CORDEL PARAÍBA


Publicamos neste espaço/Do poeta renomado/Ao escritor não famoso,

Do doutor ao não letrado./Verso seja rico ou pobre,/Aqui todo mundo é nobre/E seu respeito é sagrado.

Cordelista iniciante/Não fique desanimado/Caso tenha seu poema/Por algum deus desdenhado./Todo e qualquer aprendiz/Tem o direito motriz/De compor verso quebrado.

Bem-vindos, peguem carona/Na cadência do cordel,/Cujo dono conhecemos:/Não é nenhum coronel./O cordel pertence ao povo

/Do velho a sair no novo/Saboreiam deste mel.
(Manoel Belizario)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

UFPE sedia o Fórum Pernambucano de Literatura de Cordel

 

Estão abertas as inscrições para ouvintes e comunicações orais de quem quer participar do Fórum Pernambucano de Literatura de Cordel, que será realizado no auditório do Centro de Educação da UFPE, de 7 a 9 de março. Com o apoio do Programa de Educação Tutorial do curso de Letras da UFPE, o evento é resultado do projeto Eu Gosto de Cordel, do escritor e produtor cultural Roberto Belo. O projeto foi selecionado pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel na categoria Formação/ Novas iniciativas.

Acreditando que a Literatura de Cordel voltada para a cidadania é uma das chaves para fortalecer a democracia, respeito mútuo, a justiça social e a igualdade de oportunidades, no FPLC, serão oferecidos cursos, oficinas, palestras e apresentações de trabalhos com especialistas da área, alcançando todos os públicos: crianças de escolas públicas especialmente convidadas, jovens graduandos de diversos cursos, professores e artistas diversos, além da sociedade em geral que esteja interessada em participar.

Mais informações
forumcordel@gmail.comPara se increver acesse o site: http://forumcordel.blogspot.com/

Roberto Azoubel,

Assessor I Ministério da Cultura

Representação Regional Nordeste I RRNE

Rua do Bom Jesus, 237 I Bairro do Recife

CEP: 50030-170 I Recife - PE

(81) 31178444 / (81) 97293757

 

Fonte:  "Rede Nordeste do Livro, da Leitura e da Literatura" dos Grupos do Google.

Imagem: euucomento.blogspot.com

sábado, 14 de janeiro de 2012

Biblioteca Nacional cria campanha para incentivar registro de cordéis

Cortando o véu do tempo, desde as eras de reinos pouco encantados e de um além-mar misterioso nos mapas, a poesia constrói universos e relata acontecimentos importantes. Soberanos queriam perto de si aqueles que versavam, verdadeiros heróis das palavras. O cordel bebeu em fontes longínquas e é uma das manifestações populares mais ricas que o Brasil possui, mas essa produção chega a conta-gotas na Biblioteca Nacional (BN), o grande arquivo da escrita brasileira. Em parceria com a Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) e outras instituições, a Biblioteca lança a campanha do Depósito Legal para aumentar seu acervo cordelístico.

A campanha será oficialmente lançada em janeiro de 2012, mas já apresenta resultados através da parceria com a ABLC. Aos poucos, cordéis de todo Brasil chegam às mãos dos funcionários da BN para complementar o acervo existente, que conta com dois mil folhetos. A quantidade é pouca, levando em conta que muitos artistas produzem centenas de folhetos. O acervo da ABLC, por exemplo, chega a 13 mil títulos, sendo 6 mil já catalogados. Já a Fundação Casa de Rui Barbosa possui 8 mil folhetos.

Teoricamente, toda essa produção deveria estar na BN por determinação do Depósito Legal, segundo as leis 10.994, de 14 de dezembro de 2004, e 12.192, de 14 de janeiro de 2010, que obrigam editoras, jornais, músicos e todos aqueles que publicarem algo no Brasil (exceto propagandas e folhetos) a deixarem uma cópia de sua obra na instituição. Isso vale também para obras digitais, CDs e DVDs. A intenção é que a memória intelectual e artística brasileira seja preservada na BN, que possui mais de 10 milhões de artigos, fora os periódicos. O acervo bibliográfico da instituição pode ser acessado pela internet.

Segundo a bibliotecária Alessandra Silveira de Moraes, funcionária do setor de Depósito Legal, a expectativa é de aumentar em mais de 100% o acervo da Biblioteca e abraçar os autores independentes. O depósito pode ser feito pelos Correios ou pessoalmente no departamento. Não há taxas para entrega do material, mas os custos de envio, caso o autor opte por postar o material, ficam a cargo do remetente.

“A literatura de cordel é de um peso muito significativo na cultura nacional, particularmente no Nordeste e, se a ideia da coleção é ser nacional, é preciso captar as obras de diferentes áreas. Existe uma expectativa de fazermos exposições, mas ainda está em planejamento”, conta.

Cordel na academia: santuário das obras

No bairro de Santa Teresa, no Centro do Rio, fica a Academia Brasileira de Literatura de Cordel. No espaço, do tamanho de uma garagem média, cabe uma infinitude de folhetos que versam sobre os mais diversos fatos. O estandarte ao fundo confere o espírito lúdico que o cordel carrega em si e o som do violão de Dona Mena, a madrinha dos poetas, como é chamada Maria do Livramento da Silva, de 61 anos, completa o encantamento.

A história da Academia se confunde com a de Dona Mena, que ia para a Feira de São Cristóvão armar um tabuleiro com cordéis. De sacolas nas mãos, lá se formou o embrião da ABLC. Tímida, em seu canto, ela sorri ao lembrar da rotina de antigamente.

“Eu pegava dois ônibus com sacolas cheias de cordéis. Antigamente, a feira era boa, era do lado de fora do pavilhão”, diz a cearense, que ganhou o título do poeta Rodolfo Coelho Cavalcante, em 1986. De acordo com o presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva, de 73 anos, ela foi tão importante na história da academia que ganhou o diploma de madrinha dos poetas do Brasil em solenidade onde estavam presentes o então presidente da República, José Sarney, e o presidente da Casa do Cantador, Gonçalo Gonçalves Bezerra.

“Ela fica escondidinha, mas sabe de sua importância. O pessoal vem da ‘baixa da égua’ (termo para designar lugar distante) só para falar com ela”, comenta Gonçalo.

A academia foi fundada em setembro de 1988 com 40 cadeiras de membros efetivos. De início, Gonçalo encontrou muita resistência entre os próprios poetas, que achavam o meio acadêmico elitizado demais para a literatura de cordel. Com persistência, o cearense de Ipu, que chegou ao Rio de Janeiro em 1954 e começou a escrever cordel em 1978, baixou a guarda de muitos opositores.

“Eu recebi tantas ofensas! Chegava nas praças e os repentistas faziam sextilhas agressivas contra mim, depois encostavam a viola e diziam ‘você já viu academia para cordel?’, no que eu respondia ‘no mínimo você não entende o sentido da palavra academia’”, conta.

Mensalmente, chegam 200 títulos novos na ABLC, a maioria de cordelistas estreantes. Poetas consagrados têm optado pela compilação de suas obras, lançando cordéis em formato de livros, com distribuição editorial mais forte. A parceria com a Biblioteca Nacional procura corrigir um grande lapso que os brasileiros cometem contra sua própria cultura, deixando muitas vezes que estrangeiros falem com mais propriedade sobre o cordel.

“Não é brincadeira, a Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos está com quase 10 mil títulos brasileiros e, no coração criador da literatura de cordel, ou seja, no Brasil, temos apenas 2 mil. A França é famosa por pesquisar cordel. Eu nunca tinha esbugalhado tanto os olhos quando vi o conhecimento que os americanos têm sobre a cultura brasileira quando estive lá recentemente. Se a gente não tiver esse cuidado de registrar o valor da literatura de cordel rasgando os tempos, ela terá pouca graça e as pessoas não conhecerão esta riqueza de nossa história”, relata o presidente da instituição.

Cordeltecas

Um dos grandes feitos da ABLC é a disseminação de cordeltecas pelo Nordeste, 15 atualmente. O espaço reservado nas bibliotecas de várias cidades para o cordel faz pulsar a cultura popular na região. Nascido em Campo Redondo, no Rio Grande do Norte, Sepalo Campelo, de 67 anos, vislumbra outros espaços para distribuição dos folhetos: as bancas de jornal.

“Eu penso em desenvolver um trabalho, junto com meus colegas, de explorar esses pontos, inclusive locais turísticos. Em todas as capitais do Nordeste eu comprei cordéis e a gente não vê isso aqui. Isso é um trabalho que também tem que partir dos poetas que desejam ver sua obra divulgada”, revela o poeta.

No Rio de Janeiro desde 1961 e há 30 anos morando entre Niterói e São Gonçalo, Sepalo descreve como conheceu o cordel ainda na infância. Na feira de sua cidade, embaixo de uma árvore, via um poeta abrir a mala e revelar os cordéis que trazia para cantar no megafone. A poesia o escolheu para trazê-la ao mundo desde cedo, mas somente em 1985 ele estreou com “O Rio que nós amamos”.

“Na minha casa, era luz de lamparina. Como acordávamos muito cedo, às 18 horas já era noite e a gente tinha que fazer uma horinha antes de ir para a rede. Nesse tempo, os mais idosos contavam história e quem sabia ler, como eu, lia os cordéis para todo mundo à luz de lamparina. Foi assim que passei a gostar de cordel”, conta.

João Batista de Melo, de 73 anos, lamenta que o berço do cordel esteja dilacerado, como diz, e que os novos poetas da região tardem a nascer. De Itabaianinha, no interior de Sergipe, para Itaipu, Região Oceânica de Niterói, foram muitos anos de trabalho e momentos difíceis. Quando seu pai morreu, João tinha 12 anos. Hora de abandonar a enxada na roça, onde ouvia seu pai cantar os cordéis que decorava aos sábados, no dia de feira.

“Depois que meu pai morreu, zarpei com minha família para uma cidade média de Sergipe e encontrei uma professora que ensinava cordel na última sexta-feira do mês, valendo nota. Isso me estimulou muito. Já era bancário em Aracaju quando participei de um concurso e ganhei um rádio enorme como prêmio. Vim morar em Itaipu na década de 1990, quando me aposentei e, quando deu uma brechinha, me danei a fazer cordel por aqui”, diz João, que expõe suas obras nos fins de semana, no Campo de São Bento.

Fonte: http:www.ablc.com.br

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

40 livros grátis de literatura de cordel para baixar

As obras são distribuídas livremente mediante autorização dos autores ou por domínio público

(Crédito: Wikipédia)

(Crédito: Wikipédia)

A Universia Brasil, maior rede de colaboração universitária presente em 23 países, separou uma lista de livros grátis de literatura de cordel que estão disponíveis para baixar na internet.

Grande parte dos livros são de autores como Leandro Gomes de Barros e Guaipuan Vieira, membros da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, gênero escrito frequentemente de forma rimada e impresso em folhetos.

Neste estilo literário, alguns dos poemas são ilustrados com xilogravuras, as mesmas usadas nas capas dos folhetos. O nome surgiu da maneira em que os folhetos eram vendidos na rua, pendurados em barbantes.

Confira a seguir os 40 livros grátis de literatura de cordel para baixar:
A carta do pistoleiro Mainha à sociedade
Autor: Guaipuan Vieira
A chegada de Lampião no céu
Autor: Guaipuan Vieira
A Filha do Pescador
Autor: Leandro Gomes de Barros
Afonso Arinus
Autor: Crispiano Neto
A Força do Amor: Alonso e Marina
Autor: José Bernardo da Silva
Alexandre de Gusmão
Autor: Fundação Alexandre de Gusmão
A Mulher Roubada
Autor: Leandro Gomes de Barros
Antônio Silvino: o rei dos cangaceiros
Autor: Leandro Gomes de Barros
Antônio Silvino: Vida, Crimes e Julgamento
Autor: Francisco das Chagas Batista
A Seca do Ceará
Autor: Leandro Gomes de Barros
As proezas de um namorado mofino
Autor: Leandro Gomes de Barros
As Quatro Órfãs de Portugal ou O Valor da Honestidade
Autor: João Melquíades Ferreira da Silva
A terrível história da Perna Cabeluda
Autor: Guaipuan Vieira
A triste partida do Rei do Baião
Autor: Guaipuan Vieira
Augusto Frederico Schmidt - um autêntico brasileiro
Autor: Chico de Assis
A visita de Bin Laden ao inferno
Autor: Guaipuan Vieira
Barão do Rio Branco
Autor: Crispiano Neto
Combate de José Colatino com o Carranca do Piauí
Autor: João Melquíades Ferreira da Silva
Gilberto Amado
Autor: Crispiano Neto
História da Princesa da Pedra Fina
Autor: Leandro Gomes de Barros
História da Donzela Teodora
Autor: Leandro Gomes de Barros
História de Juvenal e o Dragão
Autor: Leandro Gomes de Barros
História de Zezinho e Mariquinha
Autor: Silvino Pirauá de Lima
História do Boi Misterioso
Autor: Leandro Gomes de Barros
História do Cachorro dos Mortos
Autor: Leandro Gomes de Barros
História do Valente Sertanejo Zé Garcia
Autor: João Melquíades Ferreira da Silva
Mainha, o maior pistoleiro do Nordeste
Autor: Guaipuan Vieira
O Casamento do Bode com a Raposa
Autor: José Bernardo da Silva
O Casamento do Calangro
Autor: Leandro Gomes de Barros
O Príncipe e a Fada
Autor: Leandro Gomes de Barros
Os Martírios de Genoveva
Autor: Leandro Gomes de Barros
Os Sofrimentos de Alzira
Autor: Leandro Gomes de Barros
O Testamento da Cigana Esmeralda
Autor: Leandro Gomes de Barros
O Valor da Mulher
Autor: Leandro Gomes de Barros
Peleja de Joaquim Jaqueira com João Melquíades
Autor: João Melquíades Ferreira da Silva
Peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho
Autor: José Bernardo da Silva
Romance do Pavão Misterioso
Autor: João Melquíades Ferreira da Silva
Roques Matheus do Rio São Francisco
Autor: Leandro Gomes de Barros
Rui Barbosa
Autor: Crispiano Neto
Uma Viagem ao Céu
Autor: Leandro Gomes de Barros

Fonte: http://noticias.universia.com.br