para ser cantado com melodia conhecida da época.

No Brasil não mais se discute a literatura de cordel, nos chegou através dos colonizadores lusos, em “folhas soltas” ou “manuscritos“. Só mais tarde, com o aparecimento das pequenas tipografias, fins do século passado a literatura de cordel se fincou raízes sobretudo no Nordeste justamente para provar que é uma literatura bem popular, surgem também os chamados repentistas, que criam as letras na hora, de acordo com o pedido da platéia que lhes dão o assunto, e os cantadores obedecem geralmente cantam em dupla, e esses tem revelado os escândalos sociais e políticos e econômicos que nos últimos anos têm nos castigados.O cordel uma das peculiaridades da cultura regional.

A custa de muita luta, tanto os que cantam como os que escrevem o cordel, tem sobrevivido. Graças à vontade de fazer algo diferente o cordel tem rompido barreiras que pareciam intransponíveis, para poder ocupar o lugar que esta sendo habitado por coisas que não são do nosso pais.

2.2. Literatura de Cordel.

Os folhetos de cordel brasileiro, com seus múltiplos temas e expressiva forma de composição poética, têm sido objetos de estudo para pesquisadores do nosso país e também estrangeiros. Os textos de cordel poeticamente estruturados tendo como a sextilha como estrofe básica, são ilustrados com xilogravuras , chichês de cartões postais, fotografias, desenhos e outras composições gráficas e oferecem farto material para pesquisas ensejando variadas interpretações que remetem para o contexto sócio-cultural em que se inserem cada texto. Assim, os folhetos sobre os mais diversos temas, tradicionais ou contemporâneos são versejados por inúmeros poetas populares, estabelecendo-se relações icônico-textuais significativas, ou outras intratextuais.

Como se sabe , esta riquíssima e sugestiva expressão literária popular, que encontrou campo fértil campo no Nordeste brasileiro, só pode ser bem compreendido dentro do contexto cultural mais amplo, envolvendo suas origem européia ou orientais, até a produção atual, de modo a se ter uma visão mais ampla dos seus temas e formas de expressão e das transformações por que vêm passando, no nível da estrutura da narrativa.

Literatura de cordel é o nome desse meio de oferece literatura popular, originou-se no fato dos vendedores, dependurarem pequenos livrinho em barbantes ou cordões, geralmente confeccionados nos tamanhos de 11x15cm ou 11×17 cm e, de papel de baixa qualidade, e tinham suas capas com ilustrada com xilogravuras na década de 20e anos 30 e 50, surgiam as capas com fotos de estrelas do cinemas americano. Atualmente, ainda o mesmo formato, embora possam ser encontradas em outros tamanhos. Quanto à impresão substituindo a tipografia do passado, hoje também são usadas as fotocópias, é comum encontrar os vendedores colocá-los em cima de caixotes ou esteiras, nas calçadas. Esses vendedores também costumam aparecer em feiras semanais. A literatura de cordel esta dividida em três tipos: folhetos que contenham oito páginas, romance que possuem de dezesseis a vinte e quatro páginas; e estórias de trintas e dois a quarenta e oito páginas.

De um modo geral, sua apresentação gráfica é bastante modesta, pois o preço é baixo, uma vez que se destina a camada mais baixa da população.

Esses livros narram os mais diversos assuntos, desde estórias de amor, as aventuras de cangaceiros e acontecimentos importantes, na tentativa de melhor vender sua mercadoria, costuma o vendedor ler em voz alta o conteúdo do livro para depois oferecê-lo aos prováveis compradores, os temas apresentados nesses livros aparecem em prosa ou em versos, sendo bastante comum esta forma, conforme também descreve em estrofes, Francisco Ferreira Filho Diniz em seu cordel “o que é literatura de cordel?” (ver anexo)

2.3 Xilogravura.

A xilogravura – arte de gravar em madeira – é de provável origem chinesa, sendo conhecida desde o século VI. No Ocidente, ela já se afirma durante a Idade Média, através das iluminuras e confecções de baralhos. Mas até ai, a xilogravura era apenas técnica de reprodução de cópias. Só mais tarde é que ela começa a ser valorizada como manifestação artística em si. No século XVIII, chega à Europa nova concepção revolucionária da xilografia: as gravuras japonesas a cores. Processo que só se desenvolveu no Ocidente a partir do século XX. Hoje, já se usam até 92 cores e nuanças em uma só gravura.

Aspecto de grande importância do Cordel é, sem dúvida, a xilogravura de suas capas. Sabe-se que o cordel antigo não trazia xilogravuras. Suas capas eram ilustradas apenas com vinhetas – pobres arabescos usados nas pequenas tipografias do interior nordestino. A partir da década de trinta, surgiram folhetos trazendo nas capas clichês de artistas de cinema, fotos de postais, retratos de Padre Cícero e Lampião. As xilogravuras ou “tacos”, como ainda hoje preferem chamar os artistas populares, usando madeiras leves, como umburana, pinho, cedro, cajá.

Na xilogravura, a resistência – maior ou menor – da madeira sofre transformações. Criam-se na madeira novos veios, outra trama. Fibras nascentes vão compondo vãos e cortes abertos pala goiva. Essas fibras nevrálgicas – amalgamadas ao branco do papel – compõem com ele os ritmos das fibras insurgentes, a contrastar com o filamento negro ou colorido da impressão. Integrada ao papel, a cor negra adquire valores de especiais. O negrume e a coloração registram uma urdidura única, inexistente na natureza. As xilogravuras são ilustrações populares obtidas por gravuras talhadas em madeiras, muito difundidas no Nordeste e sempre associadas à Literatura de Cordel, uma vez que a partir do final do Século XIX passam a ser utilizadas na produção da capas dos folhetos.

Anteriormente, a xilogravura tinha uso considerado “menos nobre”, como a confecção de rótulos de garrafas de cachaça e outros produtos. Sua grande popularidade veio com o cordel .

A origem da xilogravura nordestina até hoje é ignorada. Acredita-se que os missionários portugueses tenham ensinado sua técnica aos brasileiros, como uma atividade extra – catequese, partindo do principio religioso que defende a necessidade de ocupar as mãos para que a mente não fique livre, de maus pensamentos, ao pecado.

2.4. A estrutura da Métrica.

A evolução da literatura de cordel no Brasil não ocorreu de maneira harmoniosa. A oral, precursora da escrita, engatinhou penosamente em busca de forma estrutural. Os primeiros repentistas não tinham qualquer compromisso com a métrica e muito menos com o número de versos para compor as estrofes. Alguns versos alongavam-se inaceitavelmente, outros, demasiado breves. Todavia, o interlocutor respondia rimando a última palavra do seu verso com a última do parceiro, mais ou menos assim:

Repentista A – O cantor que pegá-lo de revés
Com o talento que tenho no meu braço…
Repentista B – Dou-lhe tanto que deixo num bagaço
Só de murro, de soco e ponta-pés.

2.4.1 Parcela ou verso Parcela ou Verso de quatro sílabas

A parcela ou verso de quatro sílabas é o mais curto conhecido na literatura de cordel. A própria palavra não pode ser longa do contrário ela sozinha ultrapassaria os limites da métrica e o verso sairia de pé quebrado. A literatura de cordel por ser lida e ou cantada é muito exigente com questão da métrica. Vejamos uma estrofe de versos de quatro sílabas, ou parcelas.

Eu sou judeu
Para o duelo
Cantar martelo
Queria eu
O pau bateu
Subiu poeira
Aqui na feira
Não fica
Queimo a semente
Da bananeira.

Quando os repentistas cantavam parcela (sim, cantavam, porque esta modalidade caiu em desuso), os versos brotavam numa seqüência alucinante, cada um querendo confundir mais rápida mente o oponente. Esta modalidade é pré-galdiniana, não se conhecendo seu autor.

2.4.2 Verso de cinco sílabas

Já a parcela de cinco sílabas é mais recente, e não há registro de sua presença antes de Firmino Teixeira do Amaral, cunhado de Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo. A parcela de cinco sílabas era cantada também em ritmo acelerado, exigindo do repentista, grande rapidez de raciocínio. Na peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, da autoria de Firmino Teixeira do Amaral, encontramos estas estrofes:

Pretinho:
no sertão eu peguei
um cego malcriado
danei-lhe o machado
caiu, eu sangrei
o couro tirei
em regra de escala
espichei numa sala
puxei para um beco
depois dele seco
fiz dele uma mala

Cego:
Negro, és monturo
Molambo rasgado
Cachimbo apagado
Recanto de muro
Negro sem futuro
Perna de tição
Boca de porão
Beiço de gamela
Venta de moela
Moleque ladrão

Estas modalidades, entretanto, não foram as primeiras na literatura de cordel. Ao contrário, ela vieram quase um século depois das primeiras manifestações mais rudimentares que permitiram, inicialmente, as estrofes de quatro versos de sete sílabas.

2.4.3 – Estrofes de quatro versos de sete sílabas

O Mergulhão quando canta
Incha a veia do pescoço
Parece um cachorro velho
Quando está roendo osso.

Não tenho medo do homem
Nem do ronco que ele tem
Um besouro também ronca
Vou olhar não é ninguém

A evolução desta modalidade se deu naturalmente. Vejamos a última estrofe de quatro versos acrescida de mais dois, formando a nossa atual e definitiva sextilha:

Meu avô tinha um ditado
meu pai dizia também:
não tenho medo do homem
nem do ronco que ele tem
um besouro também ronca
vou olhar não é ninguém.

2.4.5 - Sextilhas

Agora, de posse da técnica de fazer sextilhas, e uma vez consagradas pelos autores, esta modalidade passou a ser a mais indicada para os longos poemas romanceados, principalmente a do exemplo acima, com o segundo, o quarto e o sexto versos rimando entre si, deixando órfãos o primeiro, terceiro e quinto versos. É a modalidade mais rica, obrigatória no início de qualquer combate poético, nas longas narrativas e nos folhetos de época. Também muito usadas nas sátiras políticas e sociais. É uma modalidade que apresenta nada menos de cinco estilos: aberto, fechado, solto, corrido e desencontrado. Vamos, pois, aos cinco exemplos:

Aberto:
Felicidade, és um sol
dourando a manhã da vida,
és como um pingo de orvalho
molhando a flor ressequida
és a esperança fagueira
da mocidade florida.

Fechado:
Da inspiração mais pura,
no mais luminoso dia,
porque cordel é cultura
nasceu nossa Academia
o céu da literatura,
a casa da poesia.

Solto:
Não sou rico nem sou pobre
não sou velho nem sou moço
não sou ouro nem sou cobre
sou feito de carne e osso
sou ligeiro como o gato
corro mais do que o vento.

Corrido:
Sou poeta repentista
Foi Deus quem me fez artista
Ninguém toma o meu fadário
O meu valor é antigo
Morrendo eu levo comigo
E ninguém faz inventário

Desencontrado:
Meu pai foi homem de bem
Honesto e trabalhador
Nunca negou um favor
Ao semelhante, também
Nunca falou de ninguém
Era um homem de valor.

2.4.6 – Setilhas

Uma prova de que as setilhas são uma modalidade relativamente recente está na ausência quase completa delas na grande produção de Leandro Gomes de Barros. Sim, porque pela beleza rítmica que essas estrofes oferecem ao declamador, os grandes poetas não conseguiram fugir à tentação de produzi-las. Para alguns, as setilhas, estrofes de sete versos de sete sílabas, foram criadas por José Galdino da Silva Duda, 1866 – 1931. A verdade é que o autor mais rico nessas composições, talvez por se tratar do maior humorista da literatura, de cordel, foi José Pacheco da Rocha, 1890 – 1954. No poema A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO, do inventivo poeta pernambucano, encontram estas estrofes:

Vamos tratar da chegada
quando Lampião bateu
um moleque ainda moço
no portão apareceu.
- Quem é você, Cavalheiro -
- Moleque, sou cangaceiro -
Lampião lhe respondeu.

- Não senhor – Satanás, disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora
e já estou com vontade
de mandar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.

Moleque não, sou vigia

e não sou o seu parceiro
e você aqui não entra
sem dizer quem é primeiro
- Moleque, abra o portão
saiba que sou Lampião
assombro do mundo inteiro.

Excelente para ser cantada nas reuniões festivas ou nas feiras, esta modalidade é, ainda hoje, muito usada pelos cordelistas. Esta modalidade é, também, usada em vários estilos de mourão, que pode ser cantado em seis, sete, oito e dez versos de sete sílabas. Exemplos:

Cantador A
- Eu sou maior do que Deus
maior do que Deus eu sou

Cantador B
- Você diz que não se engana
mas agora se enganou
Cantador A
- Eu não estou enganado
eu sou maior no pecado
porque Deus nunca pecou.

Ou com todos os versos rimados, a exemplo das sextilhas explicadas antes:

Cantador A -
Este verso não é seu
você tomou emprestado
Cantador B -
Não reclame o verso meu
que é certo e metrificado
Cantador A -
Esse verso é de Noberto
Se fosse seu estava certo
como não é está errado.

2.4.7 – Oito pés de quadrão ou Oitavas

Os oito pés de quadrão, ou simplesmente oitavas, são estrofes de oito versos de sete sílabas. A diferença dessas estrofes de cunho popular para as de linha clássica é apenas a disposição das rimas. Vejam como o primeiro e o quinto versos desta oitava de Casimiro de Abreu (1837 – 1860) são órfãos:

Como são belos os dias
Do despontar da existência
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar – é lago sereno,
O Céu – Um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida um hino de amor.

Na estrofe popular aparecem os primeiros três versos rimados entre si; também o quinto, o sexto e o sétimo, e finalmente o quarto com o último, não havendo, portanto um único verso órfão. Assim:

Diga Deus Onipotente
Se é você, realmente
Que autoriza, que consente
No meu sertão tanta dor
Se o povo imerso no lodo
apregoa com denodo
que seu coração é todo
De luz, de paz e de amor.

2.4.8 – Décimas

As décimas, dez versos de sete sílabas, são, desde sua criação no limiar do nosso século, as mais usadas pelos poetas de bancada e pelos repentistas. Excelentes para glosar motes, esta modalidade só perde para as sextilhas, especialmente escolhidas para narrativas de longo fôlego. Ainda assim, entre muitos exemplos, as décimas foram escolhidas por Leandro Gomes de Barros para compor o longo poema épico de cavalaria A BATALHA DE OLIVEIROS COM FERRABRAZ, baseado na obra do imperador francês Carlos Magno:

Eram doze cavalheiros
Homens muito valorosos
Destemidos, corajosos
Entre todos os Guerreiros
Como bem fosse Oliveiros
um dos pares de fiança
Que sua perseverança
Venceu todos os infiéis
Eram uns leões cruéis
Os doze pares de França.

2.4.9 – Martelo Agalopado

O Martelo agalopado, estrofe dez versos de dez sílabas, é uma das modalidades mais antigas na literatura de cordel. Criada pelo professor Jaime Pedro Martelo (1665 – 1727), as martelianas não tinham, como o nosso martelo agalopado, compromisso com o número de versos para a composição das estrofes. Alongava-se com rimas pares, até completar o sentido desejado. Como exem plo, vejamos estes alexandrinos

“Visitando Deus a Adão no Paraíso
achou-o triste por viver no abandono,
fê-lo dormir logo um pesado sono
e lhe arrancou uma costela, de improviso
estando fresca ficou Deus indeciso
e a pôs ao Sol para secar um momento
mas por causa, talvez dum esquecimento
chegou um cachorro e a carregou,
nessa hora furioso Deus ficou
com a grande ousadia do animal
que lhe furtara o bom material
feito para a construção da mulher,
estou certo, acredite quem quiser
eu não sou mentiroso nem vilão,
nessa hora correu Deus atrás do cão
e não podendo alcançar-lhe e dá-lhe cabo
cortou-lhe simplesmente o meio rabo
e enquanto Adão estava na trevas
Deus pegou o rabo do cão e fez a Eva.”

Com tamanha irresponsabilidade, totalmente inaceitável na literatura de cordel, o estilo mergulhou, desde o desaparecimento do professor Jaime Pedro Martelo em 1727, em completo esquecimento, até que em 1898, José Galdino da Silva Duda dava à luz feição definitiva ao nosso atual martelo agalopado, tão querido quanto lindo. Pedro Bandeira não nos deixa mentir:

Admiro demais o ser humano
que é gerado num ventre feminino
envolvido nas dobras do destino
e calibrado nas leis do Soberano
quando faltam três meses para um ano
a mãe pega a sentir uma moleza
entre gritos lamúrias e esperteza
nasce o homem e aos poucos vai crescendo
e quando aprende a falar já é dizendo:
quanto é grande o poder da Natureza.

Há, também, o martelo de seis versos, como sempre, refinado, conforme veremos nesta estrofe:

Tenho agora um martelo de dez quinas
fabricado por mãos misteriosas
enfeitado de pedras cristalinas
das mais raras, bastante preciosas,
foi achado nas águas saturninas
pelas musas do céu, filhas ditosas.

2.4.10 – Galope à Beira Mar

Com versos de onze sílabas, portanto mais longos do que os de martelo agalopado, são os de galope à beira mar, como estes da autoria de Joaquim Filho:

Falei do sopapo das águas barrentas
de uma cigana de corpo bem feito
da Lua, bonita brilhando no leito
da escuridão das nuvens cinzentas
do eco do grande furor das tormentas
da água da chuva que vem pra molhar
do baile das ondas, que lindo bailar
da areia branca, da cor de cambraia
da bela paisagem na beira da praia
assim é galope na beira do mar.

Logicamente que há o galope alagoano, à feição de martelo agalopado, com dez versos de dez sílabas cuja diferença única é a obrigatoriedade do mote: “Nos dez pés de galope alagoano”.

2.4.11 – Meia Quadra

Outra interessante modalidade é a Meia Quadra ou versos de quinze sílabas. Não sabemos porque se convencionou chamar de meia quadra, quando poderia, muito bem, se chamar de quadra e meia ou até de quadra dupla. As rimas são emparelhadas e os versos, assim compostos:

Quando eu disser dado é dedo você diga dedo é dado
Quando eu disser gado é boi você diga boi é gado
Quando eu disser lado é banda você diga banda é lado
Quando eu disser pão é massa você diga massa é pão

Quando eu disser não é sim você diga sim é não
Quando eu disser veia é sangue você diga sangue é veia
Quando eu disser meia quadra você diga quadra e meia
Quando eu disser quadra e meia você diga meio quadrão.

A classificação da literatura de cordel há sido objeto da preocupação dos chamados iniciados, pesquisadores e estudiosos. As classificações mais conhecidas são a francesa de Robert Mandrou, a espanhola de Julio Caro Baroja, as brasileiras de Ariano Suassuna, Cavalcanti Proença, Orígenes Lessa, Roberto Câmara Benjamin e Carlos Alberto Azevedo. Mas a classificação autenticamente popular nasceu da boca dos próprios poetas.

No limiar do presente século, quando já brilhava intensamente à luz de Leandro Gomes de Barros, fluía abundante o estro de Silvino Pirauá e jorrava preciosa a veia poética de José Galdino da Silva Duda. Esses enviados especiais passaram a dominar com facilidade a rima escorregadia, amoldando, também, no corpo da estrofe o verso rebelde. Era o início de uma literatura tipicamente nordestina e por extensão, brasileira, não havendo mais, nos nossos dias, qualquer vestígio da herança peninsular.

Atualmente a literatura de cordel é escrita em composições que vão desde os versos de quatro ou cinco sílabas ao grande alexandrino. Até mesmo os princípios conservadores defendidos pelos nossos autores ortodoxos referem-se a uma tradição brasileira e não portuguesa ou espanhola. Os textos dos autores contemporâneos, apresentam um cuidado especial com a uniformização ortográfica, com o primor das rimas, com a beleza rítmica e com a preciosidade sonora.

2.5 As diferenças entre repente, literatura de cordel e embolada.

Repente: no Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – ou seja, poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas para cantar os seus versos. Eles aparecem nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, esse ultimo se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos “de repente”, em um desafio com outro cantador, não importa a beleza da voz ou afinação o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o adversário apenas com a força do discurso.

A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: temos a sextilha (estrofe de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima com o quarto e sexto), a sepetilha (sete versos em que o primeiro e o terceiro são livres, o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rima com o sexto) e variações mais complexas com o martelo, o martelo alagoano, o galope beira mar e tantas outras. O instrumento desses improvisos cantados também variam: daí que o gênero pode ser subdivididos em emboladas (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas com a voz) e a cantoria de viola.

Cordel: A literatura de cordel é assim chamada pela forma como são vendidos os folhetos pendurados em barbantes (cordões) nas feiras, mercados, praças e bancas de jornais, principalmente nas cidades do interior e nos subúrbios das grandes cidades. Essa denominação foi dada pelos intelectuais e é como aparece em alguns dicionários. O povo se refere a literatura de cordel apenas como folheto.

Embolada: Canto geralmente improvisado com refrão fixo para o desafio de dois emboladores que se “enfrentam” de maneira semelhante aos repentistas da viola – a diferença é que, na embolada, o instrumento é o pandeiro. Muito comum no litoral nordestino. “A briga” se dá em forma de sextilha. Também é comum um único embolador se apresentar para uma roda de curiosos – neste caso, o poeta usa seus versos para satirizar a platéia, mas sem agredi-la, e pedir dinheiro.

“A história de Joana”


Preste atenção, amigo
Na história que eu vou contar
Não aconteceu comigo
Mas você pode se identificar
Trata-se de um amor não correspondido
Uma paixão de matar…
Era uma vez uma menina
Seu nome era Joana
Por todos era querida
Menos pelo menino que ama
Ela muito sofria
Porém ele não a correspondia
Ela fazia de tudo
Mas ele não a notava
Suas amigas diziam para esquecer
O menino que tanto amava
Mas ela não conseguia
Tirá-lo do coração
Toda vez que o via
Suspirava de emoção
Ele a ignorava
E ela morria de paixão
E um dia então
Ela resolveu se declarar
Falar pra ele quanto o amava
Já não agüentava mais se calar
Foi cheia de esperança
Se ele quisesse namorar. Ficar
Pelo menos tentar
Para ver no que dá
Chegou acanhada
A vergonha teve que engolir
Quando ela terminou
Ele postou-se a rir
E para todos falou
“Olhem só essa garota
O que veio me dizer
Que me ama imensamente
Ora, tenho mais o que fazer
Saia logo daqui
Posso ter melhores que você”
Todos riram dela
E Joana começou a chorar
Foi saindo de fininho
Andando bem devagar
Ela queria para sempre
Aquela cena apagar
Mas não conseguiu esquecer
A humilhação que passou
Um ódio começou a nascer
E então ela se vingou
Uma raiva enorme tomou conta
No lugar daquele amor
No outro dia, no intervalo
Todo mundo se calou
Quando ela apareceu
Uma arma sacou
E apontara para Mateus
O menino que tanto amou
Aos prantos começou a gritar
Estavam todos espantados
Não sabiam o que falar
Ela, então, começou a se pronunciar
Falou alto e claro e em claro tom
Para que todos pudessem escutar
Todos guardaram suas palavras
As quais irei lhes relatar
“Posso não ser o que você espera
Mais sou muito mais do que merece
Me arrependo por tê-lo amado tanto
Um garoto que não vale uma lágrima do meu pranto
Você me fez de idiota
Eu, a menina que mais lhe amou
Agora, olhe sua condição
Sua vida está em minha mão”
Mateus não sabia o que fazer
Mais não teve tempo para pensar
Joana não o perdoou.


2.6 A história da literatura de cordel no Nordeste.

Os folhetos de cordel, com seus múltiplos temas e como se sabe esta riquíssima e sugestiva expressão literária popular que se encontrou fértil campo no nordeste brasileiro, espirada na literatura francesa Colportage, nos romances e pliegos sueltos hibéricos e na própria literatura de cordel portuguesa a nossa de literatura de folhetos (ou de cordel) nasceu e desenvolveu-se no nordeste brasileiro, cantando as sagas e a sabedoria do povo sertanejo. Atualmente, esta manifestação popular pode ser encontrada em diversos pontos do país, sempre incentivada pela comunidade nordestina.

O primeiro folheto que se tem noticia foi publicado na Paraíba por Leandro Gomes de Barros, em 1893, acredita-se que outros poetas tenham publicado antes, como Silvino Pirauá de Lima, mas a literatura de cordel começou mesmo a se popularizar no inicio deste século. As primeiras tipografias se encontravam no Recife e logo surgiram outras na Paraíba, na Capital e em Guarabira. João Melquiades da Silva, de Bananeiras, é um dos primeiros poetas populares a publicar na tipografia popular Editor, em João Pessoa.

Contrariando a austera do alto grau de analfabetismo, a popularização da Literatura de Cordel no Nordeste se deu mais pelo esforço pessoal dos poetas cordelistas, fora dos círculos culturais acadêmicos, contando suas histórias nas feiras e praças, muitas vezes ao lado de musicas. Os folhetos eram expostos em barbantes, ou amontuados no chão, despertando a atenção do matuto que se acostumou a ouvir os temas da literatura popular de cordel em suas idas às feiras, verdadeiras festas para o povo do sertão, nas quais podiam, além de fazer compras e vender produtos, divertir-se e se inteirar dos assuntos políticos e sociais.

Pode-se falar em Literatura de Cordel como um conjunto de autores, obras e publico. O poeta cordelista, na maioria das vezes de origem humilde e proveniente do meio rural, migrava para os grandes centros urbanos onde passava a tirar seu sustento da venda dos folhetos, chegando, algumas vezes, a funções de tipógrafo e editor. Neste contexto, ele se tornava verdadeiro mediador das concepções das classes populares nordestinas, já que compartilhava a mesma ideologia e valores de seu público.

Os folhetos, confeccionados em sua maioria no tamanho 15 a 17cm x 11cm e, em geral, impresso em papel de baixa qualidade, tinham suas capas ilustradas com xilogravuras na década de 20, em substituição as vinhetas. Já nos anos 30 a 50, surgiram as capas com fotos de estrelas de cinema americano. Atualmente ainda mantém o mesmo formato, porém são encontrados outros maiores. Quanto à impressão, substituído a tipografia do passado, hoje são usadas as fotocópias.

Os temas da Literatura de Cordel são muito estudados por folcloristas, sociólogos e antropólogos que chegam a apresentar conclusões polemicas e algumas vezes contraditórias quanto a sua classificação. Detalhes a parte, quanto a varias propostas, os folhetos se dividem entre os assuntos descritivos e os narrativos. È no primeiro grupo que estão incluídos os folhetos de conselhos, eras, corrupção, profecias e de discussão, que guardam um certo parentesco em si, por encerrem uma mensagem moralista freqüentemente ligada a uma ética e a uma sabedoria sertaneja.

Nesta área multiplica-se as histórias que trazem como pano de fundo a vida dura do campo cheia de sofrimentos, mais alheia aos desmartelos do mundo moderno e urbano. Também se encaixam nos folhetos descritivos as pelejas entre cantadores e poetas, as personalidades da cidade e da política (muitas vezes encomendadas pelos próprios políticos em época de eleição), os temas de louvação ou critica, os religiosos contando preconceitos e virtudes católicas, as biografias ou milagres dos santos e de figuras como Padre Cícero e Frei Damião. Há ainda os de gracejos de acontecimentos reais e imaginários, de bravura e valentia como os feitos de Lampião, Antonio Silvino e Pedro Malasarte, entre outros que a literatura popular transformam bandidos em heróis.

As características gráficas e temáticas dos folhetos podem variar de acordo com o deslocamento da área de atuação do poeta que muitas vezes se depara com um publico de concepção e comportamento diferente do matuto nordestino.

Ao falar de literatura de cordel no nordeste não se pode esquecer de Antonio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré, referencia no município em que nasceu. Analfabeto “sem saber as letras onde mora”, como diz num de seus poemas, sua projeção em todo Brasil se iniciou na década de 50, a partir da regravação de “Triste Partida”, toada de repente gravada por Luis Gonzaga (ver anexo).

Sua imaginação poética serviu vassala a denunciar injustiças sociais, propagando sempre a consciência e a perseverança do povo nordestino que sobrevive e dá sinais de bravura ao resistir às condições climáticas e políticas desfavoráveis. A esse fato se refere à estrofe da música Cabra da Peste.

“Eu sou de uma terra que o povo padece
Mas não esmorece e procura vencer.
Da terra querida, que alinda cabocla
De riso na boca zomba no sofrê
Não nego meu sangue, não nego meu nome.
Olho para a fome, pergunto: que há?
Eu sou brasileiro, filho do Nordeste,
Sou cabra da Peste, sou do Ceará.”

Dentre os grandes nomes da xilogravura nordestina não se pode deixar de falar em um gênio que é o DILA- José Soares da Silva, residi em Caruaru-PE, onde estalou uma rústica oficina gráfica para imprimir os seus folhetos. É um dos mais respeitados xilogravura do nordeste brasileiro, trabalhando com sua arte com lâmina de barbear em pedaços de madeiras em pedaços de madeiras umburana. No qual fabrica capa de cordéis ate rótulos de garrafas de aguardente e outros produtos. É um dos poucos que, alem da madeira, utiliza a borracha para talhar as xilogravuras, alem de seu local de trabalho, transformou –se num ponto de atração turística.

3 – ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÕES

A aprendizagem, trata-se de um processo, pelo qual o aluno se apropria das experiências de ensino do cotidiano, o qual analisa para futuramente explorá-la no meio em que vive. Nesse intere de relação existente entre professor e aluno, vem-nos a pergunta, qual seria a melhor maneira de se aprender Literatura, quando os alunos de hoje têm a leitura como uma “tortura”?

Na verdade, percebe-se que o professor, bem como a Escola devem estar aptos a captarem a melhor forma de ensinar, se responsabilizando na melhoria da qualidade da educação, conforme bem asseverou Paulo Freire, 1985:77, “Queremos ter uma escola viva , em que se viva a cidadania e não uma escola onde um dia se sonhe em ser cidadão. A infância já cidadã, é ser vivo já, é ser social já”.

A arte, trata-se da melhor forma de chamar à atenção do aluno, pois propicia o desenvolvimento do pensamento artístico, que se caracteriza em um eu particular de cada aluno. A questão do ensino da leitura literária, envolve um exercício de reconhecimento, fazendo estarem presentes na escola em relação aos textos literários.

Daí surge a Literatura de Cordel, como meio incentivador para o ensino de literatura. Na verdade, essa Literatura bastante desconhecida aqui mesmo na região nordestina, onde dela se extrai um grande número de cordelistas, percebe-se que as escolas não trabalham esse tipo de literatura, que é bastante excluída nas salas de aula, bem como nos livros didáticos.

Ora, a literatura de cordel, trata-se de um veículo de fabuloso fomento à identidade regional, foi por muitos anos a principal forma de veiculação de notícias em vários Estados do Nordeste. Hoje, sem muita importância, é pouco desenvolvida por alunos em salas de aula, os quais poucos a conhecem.

Destacando o texto de José Romero Araújo Cardoso, ao tratar dessa literatura bastante desconhecida em seu artigo “A Importância do Cordel na Sala de Sula”, o qual destaca iniciativas como a de Arievaldo Viana, através do projeto intitulado “Acorda Cordel na Sala de Aula”, ressalta a importância de se estudar o cordel em sala, ou seja, como forma de incentivo no ensino da literatura.

Romero destaca as atividades desenvolvidas por Arielvado, onde o mesmo desenvolve sua verve extraordinária alertando sobre a necessidade de primar por normas ortográficas e gramaticais corretas, tendo em vista que o cordel, quando usado para alfabetização, principalmente de jovens e adultos, os quais já por estarem com uma idade já considerada avançada em se alfabetizarem o cordel entra nesse cenário como a melhor maneira que Arievaldo Viana encontrou para a alfabetização de jovens e adultos.

Romero ressalta, ainda, em seu artigo a influência do cordel na vida de Arievaldo, o qual desde a infância, quando se verificou o contato do mesmo com grandes nomes das bravuras e feitos épicos narrados primorosamente em folhetos de diversos mestres do passado. Destaca, ainda, que o Cordel tinha decisiva importância na formação do povo nordestino em razão que o advento do rádio e da televisão era pouco enfático.

De acordo com Arievaldo Viana, a escola exclui o cordel da sala, mostrando outro tipo de literatura difícil para quem está acabando de aprender a ler e escrever:

As pessoas acabam de aprender a ler, e a escola oferece logo livros do Machado de Assis, Augusto dos Anjos, Drumond e outros autores. São excelentes escritores e poetas, mas o texto deles, para quem acabou de começar a ler, é muito denso e difícil de entender. Por isso, eu acredito que seja necessário que as escolas de ensino fundamental utilizem, nas bibliotecas, os folhetos de cordéis porque são textos simples e mais agradáveis para quem acaba de começar a ler e se familiarizar com a escrita.

(Diário do Nordeste)

Conforme o que acredita Arievaldo Viana, os versos em cordel são mais fáceis de serem memorizados, devido à rima agradável. Por isso, além de promover a leitura, o trabalho educativo com os cordéis se estende para outros tipos de conhecimento.

Arievaldo se destaca por apresentar um célebre projeto dos cordéis em sala de aula, o qual existe há mais de cinco anos e foi pioneiro na cidade de Canindé, depois alguns municípios de outros estados do Brasil, os quais aderiram ao projeto de Arievaldo e já o estão desenvolvendo.

Outro projeto, bastante discutido foi o que aconteceu na zona rural da cidade de São Gonçalo do Amarante/Ce, com a professora Francisca das Chagas, da Escola de Ensino Fundamental João Pinto Magalhães, intitulado “Rimas que encantam”, discutido por Denise Pellegrini, a qual ensinou seus alunos a utilizar o conhecimento regional (cordel) para melhorar a leitura e escrita, cabendo frisar que a referida professora com esse trabalho que fez em sala foi merecedora do prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita.

Conforme Francisca das Chagas relatou, o projeto teve como objetivo maior a informação, onde se pesquisaram vários autores de cordéis, a definição, alguns poemas, dentre os quais se destacou Patativa do Assaré, donde os alunos recitaram e copiaram alguns poemas dele.

Ainda em relação, ao Projeto da professora Francisca das Chagas, conforme Denise Pellegrini ressaltou a professora referida de inicio estava um pouco apreensiva, porém com o desenrolar do projeto, percebia-se o interesse dos alunos pelo Cordel.

Ao analisar, o artigo “Cordel para iniciantes. E iniciados” de Joana Lira, a mesma relata os trabalhos apresentados pelas professoras Sandra Lúcia de Souza Menezes e Margaret Mota de Lima, do Instituto Educacional O Canarinho, de Fortaleza, as quais utilizaram do Cordel como meio incentivador para o aprendizado do aluno, as quais destacaram que a Literatura de Cordel foi por muitos anos a principal forma de veiculação de notícias em vários Estados do Nordeste e que com o tempo foi perdendo a importância e hoje, muitos estudantes desconhecem esse tipo de literatura.

Percebe-se que um professor ao utilizar da literatura de cordel e textos de Patativa do Assaré para quebrar, preconceitos da arte literária, mostrando aos alunos que a língua popular muitas vezes é ridicularizada, porque o povo é discriminado, irá fazer com que os alunos descubram a rega gramatical desses versos, trabalhando assim a literatura e a linguagem, fazendo com que os mesmos redescubram um linguagem rica em rimas e versos, desmoronando assim o pensamento de que certo é só o que está na mídia.

Pois bem. É necessário partir da idéia básica de que o Cordel em si, trata-se de um texto literário de suma potencial de produzir, o qual não se origina obrigatoriamente de uma necessidade prática – não constitui uma resposta a uma solicitação imediata e, por isso mesmo, se constitui num exercício de liberdade lingüística como nenhum outro uso que se consegue ser.

Assim, à Escola, em geral, e ao Ensino Médio, em particular, devem injetar a Literatura de Cordel no ensino de Literatura, porque só assim o aluno conseguirá perceber e exercitar as possibilidades mais remotas e imprevistas a que a sua Língua pode remeter.

Na verdade, percebe-se que o que fora discutido acima, trata-se de opiniões que foram ratificadas por pessoas que estudaram a fundo o tema, verifica-se, que as escolas de hoje, estão querendo se adaptarem ao novo estilo de ensinar, compreendendo os valores e etnias dessa geração e quais são os meios que se prendam à atenção dela. Sabe-se, ainda que há muito a melhorar, mas os erros, as perspectivas foram apresentadas, como aqui mesmo fora estudado, e corroborado por diversos projetos que injetaram o cordel no ensino de literatura.

4 -CONCLUSÃO

Ao terminar este trabalho, vi e entendi como a Literatura de Cordel, enquanto veículo do imaginário popular, refaz os caminhos enviesados do olhar matuto, reconstitui a maneira do sertanejo reagir ao mundo e, mais do que isso, deixa pistas do sistema complexo sobre o qual se edifica seu sentimento de contestação.

Manifestação artística viva em sintonia estreita com visão popular, a Literatura de Cordel oferece aos pesquisadores um espaço sempre aberto de reflexão sobre uma maneira peculiar, por vezes contraditória, mas não menos preciosa, de se pensar o mundo e de afirmar a identidade, traçando caminhos de subversão e de liberdade, protesto, convertendo o espaço poético numa arena de luta.

É que o povo sofrido, alimentado por sentimentos de inferioridade, constrói suas próprias maneira de dar sentido a uma existência sofrida e de recuperar um pouco da dignidade ofendida, e de negação da realidade na qual o povo se vinga do opressor, a Literatura de Cordel se oferece para a Literatura de uma forma geral como veiculo da revolta artística elaborada, dando à ficção a potencialidade da luta e da subversão.

5 – REFERENCIAL TEORICO

ABAURRE, Maria Luiza M; PONTARA, Marcela, Literatura Brasileira: tempos leitores e leituras, volume único, São Paulo, editora moderna, 2005.

ABAURRE, Maria Luiz e PONTORA, Marcela. Literatura Brasileira, tempos leitores e leituras. Ed. Moderna. Ensino Médio

ABLC – Academia Brasileira de Cordel . Academia Brasileira de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva, Literatura Brasileira, Literatura popular, Duelo de Repentistas

CORDEL,Literatura de. Disponível em: www.guiape.com.br/culturais/literatura de cordel.html.

Diário do Nordeste – caderno 3

DUARTE, Marcelo. O Guia dos Curiosos., língua Portuguiesa. São Paulo. Pand 12003.

FERREIRA, Mauro. Entre palavras, nova edição/ 2.edição – São Paulo:

Editora FTD ,2006.(coleção entres palavras)

FREIRE, Paulo, Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985. 77p.

GERIN, Júlia; PORTO, Márcia Flamia; NASCIMENTO, Rubi Rachel.

Volume integrado, 1; 5ºe 6º séries Língua portuguesa ; Educação Jovens e Adultos, Curitiba: Editora Educarte,2006

LIRA, Joana. Cordel para iniciantes. E iniciados. Mundo Jovem numero 335 abril 2003.

NICOLAS, José de. Literatura brasileira das origens aos nossos dias; 15ª edição, São Paulo, editora Scipione, 1969.

BARSA, Enciclopédia. ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA DO BRASIL PUBLICAÇÕES LTDA.