CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

domingo, 27 de novembro de 2011

Heróis da Távola Redonda em versos de Cordel

www.vermelho.org.br

A história do rei Artur, personagem sobre quem são depositadas as dúvidas da existência, é rodeada de nuvens. Oriundo da Idade Média, protagonista das novelas de cavalaria, guerreiro fundador da Távola Redonda, defensor da Grã-Bretanha, o lendário Artur perfaz o caminho literário abraçado pelas veredas do folclore. Se, de um lado, autores encontram nele elementos históricos, por outro, o povo lhe confia atributos lendários.

Rei Arthur em cordel

Rei Arthur em cordel

A versão em cordel dessa história mítica acaba de ser lançada, em São Paulo, pela Editora Nova Alexandria. Trata-se de “Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda”, de Cícero Pedro de Assis.
Foi Geoffrey de Monmouth, no século 12, quem apresentou uma genealogia para o rei, no livro “História dos Reis Britânicos”. Filho de um relacionamento manipulado pelo mago Merlin, entre Uther Pendragon e Igraine, Artur recolheu para si as características mágicas que o transformarão no herói nacional britânico. Segundo alguns estudiosos, o autor Monmouth escreveu o percurso arturiano a partir de histórias, crônicas e poemas bem anteriores à época em que viveu. Enquanto Monmouth introduziu genealogia e cenário para Artur, como o caso da espada Excalibur fincada na pedra de onde só as mãos de um predestinado seriam capazes de arrancá-la, foi o francês Chrétien de Troyes, no final do século 12, o responsável pela confecção do universo místico formador do ciclo arturiano das novelas de cavalaria.
Por Troyes tomamos contato com a busca pelo Santo Graal, o cálice no qual Cristo bebeu o vinho da última ceia em que José de Arimateia recolheu seu sangue depois da crucificação. A Morte de Artur(1485), de Sir Thomas Malory, é, no entanto, a obra mais conhecida do chamado ciclo arturiano.
Por sua característica épica é que o personagem rei Artur não morre no tempo. Por isso, ainda, o seu retorno triunfal, como best seller, na obra literária de Marion Zimmer Bradley, “As brumas de Avalon”. Nomes como Morgana, Merlin, Guinever, Persival, Igraine entraram para a nossa vida. Apesar de a lenda de Artur já ser conhecida, havia ali um ar mágico, visto que narrado por Morgana, a senhora da magia.
O retorno do rei

Com a consolidação do cinema nos anos 50 do século 20, as novelas de cavalaria ganharam novo impulso e o rei Artur materializou-se no corpo de atores e em filmes de animação. Desde 1953, talvez a primeira adaptação, “Os cavaleiros da Távola Redonda”, dirigido por Richard Thorpe, com Robert Taylor como Lancelot e Mel Ferrer como o rei Artur, até 2004, com a produção “Rei Artur”, de Antoine Furqua, mais de 20 filmes foram rodados sobre o tema. O clássico “Excalibur” (1981), de John Boorman, além de ser o melhor filme sobre Artur, é a versão cinematográfica mais fiel à lenda.
Vale citar o longa-metragem de animação produzido pelos estúdios Disney em 1963, “A espada era a lei”, e uma adaptação do livro de Charles G. Finney, “As sete faces do Dr. Lao”, de 1964, que apresenta um Merlin decadente, idoso e ranzinza que já não consegue fazer truques mágicos, artista de circo, ao lado de Pan, o deus grego da natureza, e outras atrações, em um circo mambembe no Arizona, interior dos EUA.
Para quem gosta de cinema francês, é fundamental a adaptação de Robert Bresson, “Lancelot Du Lac”, de 1974. Para os leitores de histórias em quadrinhos, lembramos do “Príncipe Valente”, criado por Hal Foster e publicado pela primeira vez em 1937.
Rei Artur em cordel
A adaptação dos clássicos para o cordel é uma tradição. Os livros do povo, como dizia Câmara Cascudo, tiveram sua versão em cordel nos primeiros dez anos do século 20. Encontraremos a Donzela Teodora, a Imperatriz Porcina, Genoveva de Brabante, Rosa de Milão e outros personagens clássicos universais agindo nas sextilhas do cordel.
As novelas de cavalaria também passaram por esse filtro poético. Os estudiosos apontam um hipotético ciclo carolíngio, ligado a Carlos Magno, com Oliveiros e Ferrabrás, Roldão e até Joana d’Arc. Entretanto a matéria do rei Artur foi pouco explorada.

O autor

Cícero Pedro de Assis é pernambucano, nascido em Caruaru aos 18 de julho de 1954. Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, ocupa a cadeira de nº 30, cujo patrono é o grande poeta paraibano José Galdino da Silva Duda. Radicado na cidade de São Paulo desde 1970, é poeta atuante. Dr. Cilso, como costuma se apresentar, escreveu outras adaptações para o cordel como “As aventuras de Robinson Crusoé “e “Aventuras de Simbá, o marujo” (Editora Luzeiro).

Trecho inicial do livro
A paixão é sentimento
Que deixa o peito arrasado
Porque sem dó cega os homens,
Isso é fato consumado.
Há quem cometa loucura
Quando está apaixonado.

Uso a força de meus versos,
Que espero que não se esconda,
Pra falar do rei Artur
E a Távola Redonda,
Formada de cavaleiros,
Forçosos qual brava onda.

Quando Uther Pendragon
Era rei da Inglaterra,
Muitas vezes ocorria
Lá no seu reinado guerra,
Deixando visível marca,
Como incêndio numa serra.


Uma delas contra o duque
De Tintagil foi mantida,
Destruindo cruelmente
O bem maior que é a vida,
Que deve ser respeitada
E com amor protegida.


Pendragon, com muito tino,
Fez proposta pela paz
Ao duque de Tintagil,
Com modo muito loquaz.
Não queria ali mais guerra,
O que só tristeza traz.


Indo ao castelo real,
O duque de Tintagil
Levou consigo a esposa.
Mostrando-se o rei gentil,
Pendragon sentiu por ela,
Logo um desejo febril.


Tinha o nome de Igraine
A mulher apaixonante.
Porém o duque notando
Do rei por ela o semblante,
Partiu sem que lhe avisasse.
Não ficou mais um instante.

Logo que soube do duque
A partida repentina,
O rei muito enfureceu-se,
Quase que não se domina.
Mandou chamá-lo de volta
Sob ameaça ferina.

Literatura de cordel ensina educação no trânsito para crianças – Alagoas

'Cartuxo' começou a produzir cordel aos 54 anos de idade e publicou 12 cartilhas

Literatura de cordel teve origem em países da Europa na Idade Média

Literatura de cordel teve origem em países da Europa na Idade Média

Com mais de 100 trabalhos já publicados, o ex-bancário e cordelista Valdemir Ferreira, o “Cartuxo”, (se escreve com o xis mesmo), dá o exemplo de que a poesia popular nordestina, mais especificamente a Literatura de Cordel, pode ser uma importante ferramenta na educação de crianças e também de adultos.
Autor de 12 cartilhas em cordel, Cartuxo está lançando este mês o seu mais recente trabalho: o “ABC Infantil Especial Para Educação no Trânsito”.
Na cartilha, o cordelista arapiraquense traduz em texto simples e divertido as principais lições de educação para o trânsito, incluindo as formas seguras de atravessar as ruas, obedecer e respeitar os sinais de trânsito e trafegar com bicicletas, motos e outros veículos.
Valdemir Cartuxo mantém a tradição do cordel antigo com versos rimados e estrofes curtas, mas está inovando o trabalho com a escolha de temas ligados à ecologia, educação alimentar, combate à prostituição infantil e até um cordel traduzido para a língua inglesa.
“Acredito que, por meio da literatura de cordel, posso resgatar uma tradição nordestina e incentivar o hábito da leitura entre as crianças e adultos”, explica o cordelista.
Ele conta que nunca havia escrito nada ligado à literatura ou poesia. Cartuxo revela que a ideia de produzir literatura de cordel surgiu de repente, após completar 54 anos de idade.
O escritor diz que as xilogravuras são feitas pelo amigo e parceiro Paulinho da Julita, que mora na cidade de Girau do Ponciano.
“Meu maior objetivo é investir na literatura de cordel ensinando os jovens a valorizar o conhecimento da região, e a receptividade das pessoas tem sido muito boa, sobretudo as crianças. Quero ver os jovens lendo coisas boas, ao invés de assistir a alguns programas de tevê que deturpam os valores da nossa sociedade”, comenta.
Ele disse que já lançou recentemente um blog para divulgar seus trabalhos. Apesar disso, Cartuxo reclama da falta de apoio para produzir seus livros de cordel.
“Faço tudo com muito esforço e não recebo nenhuma compensação financeira por isso. Meu sonho é contar com o apoio de empresários e prefeituras da região, para poder confeccionar os livros e distribuir nas escolas”, completou o cordelista, que pretende publicar um cordel contando a história de Arapiraca e participar da Bienal do Livro, no próximo ano em Minas Gerais.

Fonte: www.tribunahoje.com

sábado, 26 de novembro de 2011

LITERATURA DE CORDEL NO PRAIA SHOPPING – NATAL RN

No início, eles retratavam desde as façanhas do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião, até o suicídio do presidente Getúlio Vargas.
Ao longo dos anos, a literatura de cordel se tornou uma característica histórica da cultura nordestina e, por atingir grande número de exemplares, passou a ajudar na disseminação de hábitos de leitura e na luta contra o analfabetismo.
Afim de compreender essas rimas em folheto, a Potylivros do Praia shopping promove neste sábado (26), o II Encontro Pra Tu Entender um Cordel, com apresentação da Banda C4 e a presença de nomes da literatura, como o Poeta Hegos, Conceição Gama, Rosa Regis e Sirlia Lima.
O evento acontece a partir das 18h, no Praia Shopping, em frente a Potylivros.

Fonte: www.fatorrrh.com.br  via twitter

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O MATADOR DE DRAGÕES é lançado pela Editora Luzeiro

Reproduzido de varnecicordel.blogspot.com/

Um dos primeiros romances escritos por Rouxinol do Rinaré agora publicado pela Editora Luzeiro (SP), com capa do famoso FRED MACÊDO. A Luzeiro tem buscado lançar no mercado cordéis de alta qualidade, pois texto da pena poética de Rouxinol tem beleza e poesia. Esta capa belíssima veio somar-se a um material de qualidade que a Luzeiro está colocando nos seus impressos para que assim acabe aquela conversa de pesquisador que não pesquisa, de que “cordel tem de ser feito em papel jornal, que não precisa levar em conta a correção gramatical, e que deve ser ilustrado apenas com xilogravura”. Parabéns Rouxinol e a Luzeiro pelo excelente trabalho.

Numa época bem distante
De gigantes e anões
Havia um príncipe temido
Por guerreiros e vilões
O qual ficou conhecido
Por Matador de Dragões.

Diz-nos uma antiga história
Que o príncipe Fred Donnar
Matou monstros e gigantes,
Tão destemido ao lutar
Que enfrentava mil guerreiros
Conseguindo-os derrotar!

Seu pai tinha entre os germanos
Um suntuoso castelo.
No seu reino e ao redor
Não tinha príncipe mais belo
Nem com destreza e coragem
Para vencê-lo em duelo

Mais informações:
Editora Luzeiro Ltda
Fone: (11) 5585-1800
E-mail: vendas@editoraluzeiro.com.br

Contato com o autor:
rouxinoldorinare@gmail.com

LITERATURA DE CORDEL É TEMA DE EXPOSIÇÃO EM GUAÍRA - SP

 Literatura de Cordel é tema do Concurso

Literatura de Cordel é tema do Concurso


A Prefeitura de Guaíra, por meio de sua Coordenadoria de Educação, em parceria com alunos do curso de pedagogia da Faculdade Municipal Interativa Uniderp (Universidade Anhanguera), realizará no próximo dia 25 uma exposição na EMEF ‘Padre Mario Lano’, com o tema ‘Literatura de Cordel’.

A exposição faz parte de um trabalho dos estudantes no módulo de estágio supervisionado realizado com alunos da EJA (Educação de Jovens e Adultos).  Para finalizar a exposição, será realizada a entrega de prêmios do ‘Concurso de Cordel’, no qual serão escolhidos os três melhores textos com o tema ‘ A cultura do Município de Guaíra’.

Fonte: ww.novositeprefeituraguaira.co

Um século de Gonzagão

Reproduzido de cacalopes.com.br

Muitos livros já foram escritos sobre Luiz Gonzaga. Na literatura de cordel, então, é impossível precisar a quantidade de folhetos que enfocam o Rei do Baião. É a personalidade musical mais biografada, ao lado de Roberto Carlos e Raul Seixas. Antecipando as comemorações do centenário de nascimento deste grande artista pernambucano, a Ensinamento Editora, de Brasília-DF, acaba de lançar Vida e Obra de Gonzagão, assinado por Cacá Lopes, que passou quase uma década gerando as quase 400 estrofes escritas em seis versos. Desde o nascimento na fazenda Caiçara, município de Exu, no sertão de Pernambuco, até a morte no Recife, passando pelas influências de dezenas de artistas brasileiros e homenagens póstumas, a impressionante trajetória do Rei do Baião ganha seu mais completo registro em cordel.

A responsabilidade de Cacá Lopes é grande, portanto, é enorme. E ele não se fez de rogado. Muitas são as estrofes dignas de nota, mas esta, que trata do batismo do pequeno Luiz, chama a atenção pela palavra pagão, comprobatória do envolvimento do autor com o tema:

Os padrinhos do menino
Também são da região,
O Sr. João Moreira
E Dona Neném, que não
Mediram esforços, Luiz
Deixava de ser pagão.

Pagão é o menino não batizado, segundo a doutrina católica. Outro costume, herdado de Portugal, o de batizar a pessoa com o nome o Sato festejado no dia do nascimento, não foi esquecido por Cacá Lopes:

O nome Luiz Gonzaga
Do Nascimento foi dado,
Na igreja de Exu
O bebê foi batizado
Dia 5 de janeiro
Gonzaga foi consagrado.

O Nascimento, sugestão do padre José Fernandes, deve-se ao fato de o menino ter nascido em dezembro, mês do Natal. O Luiz é uma homenagem à Santa Luzia, festejada a 13 de dezembro, data em que Gonzaga veio ao mundo.

Sobre o Autor

José Edivaldo Lopes, em arte Cacá Lopes, nasceu 24 dia agosto de 1962, no sitio lagoa da onça, há 14 km de Araripina-PE, no sopé da serra do Araripe.  Iniciou sua trajetória artística na Rádio Grande Serra AM em sua terra natal, quando lançou seu 1º disco. Radicado em São Paulo desde 1984, mantém uma carreira consolidada como cantor, compositor e instrumentista, com 6 CDs lançados e várias coletâneas. Como cordelista, é autor de vários folhetos de poesia popular(Luzeiro editora) e adaptou para o cordel o clássico infantil Cinderela, de Charles Perrault.(Ed. Claridade) Percorre escolas e universidades há 18 anos com o espetáculo Música e Cordel nas Escolas, assistido por aproximadamente um milhão de alunos e educadores da rede pública municipal e estadual de São Paulo. É também um dos integrantes do movimento Caravana do Cordel.

Ficha Técnica

Vida e Obra de Gonzagão – O mais completo cordel ilustrado sobre Luiz Gonzaga   

Autor: Cacá Lopes
Editora: Ensinamento
Prefácio: Marco Haurélio
Texto: Assis Ângelo
Capa: Valdério Costa
Ilustrações: Maércio Lopes/Valdério Costa
Nº de páginas: 191
ISBN: 9788562410932
Preço: R$ 32,00

Dia dedicado à Literatura de Cordel – Itaperuna RJ

Está marcado para o dia 06 de dezembro às 19h uma palestra dedicada à Literatura de Cordel, onde virá ao campus Itaperuna Gonçalo Ferreira da Silva, nascido em 1937(CE), poeta, contista, ensaísta e presidente da ABLC - Academia Brasileira de Literatura de Cordel. O cordelista tem como suas principais temáticas ciência e política, e em congressos e festivais, é comum vê-lo contando histórias em versos rimados e de improviso. Autor fecundo e de produção densa, principalmente no campo de literatura de cordel, área que mais cultiva e que mais ama. Poeta intuitivo, de técnica refinada, chega a ser primoroso em algumas estrofes. É, porém, a abrangência dos temas que aborda que o situa entre os principais autores nacionais, tendo produzido diversos títulos com a temática de ciência e política.

No programa estarão disponíveis à partir das 17h, inclusive para venda, centenas de títulos de cordel a partir de R$2,00 e uma palestra com o tema “Vertentes e Evoluções da Literatura de Cordel”. A palestra terá vagas limitadas e as inscrições já se encontram abertas, inclusive para o público externo, na recepção do campus na Rodovia BR 356, Km3, Cidade Nova ou pelo telefone 3826-2300. Para conhecer um pouco mais sobre o palestrante e a ABLC, e o quanto a palestra promete, confira o site: http://www.ablc.com.br/

Na foto: Gonçalo Ferreira da Silva, poeta cordelista e presidente da ABLC - Academia Brasileira de Literatura de Cordel

Fonte: blogovagalume.blogspot.com/

Pesquisadores e artistas integram Literatura e Cultura Popular na UFPB

Pesquisadores e artistas integram Literatura e Cultura Popular na UFPB

Professores, estudantes, artistas e produtores da cultura popular reafirmam diálogo entre Academia e Literatura Popular nas salas de aula da UFPB. A VI Semana do Programa de Pesquisa em Literatura Popular (PPLP), continua até a quinta-feira (24) com debates que mostram a força e a renovação do cordel, da xilogravura e outras formas de cultura popular

Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) é assim: a cultura popular está em sala de aula. Professores, alunos e artistas discutem características, traços e ritmos da arte feita do povo para o povo. Um tema que este mês ganha mais destaque durante a VI Semana do Programa de Pesquisa em Literatura Popular (PPLP), que é realizada no campus I, em João Pessoa, até o dia 25 de novembro.

Entre os participantes do evento a principal preocupação é deixar claro o que é cultura popular. “Levar um grupo de xaxado pra dançar em São Paulo não é cultura popular. O correto seria os paulistas virem até o Nordeste acompanhar uma apresentação desses grupos, para suas comunidades. Aí sim, estamos falando de cultura popular”, explica o poeta e cordelista Marco di Aurélio.

Ele participa do curso Cordel e Xilogravura em Sala de Aula, realizado na Sala de Leitura do PPLP, no segundo andar da Biblioteca Central da UFPB. Na conversa com professores e alunos, Marco di Aurélio falou da importância de conhecer e preservar as raízes do povo nordestino e exemplificou: “Certa vez fui convidado por um cantor popular a fazer uma ‘zuada’ numa feira livre, no interior da Paraíba. Ele me colocou pra tocar zabumba, mesmo sabendo que eu nunca tinha tocado esse instrumento. Durante a apresentação, por várias vezes, tentei encontrar alguém que realmente soubesse tocar. O cantor sempre dizia para que eu continuasse no grupo. Depois de certo tempo, ele falou: ‘você não entendeu que essa brincadeira é nossa? Não é pra ninguém de fora vir brincar’. Foi aí que percebi que até mesmo eu, uma pessoa que sempre estudou esse universo, naquele momento não estava sabendo o que era cultura popular”.

            Cordel e xilogravura

E é na cultura popular que encontramos um importante instrumento pra fortalecer a própria cultura popular. No cordel são retratados a música, os costumes, a gastronomia, o jeito de ser do povo nordestino.  “É preciso atenção, cuidado com a arte de fazer o cordel. As rimas, as escritas devem ter um casamento perfeito”, destaca Marco di Aurélio. Nascido na cidade de Bodocó, alto sertão pernambucano, ele é autor da primeira edição de literatura de cordel no sistema Braille no Brasil.

E pra ilustrar essa arte de textos que se transformam em rimas são usadas as xilogravuras. Pra falar sobre essa arte, esteve presente na VI Semana do Programa de Pesquisa em Literatura Popular (PPLP) o pintor, poeta, artista gráfico e um dos xilógrafos brasileiros com mais destaque atualmente, Marcelo Soares.

“Alguns poetas dizem como querem a capa do cordel. Outros mandam o texto, para que eu crie a capa. Acho a segunda forma mais interessante”, comentou o artista que desde pequeno vive no universo do cordel. Marcelo Soares começou ilustrando os livros de cordel do pai, José Soares (1914-1981), renomado cordelista conhecido como O Poeta Repórter.

Para ele, a tecnologia ajudou a propagação do cordel. “Antes era difícil fazer um livro desses. Hoje, com o computador, tudo é mais fácil. Pra se ter uma idéia, na última Bienal do Livro em São Paulo comprei mais de 500 títulos”, comentou. Marcelo expandiu suas atividades, incursionando por desenho e pintura, criando capas e ilustrações para livros, discos, cartazes para cinema, shows, teatro e outros eventos. É autor de quase uma centena de folhetos de cordel, ilustrou obras de dezenas de poetas populares, tendo também trabalhado para editoras como Brasiliense, ltatiaia, Prelo, Paulinas, Contexto e Global e para jornais como O Globo, Jornal do Brasil, O Pasquim, Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco.

Fonte: www2.ufpb.br

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

SEMANA PPLP- UFPB 2011 - 21.11.11

PALESTRA COM OS POETAS OLIVEIRA DE PANELAS, MARCO DI AURELIO E COM O PROFESSOR ARNALDO SARAIVA

SDC11082 

Tivemos várias palestras
Com os poetas de cordel
Oliveira de Panelas
Excelente menestrel
Também o Marco di Aurélio
Cumpriu bem o seu papel.

SDC11094

Tivemos uma conferência
Com o professor Arnaldo
Saraiva, cuja palestra
Deu um imenso respaldo
Ao caldeirão da cultura
E seu vigoroso caldo.

SDC11097(da esquerda para a direita: José Costa Leite, Marco di Aurélio, Prof Arnaldo Saraiva, Oliveira de Panelas, Manoel Belizario)

Este evento realmente
Tem sido muito legal
Valorizando o cordel
E escritos em geral
Da cultura popular,
Cuja origem é oral.

SEMANA PPLP – UFPB (21.11.11)

PALESTRA  COM O POETA JOSÉ COSTA LEITE

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Neste dia 21
Para o meu total deleite
Conheci pessoalmente
O poeta Costa Leite
Todo o pessoal dizia
Ei Manoel aproveite.

 

 

 

Realmente aproveitei,SDC11088
Redobrei minha atenção.
Durante suas palestras
Que foram pura emoção
Ele contava seus causos
E eu revivia o Sertão.

 

 

 

 

 

 

SDC11090

Conhecer Zé Costa Leite,
Há muito tempo eu queria.
Um poeta popular
De grande categoria.
Engrandece nossa classe,
Sua bela poesia.

Biblioteca Nacional quer abrigar literatura de cordel

Biblioteca Nacional está convidando autores de cordel para enviar cópias de suas obras

A Biblioteca Nacional quer incorporar a arte de cordelistas a seu acervo. A Divisão de Depósito Legal, que cuida do recebimento de todas as publicações editadas no país, está convidando os artistas que produzem cordel a enviar cópias de suas obras para a BN. Com a ação, a Biblioteca pretende abrigar e preservar boa parte da memória produzida em cordel, assim como lembrar a importância da Lei do Depósito Legal. Informe-se através do telefone 21 2220-1892 ou no e-mail ddl@bn.br.

Fonte: publishnews.com.br

APAGANDO AS PEGADAS É O NOVO CORDEL DE JOSUÉ GONÇALVES

 

Fonte: varnecicordel.blogspot.com

A editora Luzeiro lança mais um cordel de Josué Gonçalves, que já tem cinco trabalhos por esta casa publicadora. Josué se embrenhou pelo mundo da literatura faz um tempo, todavia foi descoberto pelo cordel, arte pela qual ele se encantou e afirma ser seu estilo de vida.
Veja as primeiras estrofes?

Numa tarde nebulosa
De melancólico inverno,
Um ônibus enlameado,
Como se viesse do inferno,
Atravessa um nevoeiro,
Trazendo um homem de terno.

Enfim, Areia dourada!
Defronte a rodoviária,
A viagem então se finda.
A figura solitária,
Faz uma cara de dor,
Por culpa da coronária.

O passageiro que apeia
É um homem já idoso,
Com o terno amarrotado.
Negro de porte garboso,
Andava sob a neblina,
Com o passo cauteloso.

A capa é de Anderson Siqueira

Mais informações:
Editora Luzeiro Ltda
Fone: (11) 5585-1800
E-mail: vendas@editoraluzeiro.com.br

Contato com o autor:
josuegaraujo@gmail.com

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

LANÇAMENTO DO FOLHETO “TRISTE FIM DO JOVEM BESTA FERA”

triste fim do jovem besta fera

          Será lançado neste dia 21 de novembro na VI semana do PPLP, na UFPB, o folheto “Triste Fim do Jovem Besta Fera”, da autoria de Manoel Messias Belizario Neto.

Trecho do folheto:

(...)

Leitor inicio então
O caso como se deu.
Como foi que Besta-Fera
Em nosso meio nasceu
E como ele foi punido
Pelo crime que incorreu.

Besta-Fera era um rapaz
Desde pequeno atrevido,
Mal criado com os pais,
Muito Afoito e ‘malovido’.
Aliou-se a Satanás
Um vizinho conhecido.

Formou-se então uma dupla
De desordeiros falados.
Seus pais não lhes davam jeito.
Viviam desenganados.
Ninguém ficava em paz
Por causa dos dois danados.

(...)
Porém um dia bem cedo
Confessou o Besta-Fera
Ao amigo Satanás
(O que deu briga severa)
Disse Besta a Satanás
Que paquerava Mizéra.

Satanás ficou zangado
Com o caso da paquera,
Pois também era gamado
Na tal garota Mizéra
E dentro de dois segundos
A amizade já era.

(…)

Lançamento:
Data: 21 de novembro de 2011
Local:Sala de multimeios da Biblioteca Central da UFPB
Hora: 10:00

Para mais informações contate o autor:(83)87010697/(83)99543869
manoelbelizario@yahoo.com.br

Lançamento do Livro: Estudos em Literatura Popular II

 

Fonte blog do PPLP

VI Semana de Literatura Popular

UFPB realiza VI Semana de Literatura Popular

Evento, que começa nesta sexta (18), às 9h, no hall da Biblioteca Central, conta com a participação do professor Arnaldo Saraiva, da Universidade do Porto, em Portugal. Durante a Semana serão realizadas homenagens a pesquisadora Maria do Socorro Aragão, ao xilográfo Marcelo Soares e ao cordelista Marco di Aurélio.

Começa nesta sexta-feira (18), às 9h, no Hall da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba, Campus de João Pessoa, a VI Semana do Programa de Pesquisa em Literatura Popular (PPLP), promovida pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) e Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (DLCV). Na abertura do evento, terá uma homenagem à pesquisadora Maria do Socorro Silva Aragão, ao xilógrafo Marcelo Soares e ao cordelista Marco di Aurélio. Na programação, palestras com os professores Arnaldo Saraiva (Universidade do Porto, Portugal) e Maria de Fátima Batista (UFPB), além de show musical com Marcelo Soares e o grupo Zabumbeiros de Timbaúba.

A sexta edição da Semana do PPLP tem como título “Mil cordéis em um só cordel”. Também na sexta-feira (18), a partir das 14h, no Auditório de Multimeios (1º andar da Biblioteca Central), haverá uma mesa redonda sobre “A linguagem regional da literatura popular”, sob a coordenação da professora Maria do Socorro Aragão. Às 17h, haverá apresentação do poeta José Costa Leite. Na segunda-feira (21), também no Auditório de Multimeios, o professor Arnaldo Saraiva coordenará a mesa redonda “O popular na literatura canônica”. Ele também fará conferência sobre o tema “A narrativa erótica de Guilherme Aquitânia”.

Segundo a coordenadora do Programa de Pesquisa em Literatura, Maria de Fátima Batista, o professor Arnaldo Saraiva, da Universidade do Porto, vem à UFPB não apenas em missão pelo intercâmbio mantido com a Universidade, mas, sobretudo, para firmar acordo de implementação do Erasmus Mundus Joint. “Trata-se de um programa de cooperação acadêmica que beneficiará estudos de doutoramento em Literatura Popular de língua portuguesa com as universidades do Porto, de Estocolmo, de Barcelona, além da própria UFPB”, destacou.

PPLP

O Programa de Pesquisa em Literatura Popular (PPLP) surgiu em 1977, a partir da iniciativa de alguns professores do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (DLCV) da UFPB. Em 2004, foi realizada a primeira Semana PPLP com o objetivo de mostrar os trabalhos produzidos durante o ano pelos pesquisadores vinculados à UFPB. “Além disso, também pretendemos reunir as ex-coordenadoras e pessoas que, no passado, levaram à frente o programa, uma vez que consideramos fundamental sua experiência de vida em nossa caminhada”, acrescentou a coordenadora do PPLP.

PROGRAMAÇÃO

MAIS INFORMAÇÕES: pplp.ufpb@gmail.com

Fonte: Agência de Notícias da UFPB - Costa Filho via blog do PPLP

sábado, 19 de novembro de 2011

Crato-CE: Coletivo lançará 39 mil cordéis com arte e política

Edital do Ministério da Cultura possibilitará a edição de novos títulos no formato de cordel na região do Cariri

O cordel possibilita o acesso à informação, causos e denúncias das camadas populares, além de inserir o hábito da leitura durante várias gerações YAÇANÃ NEPONUCENA

Crato. A história da Organização Não Governamental Coletivo Camaradas, que atua neste Município, será contada em cordéis. O grupo irá lançar 39 mil livretos com temáticas que dizem respeito à concepção estética e artística do grupo. A publicação será possível através do projeto Cordel Engajado, que foi contemplado pelo Prêmio Literatura de Cordel Patativa do Assaré, desenvolvido pelo Ministério do Cultura. A proposta do Coletivo Camaradas consiste na publicação de 13 títulos de cordéis, sendo três mil exemplares de cada um. As temáticas escolhidas abordam são “O que esses camaradas defendem”, “Diversidade musical”, “Teatro político”, “Confluência das artes”, “Arte e cidade”, entre outros.

O projeto pretende compreender historicamente, o cordel como instrumento que possibilitou o acesso à informação, “causos” e denúncias das camadas populares. Além de inserir o habito da leitura durante várias gerações. A ideia é popularizar alguns temas que ainda estão no campo da intelectualidade. Para convocar os escritores, já foi iniciada uma chamada pública que deverá atrair cordelistas de todos os Estados, principalmente da Região Nordeste, onde o tipo de literatura é mais frequente.

Além dos 13 temas, deverão ser republicados os cordéis de Salete Maria e Hamurabi Batista, os quais abordam o assunto Coletivo Camaradas.

Há 20 anos, a Academia de Cordelistas do Crato está instalada no Município. Já publicou mais 700 mil títulos. A instituição irá promover no próximo mês de dezembro, o III Seminário do Verso Popular. O evento vai reunir todos os membros, pesquisadores do cordel, poetas do verso popular, estudantes, professores e apologistas.

Linguagem marginal

PROJETO AABB comunidade tem, dentro de sua programação, atividades esportivas e de arte em Iguatu, com participação de crianças e adolescentes HONÓRIO BARBOSA

Haverá também uma exposição sobre a atuação da Academia e um planejamento de ação para os dez anos vindouros. Os membros da instituição serão convidados a fazer parte integrante do Cordel Engajado, como também os que fazem parte do Grupo de Cordelistas Malditos, escritores que usam uma linguagem marginal e diferenciam-se por fugir das formas tradicionais do cordel.

Para educar, possibilitar que artistas e professores de arte se familiarizem com os temas que estão relacionados à arte engajada, o grupo Coletivo Camaradas considera o projeto como produção que possibilita a huma-nização dos leitores.

O trabalho é feito sem, necessariamente, abordar questões de ordem política, mas que estão relacionadas à condição humana. O projeto custará aproximadamente R$ 6 mil. O dinheiro já está disponível, falta apenas que os cordelistas iniciem a produção.

Ensino nas escolas

O diferencial do projeto está na produção da arte engajada, que o coordenador do Coletivo Camaradas, Alexandre Lucas, acredita ser o principal objetivo da proposta. “Queremos disseminar a estética do nosso grupo, que é pensar a arte colaborativa, coletiva, interativa e inclusiva. Esse projeto possibilita isso. A gente pretende tornar esse material como instrumento de apoio do ensino nas escolas públicas. Pois, não é possível produzir arte fora da vida, a gente compreende que ela tem esse diálogo constante com as realidades sociais”, revela.

Todo o material publicado deverá ser disponibilizado virtualmente na página do Coletivo Camaradas. Os cordelistas interessados deverão encaminhar as propostas, juntamente com os dados pessoais dos autores para o e-mail coletivocamaradas@gmail.com. O prazo para a realização das inscrições é até o dia 15 de dezembro. Cada um dos escritores que tiverem suas propostas aprovadas pelo projeto receberão mil cordéis. Eles não serão recompensados financeiramente, mas ficam livres para distribuição gratuita ou vendida de suas novas obras.

A distribuição dos 39 mil livretos será direcionada, feita através das atividades educadoras do Coletivo. O grupo tem, em média, 30 membros que irão disseminar a cultura a partir dos encontros, seminários e rodas de conversas, atividades realizadas constantemente. A previsão é que o material esteja pronto até janeiro de 2012. A expectativa é que os cordéis ampliem a concepção estética e artística, relacionada à arte como instrumento de educação, empoderamento político e de criação.

Segundo o cordelista e compositor Francisco Saraiva, o projeto é um forma de também divulgar o potencial do poetas cratenses e as realizações dos grupos que produzem cultura na região.

“É sempre bom ser contemplado com um projeto como esse. Já imaginou quantas pessoas vão ter acesso à leitura? Isso representa mais cultura para a nossa região, espero que os títulos sejam bem utilizados e distribuídos”, avalia. Desde já, a ONG aguarda as propostas dos cordelistas para os temas serem reproduzidos no formato da já conhecida literatura popular.

Temas

13 temáticas diferentes serão abordadas na nova coleção de cordéis do Coletivo Camaradas, com três mil exemplares cada uma. ONG aguarda propostas dos escritores de todo o País

MAIS INFORMAÇÕES
Coletivo Camaradas
Praça Dr. Joaquim Fernandes Teles
S/N, Bairro Pimenta, Crato
Telefone: (88) 3102.1272

Yaçanã Neponucena
Repórter

Fonte: caririnoticia.com.br

terça-feira, 15 de novembro de 2011

'Causos' da literatura de cordel despertam atenção na Fliporto

Festa Literária Internacional de Pernambuco também ressalta tradições.
Espaço Cordel conta com a presença de cordelistas e xilógrafos.

Fonte: g1.globo.com/pernambuco

A 7ª Festa Literária de Pernambuco (Fliporto) tem espaço para as novas tecnologias voltadas para a literatura, mas não esqueceu das tradições populares. Além dos livretos pendurados em corda, como manda a tradição, o Espaço Cordel conta com a presença de cordelistas e xilógrafos, que conversam com o público e vendem suas histórias. Crianças e adultos se aproximam curiosos e param para escutar os 'causos' contados pelos poetas.

Espaço Cordel despertam interesse em crianças e adultos (Foto: Katherine Coutinho/G1)

Espaço Cordel despertam interesse em crianças e
adultos (Foto: Katherine Coutinho/G1)

A estudante de pedagogia Aline Guedes foi com o filho Bernardo, de 7 anos, conferir o espaço. "Eu estou montando um plano de aulas sobre as lendas do Recife em cima de cordéis", explica a estudante, que acha importante as crianças terem contato com essa literatura desde cedo. "É uma coisa da nossa terra, eles precisam conhecer para aprender desde pequenos a dar valor às nossas tradições", defende.

Foi quando criança que o poeta, xilógrafo e arte-educador pernambucano Marcelo Soares aprendeu a importância desses livretos. "Meu pai era era cordelista, meu avô... É uma tradição de família", conta Soares. "Esse espaço é muito importante para nós. O cordel faz parte da cultura e da literatura pernambucana, não pode ser esquecido", acrescenta.

Alguns artistas vieram de outros estados para participar do espaço. É o caso de Fernando Rocha (Macambira) e Marinalva Menezes (Queridina), que vieram da Paraíba e incorporaram seus personagens para vender cordel de um jeito bem humorado. Marinalva, além de cordelista, é também socióloga e professora. "É cultura pura", acredita.

sábado, 12 de novembro de 2011

Depósito Legal de Literatura de Cordel

A Biblioteca Nacional quer incorporar a arte de cordelistas a seu acervo. A Divisão de Depósito Legal, que cuida do recebimento de todas as publicações editadas no país, está convidando os artistas que produzem cordel a enviarem cópias de suas obras para a BN. Com a ação, a Biblioteca pretende abrigar e preservar boa parte da memória produzida em cordel, assim como lembrar a importância da Lei do Depósito Legal. Informe-se através do telefone (21) 2220-1892 ou no e-mail ddl@bn.br.

Fonte: Biblioteca Nacional  via blog As Palavras Têm Poder

Imagem: jornalonlineufpi.wordpress.com

A OPINIÃO DOS ROMEIROS SOBRE A CANONIZAÇÃO DO PE. CÍCERO PELA IGREJA BRASILEIRA

Um folheto de Expedito Sebastião da Silva

No dia 8 de julho
Do ano setenta e três
A Igreja Brasileira
Decidiu por sua vez
Aqui em nossa nação
Do padre Cícero Romão
A canonização fez

Realizou-se em Brasília
Essa canonização
Sendo que do Santo Papa
Não houve autorização
Por aí o leitor veja
Foi à nossa santa igreja
A maior profanação

Quinhentos e onze padres
No momento se acharam
Também trinta e quatro bispos
Ali se apresentaram
E de jornais e revistas
Centenas de jornalistas
O ato presenciaram

Romeiros da mãe de Deus
Essa canonização
Que a Igreja Brasileira
Fez, não tem efeito não
É uma trama ilusória
Que fere a santa memória
Do padre Cícero Romão

Pois a Igreja Católica
Apostólica Romana
Por ser fundada por Cristo
Tem a ordem soberana
De canonizar na terra
Outra assim fazendo erra
E a boa fé engana

Mesmo o nosso padre Cícero
A luz brilhante do norte
Como um fiel pastor
Foi um baluarte forte
Da Santa Mãe Soberana
E a Igreja Romana
Defendeu até a morte

Deixou no seu testamento
Com toda realidade
Assinada por seu punho
Como cunho da verdade
A prova como um diploma
Pra com a igreja de Roma
A sua fidelidade

O nome do padre Cícero
Ninguém jamais manchará
Porque a fé dos romeiros
Viva permanecerá
Pois nos corações dos seus
Foi ele um santo de Deus
É e pra sempre será

E portanto o padre Cícero
Sempre foi santificado
Pelos seus fiéis romeiros
De quem é bastante amado
Finalmente é uma asneira
A Igreja Brasileira
Fazê-lo canonizado

Essa canonização
Feita, num sistema inculto
Os romeiros consideram
Como um verdadeiro insulto
Que a todo mundo engana
E com cinismo profana
Um admirável vulto

Creio se o padre Cícero
Vivo estivesse com nós
Seria ele o primeiro
A opor-se em alta voz
De forma alguma queria
Por completo repelia
Essa farsa de algoz

Pois ele nos seus sermões
dizia com paciência:
A Santa Igreja Romana
De Deus é a pura essência
Não devemos desprezá-la
Portanto vamos amá-la
Fiéis com obediência

- Sem a Igreja Católica
Apostólica Romana
Ninguém pode se salvar
Porque a alma é profana
Por ser a religião
Que conduz todo cristão
Para a corte soberana

Aí se vê claramente
A grande veneração
E o respeito que tinha
O padre Cícero Romão
Pela igreja de Cristo
Que proveniente a isto
Sofrera perseguição

O padre Cícero com vida
Honrou a sua batina
E à igreja de Cristo
Tinha obediência fina
Não dava nenhum conceito
Q quem faltasse o respeito
Pra com a santa doutrina

Como é que certos padres
Não conheceram direito
O padre Cícero de perto
Procuram com desrespeito
Canonizá-lo por conta?
É à Igreja uma afronta
Ou um rebelde despeito?

Pois a Igreja Romana
De forma nenhuma aprova
Essa canonização
Feita nesta Igreja nova
Se eles estão a pensar
Que fácil vão nos laçar
Nos laçarão uma ova!

Ele dizia: O diabo
todos os dias peleja
Para pegar os cristãos
Pois é o que mais deseja
Muitos poderão cair
Se por acaso ele vir
Laçando pela igreja

Mas estamos preparados
Conosco ninguém embroma
Porque é o padre Cícero
Do romeiro e ninguém toma
Que espera conformado
Pra vê-lo canonizado
Por nosso Papa de Roma

Já ouvi alguém dizer
O padre Cícero merece
Ser enfim canonizado
Já que o Papa se esquece
Proveniente a demora
Vem outra Igreja de fora
E o seu valor reconhece

Mas a Igreja Romana
Primeiramente precisa
Fazer sobre o indicado
Uma severa pesquisa
Depois de colher com jeito
Todos os dados direitos
É que ela canoniza

Não é só meter a cara
Como quem vai fazer guerra
E ludibriar a fé
Dos cristãos aqui na terra
Assim era ser profana…
Pois a Igreja Romana
De forma nenhuma erra

Aqui não estou falando
Contra a canonização
De que é merecedor
O padre Cícero Romão
Minha pena aqui acusa
A quem dele o nome usa
Fazendo profanação

Acho grande hipocrisia
E desaforo daquele
Que somente por ouvir
Muito falar sobre ele
Quer ao povo se unir
Para bem alto subir
Na sombra do nome dele

Sabem que o padre Cícero
O santo de Juazeiro
Tem romeiros espalhados
Por este Brasil inteiro
Então canonizam ele
Pra fazer do nome dele
Uma chama de dinheiro

Lá no céu o padre Cícero
Não pode estar satisfeito
Vendo o seu santo nome
Maculado desse jeito
E ainda depois disso
Vendo a Igreja de Cristo
Sem o devido respeito

Mas ele apesar de tudo
Usará de complacência
Pedirá penalizado
À Divina Providência
Pro castigo revogar
E com amor perdoar
Essa desobediência

Aqui nós do padre Cícero
E da Virgem padroeira
Não estamos de acordo
Com a Igreja Brasileira
O nosso padre estimado
Queremos canonizado
Não assim dessa maneira

Sua canonização
Nós desejamos que seja
Feita pelo Santo Papa
Da forma qu’ele festeja
Mandar então colocá-lo
No altar de toda igreja

Todos seus fiéis romeiros
Que com fé o amam tanto
Num quadro tem ele em casa
No mais destacado canto
Pra quem chegar ali veja
Que só falta à Santa Igreja
Declará-lo como santo

Esperamos que o Papa
Antes que nos venha a morte
Canonize o padre Cícero
E brade numa voz forte:
“EU DECLARO FERVOROSO
SANTO CÍCERO MILAGROSO
DE JUAZEIRO DO NORTE”

Fonte: Jornal da Besta Fubana

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Finalmente recebi os recursos do Prêmio Mais (?) Cultura de Literatura de Cordel

Após uma espera extremamente cansativa, O MINC acabou de tirar os recursos do meu Projeto  aprovado no Mais(?)  Cultura de Literatura de Cordel da geladeira. Sinceramente eu já tinha colocado na bacia das almas. O prêmio chegou com um desconto de 30%. Sei que este desconto é relativo a imposto, mas o que me contraria é o fato de eles não terem especificado isto no edital. Porque se assim o tivessem feito eu não teria feito um orçamento encima de 100, mas em 70%. Toda esta espera, toda esta falta de respeito geraram diversos comentários de produtores da cultura popular no site do MINC. Reproduzo um da amiga Rosilene Melo como forma de protesto e desabafo:

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO CORDEL ENCANTADO DO BRASIL.

Cumprimento a todos os companheiros repentistas, cordelistas, xilógrafos, pesquisadores, estudiosos e amantes da poesia. Confesso que relutei bastante em me pronunciar publicamente sobre os encaminhamentos dado ao Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel. Constato, por outro lado, com muita tristeza, “que nunca antes na história deste país”, a comunidade dos produtores, divulgadores e pesquisadores da Literatura de Cordel no Brasil foi tão desrespeitada como por ocasião deste Prêmio. Prêmio que, como o próprio nome diz, é oferecido por uma pessoa ou instituição. A nós parece que fomos nós que pedimos este Prêmio, tamanho descaso para conosco. Fico sem acreditar que cordelistas que produzem há décadas como José Costa Leite, xilógrafos como Abraão Batista e Stênio Diniz tenham que ficar ligando para o Ministério da Cultura para ter informações mínimas sobre o Prêmio Encantado.Não sabemos quem recebeu, porquê recebeu e outros não.
Rosilene Melo

Obs: Seu MINC, quando o Sr inventar de lançar um edital, lance também mão do respeito por meio de verdades inteiras. Respeite os poetas populares deste país cumprindo com brevidade seus compromissos e quando isto não ocorrer informe os motivos. Pergunto ao Sr, S. Minc: Vossa Excelência também deixa de molho a barba do pessoal da dita literatura “erudita”? Será que acontece o mesmo com a arte “elitista”? Seu MINC: respeito é bom e todo mundo gosta. Faça sempre por onde ser digno do nome que carrega. Um nome que requer muita responsabilidade antes de adotá-lo.

Manoel Messias Belizario Neto

Imagem da internet